10/07/2008

Espeleo-turismo

Espeleologia
Turismo, visitas e outras incursões


[FORA DE PORTAS ● jornal Forum Ambiente nº 124, 11 de Abril de 1997]

Gruta de Mira d’Aire (PNSAC) © Pedro Cuiça (2005)

Gruta de Santo António (PNSAC) © Pedro Cuiça (2005)

As grutas portuguesas abertas ao público situam-se na Região de Turismo de Leiria (Rota do Sol). O “turismo espeleológico” permite ao grande público o conhecimento do mundo subterrâneo. No entanto, apresenta também aspectos menos positivos.

Apesar das ameaças que pairam sobre as “cavidades turísticas” do Maciço Calcário Estremenho (Mira de Aire, Moeda, Alvados e Sto. António), estas permitem ainda hoje - pese embora o artificialismo que apresentam - uma oportunidade de conhecer o mundo subterrâneo. Na zona fechada ao público da gruta de Mira de Aire (ou Gruta de Moinhos Velhos) já foram detectados vestígios de poluição e, por vezes, o cheiro nota-se em toda a cavidade. A grande afluência de visitantes e a iluminação desadequada possibilitaram o aparecimento de manchas esverdeadas resultantes do desenvolvimento de flora. Aleado à exploração turística das cavidades, já chegou a haver “barraquinhas” onde se vendiam concreções (estalactites e estalagmites). No entanto, essas situações menos regulares deixaram, felizmente, de se verificar.
A abertura das grutas de Mira de Aire, Alvados, Moeda e Santo António podem-se considerar, apesar dos aspectos negativos, como tendo desempenhado um papel relevante na sensibilização das pessoas para o endocarso. No entanto, existem diversos casos em que a exploração se processou em diferentes moldes. A gruta do Covão do Feto (sita no Maciço Calcário Estremenho) era uma das que se encontravam na mira da indústria turística, mas a laboração de uma pedreira, situada nas proximidades, ao provocar graves danos na cavidade refreou esse intento.
A Gruta do Casal do Papagaio (Gruta de Aljustrel ou Gruta das Covas), situada também no Maciço Calcário Estremenho, foi alvo de uma tentativa de abertura ao turismo. Segundo consta, terá mesmo sido escolhido o nome comercial de “Grutas de Fátima”. Entretanto, as concreções da gruta apareceram partidas e a abertura turística não passou das “boas” intenções. Como resultado ficou o “entulho” removido para exterior da cavidade e espalhado na zona sobrejacente à mesma (num volume estimado em 100 metros cúbicos); as estalactites e estalamites na sua grande maioria quebradas; os restos de materiais de construção; e a alteração da morfologia “original” da gruta. Com os detritos removidos, encontravam-se materiais arqueológicos que ficaram desfasados da sua posição espacio-temporal.
O “turismo espeleológico” não se confina ao Maciço Calcário Estremenho. No Algarve também se desenvolveram iniciativas nesse sentido. A Gruta de Ibne Ammar (situada nas proximidades de Estombar) foi alvo de grande publicidade em 1977, especialmente na imprensa regional, devido à anunciada abertura ao turismo. A abertura não se verificou mas, em contrapartida, a degradação da cavidade foi uma constante que permaneceu até aos dias de hoje.
O Centro de Estudos Espeleológicos e Arqueológicos do Algarve (CEEAA), na dependência da Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho, desenvolveu diversos trabalhos, já na década de 80, a fim de abrir a Gruta da Senhora (sita no Cerro da Cabeça) ao turismo. Dos trabalhos resultou a destruição da gruta. Do aproveitamento turístico apenas ficou a intenção.
Nos anos 90 surgiram novas abordagens do “turismo espeleológico”. Visite as grutas turísticas de Mira de Aire, Moeda, Alvados e Santo António e, posteriormente, os centros de interpretação do Alga do Peno e da Gruta do Almonda. Estabeleça as diferenças.

Ibne Ammar (Algarve) © João Varela/CEEAA (2008)
Ibne Ammar (Algarve) © João Varela/CEEAA (2008)

Gruta da Senhora (Algarve) © Pedro Cuiça (2008)

2 comentários:

Lina (kasante) disse...

hello, these caves are magnificent! is it possible for tourists to visit it?

Pedro Cuiça disse...

Yes, you can visit the caves of Mira d’Aire and Santo António (the two upper photos), and also the caves of Alvados and Moedas, all located in the middle of Portugal. They are all open to the public.

Pedro Cuiça