31/12/2009

BOM ANO

[Foto: Rui Nelson (Clube Naval do Seixal)]

A "gerência" (:)) deseja um excelente Ano Novo e as maiores felicidades a todos aqueles que têm acompanhado o Spelaion.

Como é costume dizer-se: Ano Novo, Vida Nova. E, nesse pressuposto, vamos ter certamente novidades (das antigas!) neste blogue sobre o mundo subterrâneo :)

Tudo de bom!


Quem diria?!

"O Parque Eólico de S. Bento, que previa a instalação de 42 aerogeradores nos concelhos de Alcobaça, Porto de Mós e Santarém, foi chumbado pelo Ministério do Ambiente, que considera que o projecto “não é compatível com os objectivos de conservação da natureza” da zona, inserida no Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros (PNSAC). Cai assim por terra um investimento na ordem dos 100 milhões de euros, que o consórcio Ventivest pretendia fazer naquela área protegida.
A Declaração de Impacto Ambiental, assinada pela ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, aponta como principais impactos negativos do projecto a “destruição e perturbação” de habitats prioritários, “com especial destaque para a afectação de três algares ocupados por gralhas-de-bico-vermelho”, uma espécie considerada em perigo, e de áreas de nidificação de aves de rapina e de “grande actividade de morcegos”.
A destruição de estruturas cársicas, os impactos directos e indirectos em vários elementos patrimoniais como o Arco da Memória (monumento em vias de classificação), os aumentos dos níveis sonoros, com o “incumprimento do critério de incomodidade”, e os impactos visuais dos 42 aerogeradores na paisagem são outros dos motivos que levaram o Ministério do Ambiente a indeferir o projecto. A tutela alega ainda que a instalação do parque eólico afectaria várias espécies de plantas raras e árvores protegidas legalmente, como sobreiros e azinheiras.
Por tudo isso, o ministério entende que a construção do parque eólico “acarreta impactos negativos muito significativos sobre o território, sobre a sua integridade ecológica e patrimonial não desprezíveis nem minimizáveis”. Esse é também o entendimento das associações ambientalistas Oikos, Liga para a Protecção da Natureza e GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, que, durante o período de discussão pública, entregaram um parecer conjunto opondo-se ao projecto, por considerarem que ele põe “em risco muitos dos valores para cuja protecção foram criados o PNSAC e a Rede Natura 2000”.
António Sá da Costa, administrador da Ventinvest Eólica, diz que a empresa “foi desagradavelmente surpreendida pelo ´chumbo´ do Parque eólico de S. Bento” e que “está ainda a analisar as consequências desta situação”.

Reacções
A não aprovação do parque é uma medida de bom senso, porque iria incidir numa área sensível do parque natural, com espécies protegidas e ameaçadas. Não somos [Quercus] contra os parques eólicos, mas estes não podem ser feitos em qualquer local, escolhendo as áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental. Os promotores têm de procurar alternativas.
Domingos Patacho, presidente da Direcção do Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus

Já pedi uma reunião com a senhora ministra do Ambiente para lhe manifestar a minha preocupação. Não concordo com a decisão nem aceito que me digam que aquela é uma zona de protecção da natureza, porque já foi toda remexida por causa das pedreiras. Por isso mesmo, será, dentro do PNSAC, a zona onde um parque eólico produz menos impactos.
João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós
"

Tivemos conhecimento desta notícia, publicada no Jornal de Leiria, através do Sérgio Medeiros (GPS) e ficámos verdadeiramente surpresos, face à plantação a eito de "ventoinhas" a que nos vinham habituando... Quem diria?! É de veras surpreendente, tendo em conta que esteve (está) em jogo muito dinheirinho. E quando de dinheirinho se trata há quem seja capaz de vender a própria mãe! É chocante mas a caricatura não andará muito longe da realidade.
Já não é a primeira vez que a nova Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, nos surpeende pela positiva. Parabéns pela sua coragem...
E já agora, a culpa do projecto não ter sido aprovado não é certamente das gralhas e dos morcegos: "coitados" limitam-se a sobreviver... Agora já se percebe o porquê de tanta preocupação face a essas espécies imaturas, mas será conveniente arranjar outro "bode expiatório":)

[Fonte: Maria Anabela Silva (http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php?id=4106)]

16/12/2009

E viva a liberdade!...

Um grupo de escuteiros foi notificado a pagar 200 euros por ter pedido autorização ao Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) para efectuar “uma actividade, que incluía visitas a aldeias e caminhadas na serra”. A notícia foi hoje publicada no Diário de Notícias e espelha bem o estado a que se chegou no tocante à prática de actividades de ar livre em Portugal.
O pagamento de taxas para visitar áreas protegidas tem suscitado acesa discussão em todo o país. Apesar da Portaria 1245/2009, que obriga ao pagamento das taxas só ter estado em vigor entre 13 de Outubro e 5 de Dezembro, são muitos os protestos. Desde o início de Dezembro que a portaria está suspensa mas, os pedidos efectuados nos dois meses de vigência, continuam a implicar custos. O caso dos escuteiros de Braga está entre esses pedidos.
Pelo andar da carruagem daqui a uns anos temos todos liberdade para fazer actividades… nos centros comerciais!!! O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) será, nesse pressuposto, um excelente exemplo, tendo em conta que já possui duas infra-estruturas do género no ponto mais alto do País. Ainda bem que podemos contar com uma elevada coerência no tocante à conservação da natureza. Desta forma temos o futuro garantido, resta saber é em que moldes.

15/12/2009

A franga foi suspensa :)

Pois é, pelos vistos a notícia do Público (23 de Novembro, AnoXX, nº 7174), a que fizemos referência, estava correctíssima! O Diário da República de hoje vem confirmar aquilo que já se suspeitava. A Portaria nº 1397/2009, de 4 de Dezembro, "determina a suspensão da produção de efeitos da Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro, que define as taxas devidas pelos actos e serviços prestados pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I.P.".
A razão para tal decisão deve-se ao facto da Portaria nº 1245/2009 ter "suscitado dúvidas e gerado equívocos não só quanto ao seu âmbito de aplicação, mas principalmente quanto à sujeição de determinados actos e actividades ao pagamento das referidas taxas". Segundo o articulado hoje publicado no Diário da República "a interpretação que tem vindo a ser realizada da mencionada portaria não se revela conforme com o espírito que presidiu à sua elaboração". Ainda bem que alguém reparou naquilo que nos parecia obvio. Tão óbvio quanto o absurdo de cobrar dinheiro por um pedido de autorização para andar a pé, escalar ou descer um rio!? Por razões de conservação da natureza é permitido ou não é permitido efectuar determinada actividade. Se associado ao processo de autorização (ou pior de não autorização) está implicado o pagamento de um determinado montante tratar-se-á não de conservação mas de exploração da natureza, tal como daqueles que queiram usufruir desses vastos condomínios...
Portanto, e para concluir, a "franga dos ovos de ouro" está suspensa. Suspensão que "vigora pelo prazo de três meses a contar da data da publicação" da Portaria nº 1397/2009. Mais, "não obstante o desiderato de proceder à actualização do regime instituído pela Portaria nº 754/2003, de 8 de Agosto, verifica-se a necessidade de repristinar a referida portaria durante o período de suspensão da produção de efeitos da Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro, com vista a evitar a ocorrência de um vazio legal".
Daqui a três meses, no máximo, veremos as alterações entretanto efectuadas. Esperemos que a galinha (desculpem, a franga) não se transforme num sapo difícil de engolir.

(in blogue Ilinx, 4 de Dezembro de 2009)

PETIÇÃO


O N Aventuras - Clube de Montanhismo avançou com uma petição pública on-line com vista à "inibição de taxas de autorização para prática desportiva". A pedição encontra-se no seguinte endereço: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N804 .
(in blogue Ilinx, 26 de Novembro de 2009)

Franga "carece de ajustamentos"?!

No jornal Público de segunda-feira passada (23 de Novembro, Ano XX, nº 7174) foi publicada uma entrevista a Dulce Pássaro, a nova Ministra do Ambiente. Nessa peça jornalísta, da autoria de Ana Fernandes e Ricardo Garcia, destacamos a revisão das "taxas da conservação".

"Em final de mandato, o anterior Governo publicou uma portaria que fixava taxas elevadas a quem pedisse um parecer aos serviços do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). A medida foi criticada por penalizar os residentes e convidar a fugas à legalidade. Esta é mais uma das decisões que Dulce Pássaro irá rever.
Uma portaria recente fixou taxas elevadas que o ICNB há-de cobrar por pareceres e outros serviços. Pensa mudar a decisão?
É inequívoco que a conservação da natureza e da biodiversidade tem um custo acrescido. Se o ICNB presta serviço no âmbito das suas competências, é natural que haja cobrança pela prestação destes serviços. Mas esta cobrança não deve ser desproporcionada. Vou pedir a reavaliação da portaria. Vamos manter as taxas, com certeza. Agora, as taxas têm que ter a proporção adaptada.
Vai diminuir as taxas?
A portaria é para manter, mas vai ser revista no sentido de ser o mais adaptada possível ao objectivo para que foi criada. E isto pode significar que haja ajustamentos para baixo.
A sensação é que o ICNB abandonou o terreno. Os seus técnicos estão dentro das sedes a dar pareceres, os vigilantes são escassos e não conseguem vigiar adequadamente o território. Como resolver o problema?
Já tive oportunidade de receber a direcção do ICNB e uma das questões enumeradas foi a necessidade de reforçar os vigilantes da natureza. Foi também referido que a estrutura necessita de um reajuste interno. Um dos desafios para 2010 é toda esta reorganização.
Mas a reorganização do ICNB já foi feita...
Mas esta direcção considera que podem ser feitos alguns ajustes em termos das chefias intermédias.
Então reconhece que o modelo que foi implantado pelo Governo anterior não funcionou?
Carece de ajustamentos.
(...)
"

Suspeito que devem estar a falar da famosa Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro :)

(in blogue Ilinx, 26 de Novembro de 2009)

A Franga dos Ovos de Ouro (III)

Será importante esclarecer determinados pontos de vista de modo a que não surjam possíveis mal entendidos ou subversivas interpretações no que concerne a estas minhas “postas” sobre a temática da “Franga dos Ovos d’Ouro”.
Em primeiro lugar é importante deixar claro que não me move qualquer tipo de corporativismo que justifique a defesa da prática de actividades de ar livre. Nunca fui adepto de grupos de pressão e/ou de tribos pós-modernas resultantes, muitas vezes, de motivações pouco abonatórias… Nem tenho por costume esconder-me ou tirar partido desses tribalismos para atingir determinados fins. Para mim os fins não justificam os meios e não me agradam “faces ocultas” ou outros malabarismos semelhantes. Na verdade tenho asco a esses posicionamentos, portanto sobre esta matéria estamos falados.
Tanto as anteriores intervenções, como esta, expressam a minha opinião acerca desta temática e não passam do posicionamento individual de alguém, que a título individual (volto a sublinhar) pretende defender o seu direito, enquanto cidadão, de praticar desporto ao ar livre. O direito de praticar um desporto ao ar livre em liberdade, ou seja, sem ser coagido, perseguido, "multado" ou algo do género. Estou farto de, há anos a esta parte, assistir a um agravamento da “paranóia” colectiva que se tem vindo a instalar paulatinamente nas mentes de muitos praticantes de actividades de ar livre no tocante ao clima persecutório que se tem vindo a implantar. E o pior é que não se trata de uma mania da perseguição, trata-se de uma lamentável realidade. Praticar um desporto não é crime, é um direito e, mais, é um dever de cada um.
Não defendo que tenho o direito de “andar” por onde e quando quiser, muito menos numa Área Protegida cujos condicionalismos no que concerne à conservação da natureza, quando devidamente justificados, serei o primeiro a acatar. Desde os finais da década de 80 do século passado que me preocupo e dedico às questões ligadas à prática de actividades de ar livre e à conservação da natureza. E, desde essa altura, que defendo, sem quaisquer tipo de pruridos, a necessidade de gerir essas actividades convenientemente de forma a garantir a própria sustentabilidade das mesmas. No entanto, tal não passará certamente pelas proibições a eito e, muito menos, por taxações cujas motivações económicas são evidentes e cujos resultados em termos de conservação só poderão ser enviesados.
A gestão adequada de uma Área Protegida no que respeita à prática de actividades de ar livre passa por estudos sérios sobre a matéria: monitorização das actividades, estudos de impacte ambiental, determinação de capacidades de carga, etc. Não basta surgir com números mágicos, como quem tira um coelho da cartola, avançando com fictícias capacidades de carga que só poderão ter resultado do lançamento de búzios, interpretação das entranhas de uma cabra ou consulta de uma bola de cristal. Tem de haver alguma seriedade nesses processos…
Neste contexto, acho perfeitamente justificável que se tenha de solicitar autorização para efectuar uma determinada actividade numa Área Protegida, tal como acho perfeitamente anormal taxar tal autorização (sobretudo quando os montantes em causa são “imorais”). Mais, acho perfeitamente justificável que existam áreas de “reserva integral”, zonas em que não se possa praticar certas actividades ou interdição durante determinados períodos do ano, mas tal deverá ser sustentado pelos tais estudos a que me referi. De outra forma tal não será mais do que a aplicação prepotente de regras injustificadas e até, por vezes, manifestamente erradas. Se dúvidas existirem no tocante a conceitos míticos ou erros crassos cometidos nestas matérias basta dar uma vista de olhos sobre a legislação publicada até à data. A título de exemplo, salientamos o mito das “marcas correspondentes às normas internacionais de sinalização de percursos pedestres”. Mito recorrente que surge na Portaria nº 53/2008, de 18 de Janeiro, entre outra legislação. Na verdade, não existem marcas internacionais para a marcação de percursos pedestres (ponto). Acompanhar a evolução e a excessivamente morosa implementação do Programa Nacional de Turismo de Natureza, aplicável na Rede Nacional de Áreas Protegidas, desde 1998 até hoje, também constitui um exercício bastante esclarecedor...
Por último, não posso deixar de referir a estranheza e a perplexidade que determinadas tomadas de posição, face à prática de actividades de ar livre nas Áreas Protegidas, me têm suscitado, quando paralelamente assisto à proliferação de aerogeradores, pedreiras, vias de comunicação e outros "sinais de desenvolvimento” nessas mesmas áreas. Aquilo que alguns denominam de “ordenamento do território” surge ao meu olhar mais como “ordenhamento do território”, porque é que será?

(in blogue Ilinx, 19 de Novembro de 2009)


A Franga dos Ovos de Ouro (II)

Estava eu, há alguns dias, a pregar a boa nova de que os “burocratas do ambiente” teriam visto a luz face à mudança de perspectiva anunciada no Decreto-Lei nº 108/2009, de 15 de Maio, quando fui confrontado com a Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro, cuja aplicação estava a causar grande polémica no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Moral da história, a boa nova não terá passado de uma breve ilusão!? Passo a explicar, segundo o Decreto-Lei nº 108/2009 o licenciamento das actividades de animação turística passou a estar centralizado a nível nacional (num “balcão único”) e a aplicar-se exclusivamente a empresas. Voilà, até que enfim! Após vários anos a tentar demonstrar que colocar no mesmo saco empresas e associações era um erro crasso, como estabelecia o Decreto-Lei nº 204/2000, de 1 de Setembro, lá foi reconhecida essa evidência e substituída essa “pérola” da legislação pátria. Esse Decreto-Lei nº 204/2000 é, pasme-se (!), considerado “hoje desajustado da realidade”. Antes tarde do que nunca.
Mas regressemos ao que aqui nos traz. Se por um lado o Decreto-Lei 108/2009 acabou com a necessidade das associações se licenciarem, a Portaria nº 1245/2009 veio estabelecer uma “Tabela de taxas” para “Actividades associadas a turismo, visitação e desporto” cujo valor base é de 200 euros e cujo montante pode ascender aos 1000 euros. Se forem afectados meios humanos da Área Protegida acresce aos valores indicados mais 20 euros por cada hora de afectação. Ora daí não viria mal ao mundo caso os planos de ordenamento não considerassem a generalidade das actividades de ar livre sujeitas a autorização. Como é óbvio, as regras são diferentes para cada Área Protegida portanto vamos centrar-nos no caso concreto do PNPG, cujo Plano de Ordenamento se encontra precisamente agora em discussão pública.
O Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, adiante designado "POPNPG", encontra-se em discussão pública de 21 de Outubro a 2 de Dezembro. Durante esse período, os interessados, mais afoitos, poderão apresentar as observações e as sugestões que julgarem pertinentes, caso estejam dispostos a ultrapassar as costumeiras burocracias (leia-se dificuldades) com que parelhos processos costumam brindar os cidadãos e acreditem que isso irá servir para alguma coisa. Para começar podem devorar a informação incluída num alteroso monte de folhas A4 (ou estragar a vista numa leitura on-line de tamanha dimensão) e inteirar-se dos respectivos conteúdos.O período de discussão pública prevê ainda a realização de sessões públicas de esclarecimento. Já se realizaram duas nos dias 11 e 12 de Novembro, respectivamente, na Sala Multiusos em Montalegre e no Auditório Municipal de Ponte da Barca. Hoje realiza-se mais uma sessão pública de esclarecimento, às 18 horas, no Centro de Animação Termal do Gerês. Caso tenha interesse, também poderá assistir ou participar em tal espectáculo nos dias 20 e 25 de Novembro, na Porta do PNPG de Lamas de Mouro ou no Auditório do Centro Municipal de Informação e Turismo de Arcos de Valdevez, respectivamente.
Bien, sem prejuízo dos diversos aspectos positivos do POPNPG (que também os tem), gostaria de salientar, para atalhar caminho, o cavalo de batalha dos praticantes de actividades de ar livre: as actividades sujeitas a autorização (Artigo 8º - Actividades Condicionadas).
Segundo o ponto o) do Artigo 8º: “A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas, designadamente alpinismo, escalada ou montanhismo, e de actividades turísticas susceptíveis de deteriorarem os valores naturais, nomeadamente quando integrem mais de 15 participantes, bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, excepto em equipamentos existentes, como campos de futebol, piscinas, centros hípicos ou pavilhões polidesportivos.” Portanto, conforme se pode depreender do acima exposto, a prática de canyoning, porque é uma actividade desportiva não motorizada (tal como a espeleologia), estará sujeita a autorização.
Na verdade, a confusão que graça entre as actividades enquadradas em designações tão dispares (para não dizer “disparatadas”) quanto “turismo activo”, “turismo de aventura”, “turismo de natureza” e, até, “oferta de experiências” (ora esta!) não revela mais do que um upgrade do negócio que se tem vindo a estabelecer, nos últimos anos, em torno das Áreas Protegidas. As empresas pagarão agora o licenciamento num “balcão único” e as associações ou até grupos informais de amigos ou familiares passam a pagar, no mínimo, os tais 200 “euritos” por cada pedido de autorização. O melhor mesmo será instalar um parque aquático no PNPG (à semelhança de "campos de futebol, piscinas, centros hípicos ou pavilhões polidesportivos”) onde os praticantes possam praticar canyoning mais em conta e, sobretudo, de modo a que não se sintam coagidos a pagar uma taxa injusta ou, a não fazê-lo, se sintam uns fora da lei. Por último, será necessário lembrar que os cidadãos até pagam impostos e, supostamente, até terão direitos, nomeadamente aqueles que estão consignados na Constituição da República?

(in blogue Ilinx, 18 de Novembro de 2009)

A Franga dos Ovos de Ouro I

A Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro, que "define as taxas devidas pelos actos e serviços prestados pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB)", está a levantar uma enorme contestação no que concerne ao Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG). Por exemplo, no tocante ao canyoning, cada vez que se queira descer um rio deve-se pedir autorização para tal e a mesma custará a módica quantia de 200 euros! Que grande negócio, não é? Eureka! E assim se descobre a pretensa galinha, ou melhor a franga, dos ovos de ouro para financiar uma Área Protegida! Brilhante :) Brilhante não é a ideia mas sim os supostos ovos, entenda-se.
Como tão bem ironizou Eça de Queirós, na obra A Cidade e as Serras (cuja leitura recomendo vivamente), para fazer algo é necessário possuir meios: “(…), os quatro Elementos: o ar, a água, a terra e o dinheiro. Com estes quatro elementos, facilmente se faz uma grande lavoura.” Ora o PNPG é bastante rico em ar, água e terra, pelos vistos só falta mesmo é o dinheiro para poderem fazer a sua “lavoura”. Ora, o que se está a passar poderá indiciar uma escatologia: para uns do fim dos tempos, tendo em conta a perversidade das medidas, para outros algo de indefinido mas cujo odor remete para excrementos. E, nesse pressuposto, quem mexe na m… suja-se.E depois ainda acham estranho que pensemos que os "burocratas do ambiente" agem de má fé (ou em acto de desespero!) perante os praticantes de actividades de ar livre.Voltaremos, em breve, ao assunto.

(in blogue Ilinx, 17 de Novembro de 2009)


Espécies imaturas

As declarações proferidas por Fernando Ruas durante o Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), no dia 4 de Dezembro, em Viseu, revelaram a fractura entre o presidente dessa estrutura e o Governo de José Sócrates. Fernando Ruas atacou os "fundamentalismos" das instituições que trabalham sob a alçada do Ministério do Ambiente. "Eivados por fundamentalismos bacocos, continuam empenhados na protecção desmesurada de espécies como os morcegos, os lobos de Leomil ou as gralhas de bico vermelho, mas parecendo esquecer que a primeira espécie que nos cumpre defender é a humana". (sic)
As afirmações do presidente da ANMP mereceram uma pronta resposta por parte do Secretário de Estado do Ambiente. Humberto Rosa acusou Fernando Ruas de fazer declarações "totalmente infundadas" e "verdadeiramente fundamentalistas contra a conservação da natureza".
O Presidente da Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia (FPE), Gabriel Mendes, também não ficou indiferente às afirmações proferidas: “São citações como as do Sr. Fernando Ruas que justificam cada vez mais o papel das Associações que estudam e protegem o ambiente e que ao contrario do que o Sr. Ruas afirma, não dependem do Ministério do Ambiente, bem pelo contrário, sua independência é o garante para que este Ministério não ceda ao fundamentalismo bacoco de autarcas como o senhor Ruas que encontram no desenvolvimento insustentável a solução milagrosa para a má gestão de muitas e muitas autarquias deste país.
Sr. Ruas deveria saber que é com a protecção de espécies como os morcegos, os lobos de Leomil ou as gralhas de bico vermelho entre muitas outras infelizmente vítimas da ganância essa sim desmesurada do bicho homem, que se garante a salvaguarda de todo o ecossistema sem o qual a espécie humana não terá qualquer possibilidade de sobrevivência. É verdadeiramente assustador confrontarmos com declarações de quem representa todos os municípios com este teor de irresponsabilidade cívica, cultural e ambiental. Agora compreendo melhor a posição de alguns autarcas que pedem para não tomarmos o todo pela a parte. Sei que há autarcas competentes, cultos e que colocam a sua inteligência ao serviço das populações e repudiam servir os interesses menos escrupulosos de quem não se preocupa com o legado para futuro.
Uma associação de que eu nunca farei parte, será a que defenda espécies biologicamente imaturas como o senhor Ruas, que infelizmente estão muito longe de estarem em vias de extinção.

Infortunadamente vamo-nos habituando às "prosas bárbaras" com que somos frequentemente brindados neste país à beira-mar plantado!... Durante as Jornadas Nacionais de Pedestrianismo, que decorreram nos dias 14 e 15 de Novembro, em Fafe, também assistimos surpresos à apologia das eólicas! Estas não afectam a fauna de forma negativa como, só faltou dizer, são benéficas para a avifauna e "morcegagem". Pois é, não é?

P.S.: Para mais informações, consulte o site da RTP.

20/11/2009

Ambiente na mira da PSP

A PSP realiza a partir da próxima segunda-feira (dia 23 de Novembro) uma operação de fiscalização que irá incidir sobre as infracções ambientais em pedreiras, extracção de areia , oficinas de automóveis e circos.
A operação denominada "Ambiente Seguro 2009", que se irá prolongar até dia 29 de Novembro, conjuga a vertente preventiva e pedagógica com a fiscalização e a dissuasão do não cumprimento da legislação ambiental. Segundo a PSP, a operação visa "aumentar a capacidade operacional, através de adequada rentabilização dos meios humanos e materiais de que dispõe, em especial as equipas afectas às Brigadas de Protecção Ambiental e Brigadas de Intervenção Rápida." Há que dar trabalho ao pessoal e, sobretudo, garantir que a lei é cumprida! Antes isso...

06/11/2009

Ena Pá! Mais do bom...


Ena Pá, estamos em 2009! Regressámos novamente ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) para constatar a coerência no que concerne aos processos de conservação da natureza. Ficámos, contudo, um pouco confusos: não sabemos se estão a tratar da biodiversidade, se estão a tratar da geodiversidade ou de ambas! Confortou-nos saber que a placa de "PEREIRA EM ACTIVIDADE" conserva-se na mesma postura e encontra-se de boa saúde. Pelo nosso lado, tratámos de endireitar a dita placa por altruistas razões de segurança, ao pretendermos facilitar a visualização do alerta para a mega cratera que por detrás desta se esconde; esperando sinceramente não provocar qualquer impacte no meio. Nunca se sabe, não é? O facto de nos locomovermos a pé também nos preocupou um pouco, mas ainda não conseguimos levitar... Também constatámos que os aerogeradores continuam viçosos e mais abundantes do que cogumelos. À semelhança do ano passado aqui ficam algumas imagens. E, tal como antes, à falta de considerandos politicamente correctos, só nos ocorre mais do bom:

"Marisco é bom,
Marisco satisfação,
Marisco é bom,
Marisco é-i..."






05/11/2009

Virus ataca morcegos em Espanha

"Antes de nada señalar la referencia a la publicación de dicha noticia (otra ref. más, otra más, etc.). Como siempre, hay que cogerla con reservas, y estar a la espera de resultados concluyentes. Frases del tipo "De momento, nuestra sospecha es que no se trata de un virus patógeno" puede hacer pensar que los caminos del mundo científico, muchas veces de naturaleza difusa, unido al de la prensa, en algunas ocasiones genera noticias excesivamente alarmistas, aunque prefiero no opinar al respecto hasta tener más información y poder acceder a estudios científicos concretos, en lugar de noticias en prensa que, en muchas ocasiones, puedan buscar ...Otra referencia destacable "los murciélagos transmitirán directamente el ébola al hombre", que apunta a una relación directa entre las migraciones anuales de quirópteros y las epidemias de ébola (ver pdf que se incluye en dicha entrada)."

[Fonte: Nino (blogue EC/DC)]

16/07/2009

Síndroma do Nariz Branco (II)

O Síndroma do Nariz Branco já matou, desde 2006, mais de 500 mil morcegos nos Estados Unidos (ver Spelaion de 3/Nov. 2008). Esta doença causada por um fungo ainda não terá chegado à Europa mas o 15º Congresso Internacional de Espeleologia, que se realiza este mês no Texas, tem suscitado crescentes preocupações entre a comunidade espeleológica e a própria organização. As preocupações prendem-se sobretudo com o que fazer para evitar a expansão da doença para outras regiões, nomeadamente a Europa.
O Bat Conservation Trust elaborou um documento com diversas recomendações sobre este assunto e na última reunião do Comité de Peritos do EUROBATS foi decidido que essas recomendações deviam ser divulgadas entre os espeleólogos, cientístas e técnicos de campo. A prevenção começará portanto na informação... (Foto: Nancy Heaslip)

"Fonte da Juventude"

O fórum de espeleologia, brasileiro, Eco-Subterraneo deu conta, há alguns dias (13 de Julho), de um artigo sobre o estudo de quirópteros e o envelhecimento. Cientistas da Universidade San Antonio, no Texas (estados Unidos), ficaram surpreendidos com uma nova descoberta que poderá conduzir a um dos avanços mais importantes da humanidade: a possibilidade de aumentar o tempo de vida das pessoas. A descoberta, fez a capa da edição de Julho do The FASEB Journal, mostra que uma disposição adequada de uma proteína ao longo do tempo de vida dos morcegos explica a razão desses animais viverem significativamente mais do que outros mamíferos do mesmo tamanho.
O coordenador da investigação, o bioqímico Asish Chaudhuri, e a sua equipa fizeram esta descoberta ao extraírem proteínas do figado de duas espécies de morcegos de vida longa (Tadarida brasiliensis e Myotis velifer) e de ratos adultos jovens.

Geologia no Verão

A Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE) volta a organizar, nos meses de Julho, Agosto e Setembro, uma série de iniciativas no âmbito da Geologia no Verão; oito visitas temáticas a regiões cársicas, num total de 54 sessões:

  • Grutas e Nascentes de Porto de Mós
  • Do canhão da Caranguejeira, pelo menino do Lapedo, às fontes do rio Lis e ao Buraco Roto
  • Da Arriba Fóssil da Serra dos Candeeiros às Grutas e Nascentes de Chiqueda
  • As grutas que escondem as águas subterrâneas da Serra da Arrábida
  • As nascentes dos rios Almonda e Alviela e a água que forma as grutas e os tufos calcários
  • Passeio pela serra de Montejunto entre o Vale das Rosas e o anfiteatro de Pragança
  • Grutas e nascentes do vale em canhão do Rio da Ota e de Alenquer
  • Grutas da Praia da Adraga e Pedra d’Alvidrar, com a serra de Sintra à vista

As visitas correspondem a actividades de divulgação da geologia e dos geo-recursos, através de passeios científicos no campo que possibilitem a observação activa e o contacto directo com cientistas e técnicos deste sector.

Para mais informações consulte o site da SPE.

15/07/2009

Foi de slide (II)

Na sequência da posta anterior, fomos informados de mais algumas tristes “novidades” no que concerne a acidentes na prática de actividades com cordas em Portugal. Destacamos mais um acidente ocorrido durante a descida de um slide. Apesar de conhecermos os dados referentes aos intervenientes, local e circunstâncias dos acontecimentos optamos por não os divulgar, nomeadamente para proteger a identidade dos acidentados e das entidades envolvidas.

Há duas semanas, num evento sobre “actividades radicais” enquadrado por militares, uma criança caiu de nove metros de altura, porque em vez de a prenderem com o mosquetão no local próprio do arnês colocaram-no no porta-material! A queda deu-se pouco depois do início do slide, perante a estupefacção de toda a assistência (incluindo os pais)! A criança sofreu diversos traumatismos internos e encontra-se ainda em recuperação, esperando-se que sobreviva com o mínimo de sequelas.

Se o número de acidentes ocorridos em actividades com cordas (entre as quais se inclui a espeleologia) é indubitavelmente superior aos parcos casos que chegam ao conhecimento público, mais significativo se torna esse desfasamento no que concerne a incidentes ou simples erros técnicos que, apesar de graves, não se traduzem em ocorrências digamos nefastas. Nessa matéria, e a título de exemplo, lembramos que é frequente assistir-se a descidas de slide com os praticantes suspensos apenas pelos braços e sem qualquer tipo de auto-segurança! Para não falar nos sistemas bárbaros de tencionar cordas, nas amarrações e ancoragens deficientes ou na simples ausência de corda de segurança!!! Depois ainda se admiram…

14/07/2009

Foi de slide

Um amigo enviou-me um e-mail acerca de um acidente ocorrido durante um slide e noticiado no Jornal de Notícias (edição de 12/07/2009). A peça jornalística referia que uma rapariga de 18 anos caiu, anteontem (dia 12 de Julho), de uma altura superior a 10 metros durante a descida de um slide. A jovem caiu quando um cabo se soltou, tendo sofrido lesões na cabeça e nas costas. O acidente ocorreu por volta das 12.30 na zona do Reguengo do Fetal (concelho da Batalha). Segundo a fonte referida, a jovem, que foi transportada para o Hospital de Leiria, estava a praticar essa actividade com um grupo de amigos.
Não se tratou de um acidente de espeleo, mas lembrou-me eventos similares ocorridos nesse âmbito. Sim, quem não se lembra de vários incidentes/acidentes devidos ao fenómeno de largar a mão que controla o rapel e arrastar o shunt até ao chão! Claro que esses eventos, e outros do género, ficam de certo modo no "segredo dos deuses" e mais claro ainda que a culpa morre invariavelmente solteira.

P.S.: Porque se soltou um cabo?

02/07/2009

SOS Honduras

Recebemos, através do forum de espeleo brasileiro Eco-Subterrâneo, uma mensagem de Jorge Antonio Yanes Fernandez. Este espeleólogo hondurenho trabalha numa área protegida com grutas e agora enfrenta a situação inusitada de viver um golpe de Estado no seu país. Não se trata de espeleologia mas a vida não se resume, nem pouco mais ou menos, a essa actividade. Há vida para além da espeleo... E enquanto há vida há esperança.

S.O.S
Amigos, no habia podido comunicarme con ustedes por el aislamiento que he sufrido:
Despues del golpe de estado del 28 de junio a las 4:00am y que nos enteramos a las 6:00 am poque teniamos una actividad con la esposa del presidente a esa hora y en ese preciso momento ella recibio la llamada.
A partir de ese momento ha iniciado para nosotros una actividad que no tengo la minima idea cual sera el final. Junto a mis amigos Jeremias Lopez y Marlon Escoto formamos de inmediato un comite de resistencia que ha tenido mucho exito y mientras el ejercito invadia nuestra ciudad montamos una enorme protesta en la plaza central, actualmente nos hemos acantonado con mis amigos y una gran cantidad de personas que tambien han reacionado indignados por la traicion que hemos sido objeto por los golpistas el la entrada al departamento de Olancho justamente en Limones, hemos tenido que detener el trafico y hoy es el 4to. dia, mientras en las ciudades no se encuentra nada como leche, verduras, combustible e incluso los bancos ya no tienen recursos porque los transportes que movilizan el dinero no llegan. El caos es tal que la gente esta concentrada en sus casas y desde las ventanas asoma a veropicicopic
El lunes nos movilizabamos en 25 busus hacia la capital y el ejercito disparo contra 8 de los buses, perforandoles las llantas los cuales al momento que fuimos a comprarlas fueron decomisadas. Los medios de comunicacion en su mayoria son propiedad de los golpistas y nos dan informacion que conviene a ellos y si algun medio pretende dar la informacion como es, de inmediato lo cancelan.
Llevamos 4 dias luchando de manera pasifica y nos informan que los demas medios internacionales los han bloqueado de manera que no tenemos ninguna informacion pero el el gobierno de facto dice que todo en Honduras esta normal.
Los actos terroristas que estan practicado son inimaginables, nos tienen sin energia electrica y no podemos movilizarnos pues punchan las llantas de los vehiculos y han impuesto TOQUES DE QUEDA desde las 6PM a las 6Am.
Yo he recibido muchas llamadas telefonicas por altos comandantes entre ellos dos coroneles del ejercito que hacia tres dias compartia con ellos en mi casa y me habian demostrado su amistad, hoy me han librado una batalla pidiendo que renuncie a mi postura asegurandome que no me traicionaran y que en vez de estar segun ellos perdiendo mi tiempo deberia estar en el trabajo, pero no he aceptado pues mi postura es y sera siempre la misma que PREFIERO MORIR DE PIE EN LA LUCHA, ANTES QUE SERVIR A LOS GOLPISTAS.
De mi trabajo come mi familia pero he puesto mi renuncia porque no estoy dispuesto a traicionar a mi pueblo.
Actualmente nuestras garantias constitucionales estan suspendidas y mi familia esta oculta y mis hijos no pueden salir para ir a la escuela, me han intervenido mi telefono y hacen llegar a mis hermanos y mis padres mensajes feos.
Ellos estan haciendo cualquier accion que pueda reprimir al pueblo, los alcaldes estan huyendo, no se encuentra ningun funcionario en la ciudad. No me puedo movilizar a solas porque me persiguen pero tenemos la esperanza que con el respaldo de los organismos internacionales y la presion de todo un pueblo que se ha tirado a las calles esto va a tener un final resuelto de acuerdo con nuestra lucha, de no lograr este objetivo tendre que abandonar mi pais con mi familia por persecusion politica de la que estoy siendo objeto.

El objetivo de escribir todo esto es para que nos ayuden a divulgar este tipo de informacion en los medios de su pais ya que pretenden silenciar las violaciones que estan sucediendo. Ya el Hospital mas grande que tiene Honduras se ha declarado impotente para atender a los heridos por el ejercito y la policia. La sensura esta siendo su fuerte.

Espero poder tener otro contacto ya que este fue muy dificil, pronto le enviare algunas imagenes

Jorge A. Yanes
Catacamas, Olancho
Honduras, C.A.
Cel. 504-9980-0264

25/06/2009

Música pré-histórica


Segundo um estudo divulgado ontem na revista Nature, foi descoberta uma flauta de osso, com mais de 35 mil anos, numa gruta situada no sudoeste da Alemanha, constituindo o mais velho instrumento musical conhecido, atribuído ao Paleolítico Superior. Esta é, sem dúvida (se dúvidas ainda houvesse), mais uma evidência de que as primeiras populações humanas da Europa possuíam uma cultura desenvolvida, complexa e criativa.
A equipa liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen (Alemanha), montou a flauta a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels. Os fragmentos ósseos formaram um instrumento musical de 22 centímetros, com cinco furos e uma extremidade em forma de "V".
A arqueóloga especializada no período paleolítico April Nowell, da Universidade de Victoria (Canadá), referiu que a data da flauta é anterior à de outros instrumentos, "mas não tão mais antiga que chegue a ser surpreendente ou polémica". A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que os fragmentos de osso e marfim de sete outras flautas, também encontradas no sul da Alemanha, e documentadas por Conard e colegas nos últimos anos. Outra flauta, descoberta na Áustria, teria 19 mil anos, e um conjunto de 22 flautas encontradas nos Pirenéus franceses foram datadas de 30 mil anos atrás.
A equipa de Conard encontrou a flauta em Setembro de 2008, na mesma caverna e na mesma altura em que descobriu seis fragmentos de marfim que compõem uma estatueta feminina que, segundo pensam, será a mais antiga escultura de uma forma humana. Segundo o arqueólogo Wil Roebroeks, da Universidade de Leiden (Holanda), a flauta e a estatueta, descobertas na mesma camada de sedimento, sugerem que seres humanos anatomicamente modernos terão estabelecido uma cultura avançada na Europa há 35 mil anos. Roebroeks afirmou que é difícil saber qual o grau de inteligência ou de desenvolvimento social desse povo, mas os vestígios materiais que deixaram evidenciam um comportamento sofisticado semelhante ao dos seres humanos modernos.
Os neandertalenses também habitavam a Europa na época em que a flauta e a estatueta foram feitas, e também terão frequentado a caverna de Hohle Fels. Tanto Conard como Roebroeks acreditam, no entanto, que os depósitos de vestígios deixados por ambas as espécies, ao longo de milhares de anos, indiciam que os artefactos foram criados por humanos.
O arqueólogo Ivan Turk encontrou, em 1995, um osso de urso, numa caverna da Eslovénia, que ficou conhecido como a Flauta de Divje Babe. Turk datou o objecto de há 43 mil anos atrás e sugeriu que fosse uma flauta usada pelo Homem de Neandertal. Mas outros arqueólogos puseram essa hipótese em questão, sugerindo que os furos feitos no osso eram marcas dos dentes de um animal carnívoro. Não há dúvida de que a imagem errónea de um Homem pré-histórico profundamente primitivo, rude e bruto tem mudado paulatinamente ao longo dos anos. Um rumo que talvez abra caminho à descoberta incontestável de flautas neandertalenses!

[Fonte: Eco-Subterraneo]


16 de Julho de 2009: A BBC produziu um documentário sobre esta magnífica descoberta: o instrumento musical mais antigo conhecido até hoje.

23/06/2009

Merda para todos

"Merda para todos", nem mais! Esse é o título da última posta colocada no blogue do EC/DC. Não resistimos a transcrevê-la e aconselhamos veemente a leitura do documento anexo sobre a travessia Cueto-Coventosa.

En la lista del ESOCAN hoy me ha llegado un email con un enlace que os recomiendo especialmente. El título del mismo se podría resumir en "Mierda para todos". Y dice mucho, o tal vez poco, de lo que acontece en la práctica de este deporte. En concreto, se trata de "Reflexiones sobre el estado de conservación de la Travesía Cueto -Coventosa. Autor: Iván Expósito. 22 de junio del 2009"

É sempre motivador para nós sabermos que "não somos os únicos a olhar o céu" ou, neste caso em particular, os únicos a ver "merda" onde tantos outros, pelos vistos, nada vêem! Seja no tecto do mundo seja nas profundezas da Terra, seja no campo base e nos campos de altitude do Everest ou nas condutas subterrâneas de Cueto-Coventosa podemos dizê-lo com frontalidade: a merda é a mesma. Bien, estilos à parte,..

16/06/2009

Um mundo, por vezes, pequeno

Cueva-Sima La Serreta/Cañon de Almadenes © Pedro Cuiça (Junho 2009)

A relatividade é tão marcante e inquestionável quanto o pragmatismo da frase "a vida é dura". E é perante situações extremas que essas e outras verdades surgem, nuas e cruas, em toda a sua violência, fazendo-nos lembrar que por vezes o mundo nos parece tão grandioso e noutras bem pequeno!... Um exemplo disso é dado pelo ditado popular "as más notícias sabem-se depressa". Coincidências, sincronismos?...

Na tarde do passado sábado (13 de Junho), enquanto participava numa actividade em Cartagena (Múrcia), soube da morte de um canionista murciano que participava no encontro Gorgs-Mayencos 2009. No final da tarde soube que o corpo já teria sido resgatado do rio. As causas do acidente e a identidade do praticante ficaram por saber... No dia seguinte (14 de Junho) conheci em Cieza (Múrcia) dois canionistas amigos do infortunado acidentado. Tratava-se do companheiro Jesus que ainda há poucos dias tinha estado no II Encontro Nacional de Canyoning - Meeting de Canyoning Madeira 2009, juntamente com um grupo de amigos murcianos e a canionista Maria Amélia Moreira do EC/DC Portugal. Uma triste notícia contrastante com a beleza do Cañon de Almadenes, enquadrado pelas paredes da Cueva-Sima La Serreta...

Ontem (15 de Junho), enquanto caminhava da povoação de San Pedro del Pinatar até ao aeroporto de San Javier sob o intenso sol murciano, recebi um telefonema do companheiro Duarte Silva... Se já sabia a triste notícia? Infortunadamente, sim. Mais uma vez, o velho ditado popular esteve certo e o mundo tornou-se pequeno... Qual não foi a minha surpresa quando hoje, chegado a Portugal, ao ligar-me à net descubro que não ocorreu uma morte mas três! Três mortes em três rios diferentes: Llech, Sorrosal e Literola.

Só me resta transmitir os meus sentimentos de pesar às familias e amigos. E reflectir sobre o sucedido... O que aconteceu, análises ou estatísticas à parte, foram três tragédias que nos marcam a todos: familiares, amigos e praticantes. Tal como é salientado no blog do EC/DC, o pior de tudo será encarar estes tristes acontecimentos de forma leviana. O canionismo não é uma actividade extremamente perigosa mas um canyon não se trata de um escorrega de água. E mesmo que o fosse até aí ocorrem acidentes...
Cañon de Almadenes © Pedro Cuiça (Junho 2009)

09/06/2009

II Encontro Nacional de Canyoning


II Encontro Nacional de Canyoning (Madeira) © Rui Nelson

O II Encontro Nacional de Canyoning/Meeting de Canyoning Madeira começou no dia 5 e estende-se até dia 11 de Junho. Uma iniciativa a não perder...

José Rodcle na Ribeira do Vimioso (Madeira)/Pedro Cuiça (6/6/2009)

05/06/2009

Dia Mundial do Ambiente


"Para que o Homem possa sair da abjecção, pela força da alma, deve concluir uma aliança eterna com a antiga mãe, a Terra."

Viva o Planeta Azul

Viva Gaia

20/05/2009

Defesa de Sicó-Alvaiázere


Apesar de não ter publicado nenhuma "posta" nos últimos tempos, por diversas razões (nomeadamente ter mais que fazer do que andar todos os dias em torno deste mundo "virtual"), não tenho estado alheado do que se tem passado no que concerne ao "mundo subterrâneo" português. Para quem já tenha pensado que se acabaram os "textos do passado" desengane-se porque ainda não se esgotou a fonte :) No entanto, e a bem da verdade, não estando propriamente virado para quebrar este silêncio dos "últimos tempos", não posso deixar de fazer referência à petição, que se encontra on-line, em defesa do Sítio Sicó-Alvaiázere, contra o aumento da Pedreira dos Penedos Altos: www.peticao.com.pt/sitio-sico-alvaiazere.

23/04/2009

Ler e/ou oferecer um livro


Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. A iniciativa foi instituída, em 1996, pela UNESCO. A ideia de celebrar o Dia Mundial do Livro, surgiu na Catalunha, associada ao dia de S. Jorge (23 de Abril). Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros ofereciam às suas damas uma rosa vermelha (de São Jorge) e recebiam em troca um livro. Para além disso, é prestada homenagem a grandes escritores da literatura mundial que nasceram ou morreram nesta data: Shakespeare e Cervantes (falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril), Inca Garcilaso de la Veja ou Vladimir Nabokov. A celebração procura também encorajar as pessoas, especialmente os mais jovens, “a descobrir o prazer da leitura e a respeitar a obra insubstituível daqueles que contribuíram para o progresso social e cultural da Humanidade” (UNESCO).
O livro é comemorado um pouco por todo mundo e Portugal não constitui excepção, sendo muitas as instituições que assinalam este dia, através da realização de feiras do livro, exposições, espectáculos, palestras, declamações ou outras iniciativas. Por exemplo, o movimento de bookcrossing de Portugal vai distribuir gratuitamente livros de autores nacionais em locais públicos, tais como bancos de jardim e paragens de autocarros. No entanto, todas as iniciativas que hoje se realizam não serão demais tendo em conta a realidade nacional. Os portugueses são os europeus que menos lêem. No ano passado 43% dos portugueses não leram um único livro! E, em números redondos, só cerca de um em cada cinco portugueses é que estão agora a ler um livro!! Esta é a pura e dura realidade cultural deste país onde ainda pululam ideias (mal)feitas sobre os livros e a leitura. Ao género de “um doutor é um burro carregado de livros” ou boçalidades do género! Não será, pois, de espantar os preconceitos que ainda abundam em certas cabecinhas pátrias sobre livros e intelectuais, em que se confunde leitura com bibliofagia!!! Não passam de gritantes manifestos de ignorância (ou mais esconsas motivações) em que certos coca-bichinhos tentam demarcar-se, pelos vistos, de supostos bichos (geralmente ratos) de biblioteca. Mas, corações ao alto! No meio destas pretensas confusões há que destacar e saudar este dia dedicado aos livros e à leitura. Ainda para mais quando o panorama internacional no que concerne a livros sobre espeleologia não será o mais auspicioso (e a nível nacional se poderá considerar praticamente inexistente)…
Partilhar livros e flores, nesta primavera, é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, de saber e paixão, é manter viva a chama que nos alenta o coração e nos aquece a alma, é dar continuidade à demanda de emoções que o livro transmite e o Homem sente.
Esta data é simbólica, sem dúvida, pois os livros, tal como as emoções, devem fazer parte da vida de qualquer humano todos os dias, em qualquer momento. As palavras, as páginas, os livros, são termos secos mas contêm em si, cada um, mensagens e sentimentos tão fortes e vivos como a mais pura das crianças.
Hoje é um excelente dia para ler um livro. Ou, melhor, ler e oferecer um livro. Ou, melhor ainda, ler um livro e oferecer um livro e uma rosa... Que tal?

22/04/2009

Viva a Terra


Simplesmente eco-lógico

Hoje comemora-se o Dia da Terra e, por isso, desenvolvem-se inúmeras iniciativas para celebrar esta data. As edições especiais ou suplementos nos media são regra, tais como as inevitáveis palavras ou conceitos-chave: efeito estufa, alterações climáticas, subida do nível médio das águas do mar, energias alternativas, sustentabilidade, pegada ecológica, reciclar, reutilizar, reduzir, etc.. O jornal Público editou um “Suplemento Dia da Terra”, o jornal Metro apresentou uma “edição verde”, inteiramente dedicada a questões ambientais e (pasme-se) em papel verde, onde lançou o projecto Go Green, etc., etc., etc..
Para comemorar este 22 de Abril, o National Geographic Channel apresenta uma maratona de 24 horas de programas sobre o planeta Terra e formas alternativas de promover a sua conservação. No site do National Geographic Channel tem-se acesso ao microsite Dia da Terra 2009, com conteúdos sobre ambiente e vídeos com testemunhos de cidadãos portugueses relatando pequenos gestos que põem em prática por uma cultura ambiental responsável. O Nat Geo Music organiza um concerto a partir da Piazza Del Popolo, em Roma (Itália), com atracções musicais entre as quais se destaca Ben Harper. Enfim, não faltam iniciativas...
Afinal parece que ainda podemos ter alguma esperança face à cegueira ou ao autismo perante a destruição dos recursos naturais. A sensibilização ambiental é crescente e, sobretudo, apesar de muitas vezes as eco-campanhas não passarem disso mesmo (a venda de produtos com base no rótulo “verde”) e as propostas de preservação/conservação da natureza não passarem de tiros ao lado ou mesmo tiros no pé, por vezes constata-se a ocorrência de disparos mais certeiros! Regressar aos estilos de vida dos anos 70, segundo um estudo publicado no International Journal of Epidemiology, para reduzir o consumo, o número de obesos e, inclusive, as emissões de dióxido de carbono?! E se regressássemos a tempos ainda mais recuados? Começamos a “colocar o dedo na ferida”? A necessidade de mudar hábitos de vida para soluções sustentáveis, duráveis, “ecológicas”? Pois, dito assim, nem parece difícil. No entanto, isso implica mudanças reais, concretas, diremos mesmo radicais.
(…) Tempos de crise como os que hoje atravessamos devem-nos levar a repensar muitos do hábitos fáceis que adquirimos. Não basta, por exemplo, trocar as lâmpadas normais por lâmpadas de baixo consumo: é necessário fazer como os nossos avós, que apagavam a luz quando saíam da sala. Não chega escolher um frigorífico mais eficaz ou uma televisão mais económica, é necessário aprender a utilizá-los de forma racional. E não se pode continuar a escolher um automóvel sem olhar para os níveis de emissão de CO2.
Tudo isto e muito mais tem de ser feito porque nem que colocássemos torres eólicas em todas as cristas das nossas serras e forrássemos o Alentejo de painéis solares produziríamos a energia suficiente para as nossas necessidades. As renováveis são boas, mas não resolvem todos os problemas se mantivermos os nossos actuais hábitos de consumo. É bom não ter ilusões.
” [José Manuel Fernandes ● Editorial in jornal Público (Ano XX, nº 6959, 22/Abr. 09)]
Não temos alternativa, temos de ser simplesmente eco-lógicos sempre, porque todos os dias são Dia da Terra. E este Planeta Azul, Terra Mãe ou Gaia, como se lhe queira chamar, é o nosso lar...
Mas hoje o que não falta são as iniciativas, até a Google adornou-se para a ocasião. Aproveite e faça uma busca acerca deste dia e do estado do ambiente planetário.

Salvar a Terra

(…) Oscar Wilde, com o seu humor único, dizia que não valia a pena fazermos nada pelas gerações vindouras, porque, afinal, elas também não fizeram nada por nós. Mas este discurso cínico tem graça, sobretudo quando nos impede de vivermos apenas para os nossos filhos, o certo é que os efeitos dos crimes que cometemos contra a Terra vão cobrar a factura muito mais cedo do que prevíamos. A OMS alerta, por exemplo, para os riscos para a saúde, nomeadamente de mais malária, cólera, asmas, fome e guerra. E menos saúde mental. Ou seja, mesmo por razões egoístas, convém-nos salvar o planeta. (…)

[Isabel Stilwell ● Editorial do jornal Destak (Ano 8, nº 1131, 22/Abr. 09)]

Aprender a respirar

“He drew me up from the desolate pit, out of the miry bog,
And set my feet upon the rock.”
Psalm 40


Não, por muito que possa parecer, não estamos numa de divulgar pessoal com o nome “Cave” (Gruta), apesar deste se tratar de um blogue sobre espeleologia! Ontem foi um Nick, desta feita trata-se de um Andy (também chamado “Cave”) mas o que o traz à colação é, na verdade, a sua obra Learning to breathe: From the depths of the pit to the roof of the world - an extraordinary odyssey.
Aprender a respirar” não só mas também porque hoje se comemora o dia da Terra e esta obra desenvolve-se das escuras profundezas do universo mineiro de Yorkshire aos brilhantes ambientes das mais altas montanhas do planeta. Andy Cave pertence a uma família de várias gerações de mineiros e, tal como os seus parentes, abandonou a escola para trabalhar numa mina. Essa dura e marcante experiência subterrânea fez com que conhecesse intimamente esse mundo de poeira e escuridão. “It is a world full of superstition and ghost stories; a hidden landscape with its own peculiar unchanging lexicon; a world where black humour combats adversity; a world of tall tales.” Depois deu-se a metamorfose que o levaria às mais altas altitudes, a continuidade nos estudos que o conduziria a um doutoramente, a paixão e a desilusão…
This passion of mine had started long ago when, as an inquisitive child, I scrambled up the local pit muckstack. Later, as a teenage coal miner disillusioned with the world of dirt and darkness, I had fallen in love with real mountain climbing. That night, approaching the tent on the knife-edge ridge of a Himalayan peak, little did I know that this love affair was about to end. The following four days would be the most harrowing of my life.
Aprender a respirar: Das profundezas do poço ao tecto do mundo - Uma extraordinária odisseia” abarca ambientes marcadamente distintos e, contudo, com inegáveis similitudes. Mas esta é sobretudo uma história humana, uma viagem interior, uma biografia de Andy Cave, na primeira pessoa.

21/04/2009

Resgates e Habilidades (II)

Por vezes será recomendável adoptar novas posturas, diferentes pontos de vista. Não ficar refém de ideias e preceitos repetitivos, preconcebidos… Por isso hoje apresentamos algo completamente diferente ou, pelo menos, inesperado num blogue sobre espeleo. É certo que o Nick se chama “Cave” (Gruta) mas isso trata-se apenas de uma coincidência. Hoje queremos mesmo é dar(-vos) música…
Leis de Murphy e outros considerandos à parte, não será sensato ignorar os perigos (sejam objectivos ou subjectivos) inerentes à prática de actividades de ar livre, entre as quais se inclui a espeleologia. E se a melhor forma de encarar os incidentes e os acidentes será baseada na prevenção, também é certo que a aposta no adequado resgate/salvamento é fundamental. E isto porque: os acidentes irão acontecer (accidents will happen)…

20/04/2009

Resgates e Habilidades

A propósito de incidentes e acidentes e respectivos resgates e/ou salvamentos, sejam num contexto de montanhismo ou de espeleologia, será de reiterar a questão das habilitações ou habilidades - como se queira - das equipas envolvidas. Há que dominar as técnicas de resgate/salvamento e pertencer a uma equipa com protocolos de actuação bem "oleados". Tudo o resto não passará de "boas" ou delirantes intenções. No entanto, nem sempre isso bastará...

Granada Subterrânea


Amanhã, dia 21 de Abril, realiza-se a apresentação do 4º livro da série Granada Subterrânea, sob o título “Exploraciones bajo el desierto de piedra”, que aborda as cavidades naturais dos municípios granadinos de Alhama de Granada e Arenas del Rey (Andaluzia).

[Fonte: EC/DC]

17/04/2009

Túneis

A foto do dia do jornal Global de hoje (Ano 2, nº 373, 17/Abr. 09) não sendo sobre espeleologia trata de subterrâneos... Neste caso, artificiais. Aqui fica a digitalização da imagem e o texto que a acompanha.

Foto do dia

PALESTINA Um palestiniano desce para um túnel que, partindo da Faixa de Gaza, o levará até ao Egipto. Estes túneis na fronteira - que nem Israel nem o Egipto conseguem eliminar - são usados para contrabandear alimentos, medicamentos, combustíveis… mas também armas e munições.


Palestina © Ali Ali – EPA/LUSA

16/04/2009

Iniciação à espeleologia

A Escola Portuguesa de Espeleologia, o Departamento de Ensino da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE), vai realizar, de 6 a 24 de Maio, um Curso de Iniciação à Espeleologia. O curso tem como “objectivo dar aos participantes a capacidade de visitar uma gruta de dificuldade média, quando enquadrados por chefes de equipa habilitados, e descobrir globalmente os diferentes aspectos culturais, científicos e ambientais relacionados com as grutas e regiões calcárias”.
Para mais informações consulte o site da SPE.

Jornalistas

Bien, mais uma definição-zinha da Uncyclopedia. Desta feita, trata-se de saber o que é um "jornalista"...

"A journalist is a professional truth-teller, most often employed by the government of the country that she lives in. Journalists provide very important, useful, and timely information to keep the public safe. For example, viewers and readers can rest assured that they'll always be up-to-date on the sexual partners of Angelina Jolie, Brad Pitt, and Lindsay Lohan. Some have argued that this only really matters to the future sexual partners of Angelina, Brad, and Lyndsey (e.g. - not you). Unfortunately for these critics, they don't work for a major advertising agency.
By the way, there might be a killer at your window, and he may be about to rape your children. We'll tell you how you can protect them tonight at 10.
"

Blogosfera e Imprensa

[José Pacheco Pereira ● “A lagartixa e o jacaré” in revista Sábado, nº 259, 16 a 22 de Abril de 2009, p. 11]

“(…)
Ter “boa blogosfera” é hoje o mesmo que ter “boa imprensa”

Hoje o jornalismo dos principais órgãos de comunicação não tem independência face à blogosfera dos jornalistas. Participam nela, fazem parte dela, tribalizam-se nela. Transportam para a blogosfera o mundo das “bocas” de redacção. Depois regressam à redacção com as mesmas “bocas” centuplicadas por um exercício de massagem colectiva do ego via posts, comentários e mensagens no Twitter. No pack journalism dos dias de hoje, o rebanho forma-se nos blogues. Criam-se laços que envolvem um número muito escasso de pessoas, 100 no máximo dos máximos, que passam o dia numa logomaquia opinativa feita de amores e ódios e depois transportam para o que escrevem o mesmo caldo de cultura claustrofóbico que é hoje a blogosfera portuguesa, salvo raras excepções. Por isso, hoje, ter “boa imprensa” significa ter “boa blogosfera”, e o mundo do debate público empobrece-se cada vez mais.
(…)”

Campamento Galego


15/04/2009

Geólogos

Um amigo enviou-me um e-mail com uma ligação à Uncyclopedia acerca da definição de geólogo... Não resisto a publicar a "coisa" :)

"Geologists are 'scientists' with an unnatural obsession with geology (rocks and alcohol). Often too intelligent to do monotonous sciences like biology, chemistry, or physics, geologists devote their time to mud-worrying, volcano poking, fault finding, bouldering, dust-collecting, and high-risk colouring. One of the main difficulties in communicating with geologists is their belief that a million years is a short amount of time and their heads are harder than rocks. Consequently, such abstract concepts as "Tuesday Morning" and Lunchtime are completely beyond their comprehension. (This difficulty generates problems particularly when dealing with the girlfriend/boyfriend/spouse and attempting to explain why you were "gone for so long" or why something is taking "so long to occur.")"

DVD sobre Cabo Espichel

O Centro de Estudos e Actividades Especiais da Liga para a Protecção da Natureza (CEAE-LPN) acaba de lançar um DVD que resume um ano de explorações: Cabo Espichel - Retrospectiva de Exploração. O DVD pode ser descarregado a partir do site do CEAE-LPN.
Para mais informações consulte o site do CEAE-LPN ou o blogue Fabuloso Mundo Subterrâneo.

No Umbigo do Mundo

A Expedição Rapa Nui 2009 foi um êxito. A equipa explorou mais de seis quilómetros de galerias (no 11º maior sistema lávico do mundo).


Campamento Andaluz


13/04/2009

Sem palavras

Como se costuma dizer que “uma imagem vale mais do que mil palavras” escusamo-nos de proferir uma que seja. Com ou sem palavras, o significado das coisas não se esgota nessa forma de comunicação. Outras há tão ou mais eficazes... Se nos lembrarmos dos mediáticos cartoons de Maomé facilmente constatamos o poder da ausência de palavras! Essa ausência (qual sedução) permite o preenchimento desse suposto vazio por tudo aquilo que as nossas mentes tenham capacidade de discorrer...

Acidentes vão longos

Esta notícia que saiu hoje no jornal Global, e foi publicada no Diário de Notícias, transmite-nos a crescente preocupação face ao aumento do número de resgates que se tem verificado na Serra de Santa Justa (Valongo). De resto, não se compreende muito bem se se pretende um regresso a um pretenso passado pintado a cores edílicas ou se se deseja partir para a solução, corriqueira nos dias de hoje, de proibir e “resolver o mal pela raiz”. Às tantas seria recomendável colocar sinalética de alerta e, eventualmente, avançar com algumas obras de protecção. De resto, a situação até poderá ser encarada com algum positivismo: ao ritmo a que os bombeiros estão a intervir pode ser que ganhem rodagem e passem a constituir equipas de resgate de qualidade: rapidas, eficazes e seguras.
Serra de Santa Justa (Valongo) © Luis Costa Carvalho (in jornal Global)

"Aumentam os acidentes na serra de Valongo

[jornal Global, Ano 2, nº 369, 13/Abr. 09]

Fojos das antigas minas com 50 a 70 metros de profundidade constituem autênticos perigos.

São 80 hectares de serra, o principal pulmão verde da Área Metropolitana do Porto, e que todos os fins-de-semana recebe em média cerca de 200 pessoas que ali praticam desportos radicais ou fazem piqueniques. O problema é que na Serra de Valongo existem autênticas ratoeiras, fojos a céu aberto, pertencentes às antigas minas romanas de extracção de ouro, cobertos pela vegetação e com uma profundidade de 50 a 70 metros. Nos últimos meses os bombeiros tiveram um aumento de 70 por cento de solicitações, devido às pessoas que ali caem e sofrem fracturas múltiplas.
Durante décadas a Serra de Santa Justa, em Valongo, era procurada por quem a conhecia bem, nomeadamente pelos moradores das redondezas. Os acidentes nas galerias eram raros mas a verdade é que, desde que o parque municipal foi criado, fazendo ligação directa com a serra, o cenário inverteu-se. Os frequentadores do parque ao entrar na serra não têm qualquer sinalética de alerta para os perigos e os acidentes acontecem. “Há cerca de uma semana duas crianças que jogavam à bola no parque entraram na zona da vegetação e perderam-se. Quando recebemos o alerta dos pais a nossa preocupação foi a de procurar junto às aberturas dos fojos das minas mas, até para nós, esse é um trabalho difícil devido ao facto da serra não estar cartografada”, afirmou ao DN Gilberto Gonçalves, comandante-adjunto dos Bombeiros de Valongo. Felizmente os dois irmãos, de seis e nove anos, foram encontrados e livres de perigo.
“Temos retirado pessoas do fundo dos poços, muitas são encontradas imobilizadas com fracturas múltiplas sofridas devido à queda. Outras não sofrem danos mas depois percorrem as galerias subterrâneas e desaparecem”, acrecenta o bombeiro. Uma operação de resgate pode demorar cinco a seis horas. Desportos radicais, espeleologia, parapente e local para merendas são os argumentos que levam a que actualmente a serra tenha uma procura fora do normal. Enquanto há dez anos os bombeiros eram chamados à serra em emergência uma vez por ano, agora são duas a três vezes por mês."