15/07/2009

Foi de slide (II)

Na sequência da posta anterior, fomos informados de mais algumas tristes “novidades” no que concerne a acidentes na prática de actividades com cordas em Portugal. Destacamos mais um acidente ocorrido durante a descida de um slide. Apesar de conhecermos os dados referentes aos intervenientes, local e circunstâncias dos acontecimentos optamos por não os divulgar, nomeadamente para proteger a identidade dos acidentados e das entidades envolvidas.

Há duas semanas, num evento sobre “actividades radicais” enquadrado por militares, uma criança caiu de nove metros de altura, porque em vez de a prenderem com o mosquetão no local próprio do arnês colocaram-no no porta-material! A queda deu-se pouco depois do início do slide, perante a estupefacção de toda a assistência (incluindo os pais)! A criança sofreu diversos traumatismos internos e encontra-se ainda em recuperação, esperando-se que sobreviva com o mínimo de sequelas.

Se o número de acidentes ocorridos em actividades com cordas (entre as quais se inclui a espeleologia) é indubitavelmente superior aos parcos casos que chegam ao conhecimento público, mais significativo se torna esse desfasamento no que concerne a incidentes ou simples erros técnicos que, apesar de graves, não se traduzem em ocorrências digamos nefastas. Nessa matéria, e a título de exemplo, lembramos que é frequente assistir-se a descidas de slide com os praticantes suspensos apenas pelos braços e sem qualquer tipo de auto-segurança! Para não falar nos sistemas bárbaros de tencionar cordas, nas amarrações e ancoragens deficientes ou na simples ausência de corda de segurança!!! Depois ainda se admiram…

4 comentários:

nalga disse...

Olá Pedro
Muito recentemente e numa obra publica assisti a quase um desastre. Quando um trabalhador que apesar de equipado com arnês e o restante equipamento EPI, a 10m de altura, ajudava a manusear uma viga metálica suspensa por uma grua, até aqui tudo bem, mas quando reparei que aquele trabalhador não estava seguro a nada, nem sequer uma linha de vida, pensei que poderia acontecer uma tragédia...e aconteceu, a viga balançou e desequilibrou o trabalhador para o vazio, felizmente e com muita sorte, este agarrou-se à vida com unhas e dentes, e conseguiu segurar-se as correntes que suspendiam a viga...não ganhou para o susto. Isto tudo na frente do responsável da segurança, que já o tinha advertido para a situação mas que também não tinha dado solução ao problema (muito provavelmente por falta de formação especifica naquela área de trabalhos em altura).
Um grande abraço

Pedro Cuiça disse...

Olá Pedro :)
Por essas e por outras é que os acidentes de trabalho na área da construção civil (e não só) continuam a apresentar estatísticas pouco abonatórias... Concordo contigo: é prioritário investir na prevenção e isso passa indubitavelmente pela sensibilização e formação dos intervenientes.

Jorge Nogueira disse...

Este acidente é por falta de formação. Por vezes são nomeados militares para desempenhar determinadas funções sem que para isso estejam preparados.
Já vi, praticantes de canyoning com as longes presas ao porta-material, e assim faziam a sua auto-segurança, quando os alertei para esse facto, deitavam as mãos à cabeça e diziam que estavam distraídos.
Também vejo fotos de empresas em que as longe, são umas cordeletas de 8mm, com uns mosquetões, sem respeitar medidas e com os nós menos adequados.
Ainda vai havendo muita sorte neste nosso país.
Abraço

Pedro Cuiça disse...

Pois é... E eu já vi praticantes enquadrados por uma empresa de canyoning que nem longes usavam!!! Concordo plenamente contigo no tocante à falta ou desadequada formação. O primeiro pilar da segurança começa por uma formação adequada.
Grande Abraço