30/04/2013

O CASO


Há alguns dias fui confrontado com a questão: qual a diferença entre espeleólogos e exploradores de cavernas? Em língua inglesa essa dissemelhança expressa-se sob diferentes designações, "speleologists" e "spelunkers", mas em português tal não acontece... Seria útil avançar com uma diferenciação do género "espeleólogos" e "buraqueiros"? Óbvio é  que o assunto  não se presta a consensos fáceis e, nesse pressuposto, fácil será tal matéria gerar polémica(s) q.b. ou resultar num "caso bicudo"!…
Foi precisamente ao deambular na Internet em torno dessa temática, numa semana marcada pela corrida ao "O Buraco", que dei de caras com "O Caso dos Exploradores de Cavernas"! Trata-se de uma história fictícia que, não resolvendo o “caso” que originou a aludida busca, resultou numa interessante leitura que recomendo vivamente. De resto, deixo a pretensa polémica para quem pretenda teorizar sobre tão interessante e promissor assunto ;-)



P.S. (2/05/2013): Tendo em conta que a versão em "português" anteriormente disponibilizada não será a melhor, fica aqui um link de acesso à versão inglesa: The case of the speluncean explorers (1949). E, já agora, mais alguns "considerandos" acerca do assunto trazido à colação: The Case of the Speluncean Explorers: Twentieth-Century Statutory Interpretation in a Nutshell (1993) e The Speluncean Explorers: Further Proceedings (2010).

JCKS April 2013


22/04/2013

DIA DA TERRA

Hoje comemora-se o Dia da Terra...


18/04/2013

PATRIMÓNIO IDENTITÁRIO



Hoje comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. O Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios elegeu como tema de celebração, para 2013, o Património da Educação, tendo em atenção o vastíssimo legado, relacionado com a aprendizagem e o conhecimento, que encontra a sua materialização em inúmeros elementos e conjuntos patrimoniais de diferentes tipologias e valor, espalhados um pouco por todo o país.
A Direcção-Geral do Património, à semelhança das edições anteriores, apresenta uma programação que inclui um conjunto de actividades subordinadas ao tema PATRIMÓNIO + EDUCAÇÃO = IDENTIDADE, dentro do espírito de que o futuro depende muito do reforço das identidades e de que a educação, e os seus diferentes patrimónios que plasmam o conhecimento, são contributos insubstituíveis para esse fim.
Num dia como o de hoje gostaria de salientar as ameaças à geodiversidade no que concerne às cavidades subterrâneas do concelho de Lisboa, dando uma particular ênfase aos aspectos socio-históricos, mormente no tocante ao trogloditismo e ao culto das grutas. O esquecimento e o ostracismo a que o património é frequentemente votado, como é o caso das cavidades do concelho de Lisboa, resulta muitas vezes da ausência de iniciativas educativas adequadas. Nesse âmbito, a sensibilização ambiental, a interpretação ambiental, a educação ambiental e a educação para a sustentabilidade adquirem uma especial relevância, nomeadamente no que respeita ao património geológico em geral e ao geo-espeleólógico em particular.
Este será também um dia para apelar à implementação de medidas efectivas de geoconservação, sobretudo num contexto educativo que pretenda preservar a história e as tradições locais. A criação de um centro de interpretação no Geomonumento do Rio Seco e/ou de um percurso pedestre temático que ligasse este geossítio, às Furnas de Monsanto e/ou ao Complexo Subterrâneo da Furna do Rasto serão apenas dois exemplos entre outras possíveis iniciativas.
Este será certamente um dia adequado para revelar mais uma faceta histórica de Lisboa, que envolve as “famosas” Furnas de Monsanto, recordando o trabalho do jornalista Mário Domingues que, sob o pseudónimo de Joaquim Vadio, escreveu, em 1930, acerca da pobreza que se vivia na capital. Para tal recorremos ao texto da autoria de Gonçalo Pereira publicado, no passado dia 7 de Abril no blogue Ecosfera.

Notícias Ilustrado, 23 de Março de 1930 (reproduzido a partir do arquivo da Hemeroteca Digital)

15/04/2013

Muito obrigado, "O BURACO"...

A corrida continua e tem sido alvo dos media e de ampla cobertura através de fotografias, filmes e outras formas de documentar o grande acontecimento da Espeleo-Primavera de 2013, i.e. a primeira descida ao "O BURACO"!... Um desafio, diria mesmo um certo frenesim, propiciado certamente pelas características da época, dada a rituais de fertilidade, e que denotará alguma fixação em torno do mito, curiosamente bem enraizado, do "desvirginjar" de cavidades, montanhas ou tudo aquilo em que se possa dizer e/ou pensar: eu fui o primeiro!! Ao estilo conquistador, explorador ou outros epitetos igualmente trágico-cómicos!!!
Para além do interesse científico (reconhecido sob o "chapéu de chuva" de alguma Universidade), que é invariavelmente avançado como justificativo de explorações, por esse motivo tão imperiosas quanto urgentes, ainda para mais em cavidades acabadinhas de surgir/descobrir, subjaz invariavelmente a componente desportiva tantas vezes menorizada e que agora volta a adquirir um papel principal...
A nós, comuns mortais que simplesmente assistimos ao desenrolar de (parte dos) acontecimentos, resta-nos tão somente agradecer ao "O BURACO" pelo entusiasmo primaveril que atingiu o cerne da espeleologia portuguesa e, à falta de resultados científicos, admirar-nos com os desempenhos técnicos com que somos brindados... Portanto, haja buracos! Muitos, muitos buracos mesmo!





P.S. (16/04/2013): Depois das primeiras descidas ao "O BURACO" já existem mais algumas (poucas) novidades acerca do mesmo. As expectativas estão de certo modo a ser goradas, tendo em conta que a profundidade do dito "encolheu" para mais de metade, foi detectada água corrente com mais de dois metros de profundidade, mas até agora nada de ouro ou sequer um bicharoco cavernícola para amostra! Lá está, "tudo normal em Queluz ocidental": rocha, água e escuridão! De resto, "ainda a procissão vai no adro": quando o nível freático descer, em pleno Estio, logo saberemos o desenvolvimento subterrâneo da cavidade (tal como outros preciosos indicadores); se esta comunica com a Cova da Moura, se se estende até à Arrábida ou se estabelece ligação directa à Nova Zelândia. Por agora, pelas reacções do pessoal, deve haver algum receio (aliás, fundado) de que "O BURACO" ainda estará algo instável e, por isso, sujeito a eventuais abatimentos; ou, quem sabe, algum "meduço", ao estilo de The Thing ou de The Descent, face ao que a escuridão poderá esconder!

12/04/2013

Oi!...


A corrida ao "O BURACO"



Nunca se sabe, assim como apareceu de um dia para o outro, poderá desaparecer repentinamente?! Aliás, tendo em conta que a profundidade do buraco, no espaço de dois ou três dias, passou de uma centena para menos de 50 metros, numa prova clara de que está a encolher, essa possibilidade não será de descartar. Após diversas especulações acerca da sua génese, agora a curiosidade centra-se no que estará lá dentro: certamente rocha, água e escuridão, provavelmente novas espécies de fauna cavernícola ansiosas por serem identificadas, há quem dita que poderá haver ouro e porque não "guingos" esses míticos duendes hipógeos que abrilhantam os espaços subterrâneos com os seus alegres  cantares (neste caso concreto alentejanos). O buraco mais badalado nos últimos dias em Portugal está a atrair as atenções da população em geral e dos espeleólogos em particular. A "corrida ao buraco" já começou e a SPE vai na linha da frente...

11/04/2013

O BURACO - Última hora!


Afinal confirma-se que o buraco surgido  inopinadamente, na semana passada, no concelho de Marvão não tem, de facto, origem extra-terrestre. As notícias de última hora "dão fé" de que, na verdade, este foi aberto não por marcianos mas, sim, escavado por portugueses! A razão de tão estranho acontecimento explica-se facilmente: após o chumbo do Tribunal Constitucional um grupo de empreendedores Lusitanos resolveu escapar deste torrão à beira-mar plantado e a fuga que levaram a cabo consistiu no escavar de um túnel rumo aos antípodas... Crê-se que, neste momento, já se encontrem na Nova Zelândia e todos já tenham arranjado emprego, mas tal ainda carece de confirmação.

A génese deste misterioso buraco poder-se-ia explicar com base na acção directa das águas subterrâneas, resultantes da intensa pluviosidade que se tem feito sentir nos últimos tempos, sobre as rochas carbonatadas da formação de Escusa. A importância dada aos característicos fenómenos de dissolução associados a essas litologias não se coaduna, contudo, com a realidade dos factos melhor explicados à luz de um modelo que dê relevância à acção mecânica e hidráulica das águas de escorrência subterrâneas, cujos caudais e turbulência aumentaram significativamente, dando origem a um algar de abatimento.

As informações de última hora a que tivemos acesso confirmam, no entanto, que a "coisa" derivou não da acção directa da água sobre os vazios da rocha mas sim da actuação indirecta do designado "solvente universal" através dos vazios da (des)governação. O Governo meteu água ao elaborar o orçamento para o presente ano, o Tribunal Constitucional abriu a torneira e um grupo de portugueses "deu de fuga" antes que se molhasse. Este trata-se, portanto, de um típico derivado de buraco orçamental. 

Esta cacha jornalística não só veio repor a verdade dos factos, ao explicar este evento de forma cabal, como desmitificar a estranheza de tal fenómeno cuja explicação não necessita do recurso a intervenções extraterrestres ou a rebuscadas narrativas científicas. Não há nada como avançar com explicações a "talhe de foice" ou escalpelizar o real com base na navalha de Ockham: "se em tudo o mais forem as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor" (William Ockham).



10/04/2013

O BURACO!...


Já sabíamos que alguns geólogos se dedicavam ao estudo da geologia planetária ou da planetologia mas reconhecemos que ignorávamos o seu interesse pelo fenómeno OVNI (Objecto Voador Não Identificado)!... De qualquer modo ficámos muito mais descansados ao saber que, segundo um geólogo português, o aparecimento de um grande buraco com mais de 100 metros de profundidade na freguesia de Porto de Espada (Marvão) “não foi o resultado de uma actividade extraterrestre”. A douta opinião de um académico, mesmo que não se trate de um regente de cátedra, deixa-nos a nós (o vulgo) ancorados numa posição mais tranquila face a possíveis catástrofes de causa desconhecida, mormente quando tal pode ser inclusivamente de origem extraterrena. Sim, poder-se-ia tratar de um meteorito ou quiçá até de habitantes de outro planeta que não a Terra mas existem explicações mais plausíveis para tão supostamente estranho acontecimento. “Será meteorito? Será gente? Gente alienígena não é certamente e um meteorito não bate assim.”
Sendo certo que o Alentejo é uma área propícia à queda de meteoritos – de que se destaca o do Alandroal – e até, diz quem sabe, de fenómenos OVNI, este grande buraco agora descoberto será resultante da intensa pluviosidade que se tem feito sentir… Será chuva, quase certamente. Segundo o referido geólogo, esse estranho buraco de Marvão deveu-se a um “excesso de água no solo”. Nada que suscite surpresa num país em que meter água é causa corrente de mais ou menos gigantescos buracos, financeiros ou de outra índole, tão ou mais estranhos do que o de Marvão e, por isso, considerados, por vezes, como fenómenos do Entroncamento ou até inexplicáveis casos que exigem o recurso a argumetários extra(terrestres), sobre(naturais) ou super(-heróicos). De resto, no tocante à dimensão e, quem sabe, à morfologia do buraco, de que já foram feitas comparações com a Cova da Moura (muita cova da moura há por essas terras!), os números e primeiras impressões variam segundo as fontes e, tendo em conta que ainda ninguém penetrou no dito, estamos no mero domínio especulativo.
Vamos ter de aguardar pela primeira descida às profundezas desse buraco para termos acesso a dados mais fidedignos, diria mesmo mais terra-a-terra. Caso contrário, abrir-se-á terreno, sob os nossos pés, para especulações que poderão conduzir a conclusões ao estilo “grande ângulo”: vai na volta este buraco de Marvão tem ligação à famosa gruta do Abade (Arrábida), que aloja uma cidade subterrânea e que se situa “paredes-meias” com uma base submarina de aterragem de OVNIS! É caso para dizer “UFA” (entenda-se, o feminino de UFO – Unidentified Flying Object – ou Abject?)!


O BURACO - Amilcar Silva, ESPELEÓLOGO :)