08/06/2012
Faleceu Phillip Tobias
26/05/2012
DARK PLACES
"So much of the history of rock art studies emanates from the study of Paleolithic rock art in Europe. As noted (...), the abbé Breuil was convinced that making art was a religious activity, so rock art had to have been done by priests and shamans, who would have been male only, because in his experience, only men were priests. Leroi-Gourhan, Guthrie, Onians, and others thought art was made by unters, and in their understanding of world ethnography, only men were unters. Many believe that caves were too deep, dark, and difficult to get into, and so would have been too frightening for women (Russell 1991). As feminist anthropologists have pointed out for decades, the Western scholarly tradition assumes that women remain bound to home, hearth, food preparation, and child rearing for their entire lives. Feminist critics of archaeology have documented the projection into the past of present-day stereotypes of women as passive, uncreative, and subordinate to active, creative men (Watson and Kennedy 1991; Hays-Gilpin 2000d). In fact, women take part in many kinds of ritual activities in many parts of the world, especially after their child-bearing years. Women, especially young women, often hunt small game. In a few hunter-gatherer cultures, such as the Agta of the Philippines, women hunt as often as men do (Estioko-Griffin 1981). Fear of deep, dark places, is likely to be learned and unlearnable, and therefore unlike to be sex-linked (note that today many cavers are women and a woman was first through the discovery hole at Chauvet)."
Kelley A. Hays-Gilpin - Ambiguous Images - Gender and Rock Art (2004, p. 87-88)
25/05/2012
Flautas pré-históricas
Segundo a revista Journal of Human Evolution, uma equipa de arqueólogos fez recentemente uma descoberta notável na gruta de Geissenkloesterle, no sul da Alemanha. Liderados por Tholas Higham, da Universidade de Oxford, os investigadores recuperaram da escavação arqueológica aqueles que são os mais antigos instrumentos musicais conhecidos: duas flautas de ossos de ave e marfim de mamute com 42 a 43 mil anos.
A notícia foi hoje publicada na Naturlink - a ligação à natureza.
ART PURPOSES
"What these early paintings reveal is a very close stylistic continuity with the last phases of rock art in this region. This connection is highlighted by the 'X-ray' infill of the bark painting figures - the characteristic motifs used to represent internal organs within the body cavities of animals - which are also common in the rock art. The outline shape of the species represented, and the devisions indicated between certain limb parts, are also features shared between the two media.The early collections point to the contiguity of painting on the walls of caves used as wet-season shelters.
Kunwinjku today, who have sheltered regularly in both bark houses and rock country caves during their youth, and occasionally still do in the present, describe these two contexts of painting as being equivalent.
(...) Karrnaradj, a senior Kunwinjku man at Oenpelli in 1982, described it this way:
My father painted two red kangaroos in a cave in my country. Before men painted in bark houses and in caves, for children to look and see. To make them happy. When we tell the story they can look.
Kunwinjku indicate that paintings on bark shelters, and on the walls of caves were people lived, were produced in a relatively informal context as opposed to ceremonial art production.They point to the half-complete and inexpert paintings alonside more careful works to show that this informal atmosphere provided the occasion when young artists were 'trained' to paint.
(...) These shelter paintings are described to have four interlinked purposes. The first is to illustrate the public versions of mythical episodes or historical occurences which are 'for fun' and 'to make children happy'. These stories are retold in a fairly relaxed atmosphere for the amusement and education of children as well as for the pleasing decoration of the space. The second purpose is 'practice' for the young artist in completing such illustrations. While the subjects may be outside versions of Ancestral myths, more important ceremonial interpretations could also be attributed to them (...). The third aim of producing motifs such as hand stencils is to personalize the space. This too is carried out in an atmosphere of 'fun' and there are children's hanprints alongside those of the adults in the caves. Spencer recorded a similar explanation for the hand stencils in the caves at Oenpelli in 1912 (1928: 812). Fourthy, these paintings, as well as other more elaborate paintings executed by senior artists, are described as a record or memorial of an individual having visited the site."
Luke Taylor (2007): Seeing the Inside - Bark Painting in Western Arnhem Land (p. 17-19)
23/05/2012
CATACLISMO UNIFORMITARISTA :)
05/05/2012
Tubo de Ensaio...
A "galinhola dos ovos d'ouro" deu que falar no Tubo de Ensaio :) "Se uma pessoa andar com um aparelho da via verde na testa já pode andar? (...) Mas isto anda tudo maluco ou é só impressão?..."
23/04/2012
Pela liberdade...
Na sequência das anteriores postas sobre a "Galinhola dos Ovos d'Ouro" ficamos muito entusiasmados com os desenvolvimentos verificados nos últimos tempos e que já prevíamos há bastante: quando a lei começasse a ser aplicada no terreno os protestos viriam à tona e voila... Sob o mote "a natureza é de todos", na próxima quarta-feira, dia 25 de Abril, estão marcadas manifestações de montanhistas e pedestrianistas, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e no Parque Natural das Serras d'Aire e Candeeiros (PNSAC). Estas manifestações são um protesto contra os pedidos de autorização para praticar actividades de ar livre nas Áreas Protegidas e os consequentes pagamentos de taxas, quer sejam autorizadas ou não. A iniciativa está a ter ampla cobertura noticiosa nos media. Aqui fica o link da notícia publicada no Público: http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1543151.18/04/2012
A-pelo...
17/04/2012
A Galinha dos Ovos d'Ouro: desenvolvimentos!

09/04/2012
19/03/2012
O caso curioso

16/03/2012
O processo evolutivo da espécie humana
Lascaux (França)Este texto trata-se de uma reflexão sobre o hipotético processo evolutivo da espécie humana, com base no texto de opinião de Paulo Mota, publicado no blogue De Rerum Natura, sobre as declarações proferidas por James Watson, co-descobridor da estrutura da molécula de DNA (1953), numa entrevista ao Sunday Times, publicada no dia 14 de Outubro de 2007.
“A Humanidade não entrou na história da vida de uma forma estrondosa. Os primeiros homens [não] tinham nada de impressionante. Eles esgueiraram-se, na Natureza, pela porta traseira (Hublin & Seytre, 2009: 45)”. Mas, apesar da raridade dos dados disponíveis, não existem hoje dúvidas de que o continente africano é o berço da humanidade. Tal como não existem dúvidas, por via de diversas evidências de evolução, de que o Homem actual é o resultado de um processo evolutivo. Conhecem-se duas espécies do género Homo que terão vivido entre 2.45-1.55 milhões de anos (Ma), o H. rudolfensis e o H. habilis (o hábil inventor da pedra lascada) que, mais tarde, desapareceram e deram lugar ao H. erectus (ou H. ergaster). A expansão das estações arqueológicas onde foram encontrados fósseis com menos de 1.7 Ma mostra que os Homininos já não se encontravam confinados a um pequeno nicho ecológico: tendo explorado novos territórios, ultrapassaram as fronteiras da savana e saíram de África (Hublin & Seytre, 2009: 51).
Há cerca de 1.5 Ma a espécie H. erectus (ou H. ergaster) expandiu-se até à Ásia e, depois, para a Europa. Durante milhares de anos diversas barreiras geográficas (desertos, glaciares e mares interiores) separaram as populações, permitindo a especiação. No norte da Europa surgiu uma espécie adaptada ao frio: o H. neandertalensis. Entretanto, na África sub-tropical desenvolveu-se uma espécie adaptada ao calor: o H. sapiens. Há cerca de 100 mil anos esta espécie expandiu-se até ao Médio Oriente e há 45 mil anos o aquecimento climático proporcionou-lhe um caminho até à Europa. Este fraccionamento da espécie H. erectus em duas espécies-filhas, semelhantes, é um exemplo típico de microevolução.
O estudo do ADN mitocondrial confirmou que as linhagens que deram origem ao Homem Moderno e ao Homem de Neandertal há cerca de meio milhão de anos que divergiram, tal como os fósseis o tinham sugerido. O isolamento geográfico não conduz, por si só, à formação de novas espécies mas, ao permitir uma divergência genética das populações isoladas, contribui para o processo da evolução. O ponto de partida será a geração de variações através de mutações, que são mudanças aleatórias na composição química dos genes, nas posições dos genes nos cromossomas e no número dos próprios cromossomas. Quando um novo mutante ou uma nova combinação de alelos raros ou preexistentes consegue superiorizar-se ao alelo comum, “normal”, há tendência para alastrar pela população ao longo de muitas gerações e, com o tempo, torna-se a nova forma genética (Bacelar-Nicolau & Azeiteiro, 2001: 106). O genótipo é alterado e, em consequência, gera-se um fenótipo diferente. Será igualmente de salientar, de entre os modos de selecção natural, a importância que terá desempenhado a selecção direccionada resultante das mudanças ambientais, provocadas pelas alterações climáticas, e das migrações das populações para novos habitats com diferentes condições ambientais.
O estudo do DNA mitocondrial sugeriu também que todos os humanos modernos tiveram uma origem recente (há cerca de 150 mil anos) no seio de uma população bastante pequena que vivia na África (Sabbatini, 2001 in Paradela et al., s/ data; Hublin & Seytre, 2009:90). O pequeno tamanho desse primeiro povoamento (cerca de 15 mil indivíduos) teve um “efeito fundador”: sendo a sua variabilidade genética excepcionalmente fraca, algumas características presentes na população-mãe de África ficaram marcadas na sua descendência.
Muitas características morfológicas e comportamentais dos seres humanos são determinadas por um conjunto de genes, como a cor da pele e, até, eventualmente a inteligência (Sternberg et al., 2005 in Paradela et al., s/ data). Um modelo para explicar a herança da cor da pele em humanos classifica os indivíduos em cinco fenótipos básicos: negro, mulato escuro, mulato médio, mulato claro e branco. Essa classificação seria controlada por dois pares de genes, cada par composto por dois alelos, sendo que um dos alelos de cada par seria mais activo na produção de melanina em detrimento do outro (King, 1999 in Paradela et al., s/ data). Entretanto, existem outros modelos que afirmam a correlação de três ou mais genes, com os seus respectivos alelos, originando fenótipos diferentes. A determinação dos genes ligados à inteligência é ainda mais incerta e controversa, uma vez que não se sabe quantos e quais são atribuíveis a essa “característica” (Rees, 1993 in Paradela et al., s/ data).
O Homem de Cro-Magnon, tal como é conhecido o primeiro representante da nossa espécie a chegar à Europa, constitui um excelente exemplo no tocante à evolução da “inteligência”. A sua chegada ao Sudoeste francês assinalou uma explosão de inovações tecnológicas e expressões artísticas que passou, desde então, a caracterizar de forma inequívoca os humanos “modernos”. No entanto, tal explosão de “inteligência” não teve expressão detectável em termos genéticos (Le Fanu, 2009: 50).
Conclusão
Devido às suas implicações sociais, a genética e a evolução humanas são assuntos altamente impregnados de emotividade e grande parte da literatura sobre esses temas é influenciada por afirmações que não são baseadas em evidências mas em suposições (Futuyma, 1942 in Paradela et al., s/ data). Nesse contexto, tanto as afirmações de James Watson, publicadas no Sunday Times, como as inúmeras reacções ao artigo em causa devem ser encaradas com as devidas reservas.
É possível estabelecer, com base em critérios biológicos, a existência de duas ou mais subespécies, para uma dada espécie, quando as suas características genéticas são suficientes para as diferenciar, o que não ocorre na espécie humana. Embora a cor de pele e a inteligência estejam no centro de discussões sobre a existência de “raças” humanas, a genética revela que essas polémicas são infundadas.
Pedro Cuiça (2011)
Bibliografia
Bacelar-Nicolau, P. & Azeiteiro, U.M. (2001): Introdução à Biologia; Universidade Aberta, Portugal, pp. 220.
Hublin, Jean-Jacques & Seytre, Bernard (2009): No Tempo em que Outros Homens Viviam na Terra - Novas perspectivas sobre as nossas origens; Publicações Europa-América, Mem Martins (Portugal), pp. 198.
Hunt-Grubbe, Charlotte (2007): The elementary DNA of Dr Watson; Disponível em: http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/books/article2630748.ece; Acesso em: 8 de Dezembro de 2010.
Le Fanu, James (2009): Porquê nós? - O mistério da nossa existência; Civilização Editora, Porto (Portugal), pp. 360.
Paradela, Eduardo Ribeiro et al. (s/ data): Poderiam os fundamentos da evolução humana e da genética desfazer discussões entre "raça" e "inteligência"?; Disponível em: http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=3119; Acesso em: 8 de Dezembro de 2010



