21/10/2011

And now, the... CLUB!


08/09/2011

A Contenda (III)


05/09/2011

A Contenda (II)

Possessão?!...

30/08/2011

A CONTENDA

No meio da "buraco-logia" já pouco ou nada me surpreende, mas não é todos os dias que nos deparamos com uma contenda que até mete "cacete"! Sendo certo que se trata de homens das cavernas, este não deixa de ser um lamentável episódio ao nível das piores concepções alternativas sobre os pré-históricos trogloditas, no tempo em que supostamente quase tudo se resolveria à mocada!... Parece que se continuam a utilizar métodos similares quando estão em jogo disputas territoriais, a diferença é que antigamente os nossos antepassados talvez fossem mais expeditos (e realistas) ao passarem a "vias de facto" em vez de se limitarem a pontuais ameaças e crónicas "dores de corno" entre tribos. Portanto, 30 mil ou mais anos depois, ainda temos dificuldade em soletrar a palavra "cooperação" preferindo, ao invés, a recorrente "competição"! E se este fenómeno é "derivado" de algum tique científico ao estilo da luta pela sobrevivência num contexto de selecção natural? A ver vamos, se entretanto se fizer luz :)

25/08/2011

O que é que aconteceu?

"Tanto a juvenil adolescente, como a mulher madura - as primeiras imagens da humanidade moderna - são visíveis e tácteis, constituindo as suas superfícies polidas prova das incontáveis gerações cujas mãos acariciaram esses cabelos entrançados e esses contornos carnudos. Ambas subvertem a percepção habitual da trajectória do Homem, de um passado primitivo até ao presente civilizado, forçando-nos a reconhecer que não ocorreram assim tantas mudanças. Ainda que a história cultural da nossa espécie possa remontar a 35 000 mil anos atrás, é claramente "uma só", desde os seus primórdios ao dia actual.
Acresce que a Dame de Brassempouy tem muito mais para contar do que esta perspectiva reconhecidamente inestimável. À semelhança dos primeiros humanos que há vários milhões de anos atravessaram as planícies da savana africana, os seus antepassados directos na Europa - os Neandertais, com as suas sobrancelhas proeminentes e pescoços atarracados (assim chamados em honra do vale alemão Neander, onde foram descobertos os primeiros restos mortais) - também não seriam capazes de criar objectos tão delicados. Ora, os referidos Neandertais tinham muitas virtudes. Com uma capacidade cerebral ligeiramente maior do que a nossa, tinham sido suficientemente resistentes e inteligentes para sobreviverem 250 mil anos no ambiente mais hostil que se possa imaginar, o das recorrentes glaciações que assolaram o continente de forma periódica. Contudo, não nos deixaram uma só imagem como as supracitadas. Assim sendo, a Dame de Brassempouy leva-nos a centrar a nossa atenção, com excepcional clareza, na questão mais importante de todas: o que é que aconteceu durante a transição para o homem moderno? O que é que nos separa e porque é que somos tão diferentes?"
James Le Fanu (2009): Porquê nós?; Civilização Editora

GRUTA CHAUVET

"Sozinhos na grande vastidão, iluminados pelos débeis feixes de luz das nossas lanternas, fomos invadidos por uma estranha sensação. Era tudo tão belo, tão novo e quase em demasia. O tempo fora abolido, como se as dezenas de milhares de anos que nos separavam dos autores daquelas pinturas já não existissem. Era como se eles tivessem acabado de criar aquelas obras-primas. Subitamente, sentíamo-nos intrusos. Profundamente impressionados, sentimo-nos esmagados pela sensação de que não estávamos sós - estávamos rodeados pelas almas e pelos espíritos dos artistas. Parecia-nos sentir a sua presença."
Jean-Marie Chauvet

24/08/2011

A Vida

"Vida orgânica sob as ondas sem praia,
Nasceu e nutriu-se nas cavernas cor de pérola dos oceanos;
Primeiro, formas diminutas, invisíveis aos vidros esféricos,
Moveram-se na lama, ou através da massa de água;
Lá, enquanto gerações se sucediam,
E novos poderes adquiriam, com membros cada vez maiores,
Incontáveis grupos de vegetação surgiram,
E entidades com barbatanas, pés e asas respiraram."
Erasmus Darwin (O Jardim Botânico, 1791)

21/07/2011

As casas dos espíritos

Fusão de imagens como nos "sonhos" dos xamãs - Ensaio Mulher Yanomani, autoria: Claudia Andujar.

Um grupo de cientistas brasileiros visitou, pela primeira vez, algumas cavernas consideradas sagradas pela etnia ianomâni situadas na região do Alto Rio Negro (Amazonas). Segundo a notícia de Isabel Fraga publicada na revista Ciência Hoje, a antropóloga Maria Inês Smiljanic, da Universidade Federal do Paraná, defende que o povo ianomâni possui concepções xamânicas nomeadamente no que concerne à sacralidade de determinados locais que terão sido criados pela divindade Omawe como casas para os hekula - espíritos de plantas, animais e seres mitológicos. Para essa antropóloga: "Os locais de moradia dos espíritos devem ser respeitados, pois da boa vontade destes depende toda a vida sobre a terra. Essa ideia não se refere especificamente às cavernas, mas, como há predominância de alguns espíritos em certas regiões, pode ser que o local de moradia de alguns espíritos coincida com a presença de alguma caverna." Daí a necessidade, pelo que pensam os ianomânis, de se realizar um ritual de protecção, conduzido pelo cacique Joaquim Figueiredo, de modo a que os espíritos pudessem "reconhecer o cheiro e o visual do homem branco, que poderia ser visto como ameaça". Na área correspondente ao Paque Nacional do Pico da Neblina, onde se situam terras ianomâni, não são permitidas actividades turísticas e o posicionamento dos índios não suscita quaisquer dúvidas: "não querem abrir as cavernas para visitação turística, pois muitas delas são sagradas para esses povos". E fazem muito bem...

20/07/2011

Vida Subterrânea


"As luzes pulsaram e mudaram de cor... assim como tudo à minha volta! Voltou a ser tudo escuro... Ah, estamos debaixo do solo... é um planeta onde a Vida só pôde desenvolver-se nas suas entranhas!
Que organismos eram aqueles? Moviam-se lentamente e tudo parecia uma cena em câmara lenta! Que criaturas mais estranhas... são pequenas e não têm olhos, movem-se lentamente arrastando-se neste túneis que cavaram. Lambem as paredes cobertas de microorganismos que se alimentam da química destas rochas..." (Lin Yun, 2011; p. 75-76)*

"Finalmente é de referir os organismos que vivem nos poros das rochas a vários quilómetros abaixo da superfície da Terra, descobertos em minas. Estes organismos obtêm energia não do Sol que nunca atinge estes locais, mas das reacções químicas entre as rochas e a água aqui presente. Retiram nutrientes dos minerais que constituem as rochas e dióxido de carbono do ar. As necessidades destes organismos são totalmente preenchidas pelas condições que se pensa existirem no subsolo marciano, tornando pois mais plausível a existência deste tipo de vida em Marte." (Lin Yun, 2011; p. 78)*

"Na realidade, as visitas ao planeta Marte feitas pelas sucessivas sondas que sobrevoaram ou pousaram na superfície de Marte excluem a possibilidade de existência de seres vivos complexos, pelo menos à superfície do planeta. Não é contudo de excluir a possibilidade de existência de vida microscópica subterrânea." (Lin Yun, 2011; 94-95)*

"O subsequente desaparecimento da água líquida superficial não exclui a possibilidade de que alguns desses seres se tenham adaptado às actuais condições físicas e sobrevivam no subsolo de Marte." (Lin Yun, 2011, p. 97)*


*LIN YUN, João - Vida no Universo. Editorial Presença, Queluz de Baixo, 2011.

14/07/2011

E agora, a LUA!...




Porque por estas noites está (quasi) Lua Cheia e porque, na sequência dos últimos posts, estará na altura de inter-relacionar algumas das temáticas afloradas vamos recorrer a uma obra da autoria de Moisés Espírito Santo para tal efeito: Cinco Mil Anos de Cultura a Oeste - Etno-história da Religião Popular numa Região da Estremadura (Assírio & Alvim, 2004). Pode parecer estranho num blog sobre espeleologia falar acerca da Senhora da Conceição, da Serpente, da Caverna enquanto "Ventre" e, agora, da Lua mas na verdade fará mais sentido do que, à primeira vista, possa parecer. Aproveitemos, então, a luminosidade selenita do plenilúnio que se anuncia, nesta noite ventada de Norte, para deixar algumas frases soltas desse magnífico tratado de Espírito Santo. Noutra Lua, na qual disponha de mais tempo para a escrita, tentarei ir mais além no assunto...


"A Senhora ibérica da Conceição/Concepción - a autêntica Senhora da Conceição popular - é a herdeira directa do mais antigo culto da Magna Mater criadora, a Lua-Mãe em sintonia com a Terra-Mãe." (Espírito Santo, 2004; p. 12)

"O protótipo da lenda portuguesa da Moura Encantada - que é da cultura fenícia ou púnica - foi criado a partir da palavra m'wra ("luzeiro, sol ou lua")." Espírito Santo, 2004; p. 79) Segundo o autor, essa palavra m'wra (maora) tem igualmente afinidades com mowrh (mauora) com o significado de "cova, caverna" e, curiosamente, "nudez", entre outras significações.


"A Senhora da Conceição é a que concebe, a que engendra, a que dá à luz. O nome é entendido de modo activo, como um agente com iniciativa de conceber. (...) Ela é a da Concepção." (Espírito Santo, 2004; p. 102)
"Esta invocação e esta imagem foram o melhor caminho para se passar do culto matriarcal da Magna Mater, da Criadora para o de Maria." (Espírito Santo, 2004; p. 105)

"As imagens populares da Conceição (a que concebe), além de terem um menino, identificam-se pelo crescente lunar, por uma serpente aos pés (por vezes, a serpente enrola-se ao busto) e um diadema de doze estrelas. O crescente lunar aos pés e a serpente são os sinais identificadores da "verdadeira imagem" da Conceição. Nas espanholas e alentejanas o crescente é larguíssimo, desproporcionado relativamente à imagem (também evoca chifres de bovino); geralmente é postiço ou amovível, de modo que, aquando das procissões, tira-se para não tocar nos acompanhantes." (Espírito Santo, 2004; p. 107)


"A serpente das imagens da Conceição (a que concebe) é um símbolo da Magna Mater. Segundo as crenças antigas, a serpente reproduz-se por partenogénese (engendra filhos por sua única iniciativa, sem participação masculina) e é imortal, porque muda de pele. Por isso, é um avatar da Lua e da Terra que também mudam, morrem e renascem." (Espírito Santo, 2004; p. 108)

"O crescente lunar da Senhora da Conceição denuncia que esta sucedeu ao culto da Lua considerada a autora da procriação humana e animal e dos ritmos naturais. Em Portugal, o culto à Lua durou até ao século XX como veremos, e é de origem oriental (babilónica, fenícia, egípcia e púnica). (...) Todas as antigas religiões do Mediterrâneo (excepto a romana oficial) veneravam a Lua. Era a autora da procriação humana, animal e vegetal. No Próximo Oriente foi antropomorfizada com imagens e nomes próprios: Sin, Istar, Astarté, Ísis e, em Cartago romanizado, Celestis, representadas como uma mulher com um crescente lunar sobre a fronte. A Senhora Ibérica da Conceição/Concepción (a que concebe) é a sua herdeira directa." (Espírito Santo, 2004; p. 109)

"Para os lusitanos, a Lua foi uma potência divina. Há trinta ou cinquenta anos, o povo português ainda rezava à Lua." (Espírito Santo, 2004; p. 178)

"O morro mais elevado da serra dos Candeeiros (520 metros) chama-se, segundo consta na Cartografia militar, Monte da Lua e as colinas em volta deste, Serra da Lua. (...) Foi a serra da Lua como a de Sintra." (Espírito Santo, 2004; p. 381)


13/07/2011

A atracção... (II)

Há cerca de duas semanas fui abordado por um companheiro de actividades de montanha que me telefonou indagando sobre um artigo que eu teria escrito, e que se encontrava na internet, sobre a Gruta do Abade. Ele estava a elaborar um plano de resgate para a área da Arrábida e gostaria de saber mais pormenores sobre essa cavidade, acontece que, como lhe expliquei desde logo, nunca escrevi sobre a Gruta do Abade! No entanto, ele assegurava-me que tinha lido um artigo acerca dessa gruta assinado por mim, no qual se falava de uma cidade subterrânea, com iluminação "própria", um povo troglodita e outras estranhas alusões... Fiquei bastante preocupado! Depois de uma busca na internet cheguei rapidamente à conclusão que face ao conjunto de prints que lhe tinham sido entregues, incluindo alguns do Spelaion sobre grutas da Arrábida, gerou-se um mal-entendido... De facto, existem diversos artigos e comentários on-line sobre a Gruta do Abade mas nenhum foi escrito por mim e também, de facto, essa gruta está envolvida por estórias do "arco-da-velha". Mas tal não será de espantar tendo em conta que o mundo subterrâneo sempre foi alvo de uma inegável atracção, nomeadamente por estar oculto e, por isso, envolto em mistério. O mundo subterrâneo, personificando o desconhecido, dá azo a inúmeras concepções alternativas, dá asas à imaginação, à geração de abundantes lendas e... historietas. Ao estilo dos caçadores e pescadores, as pessoas do campo que falam de grutas da sua região contam que estas vão dar "não sei onde" invariavelmente demasiado longe ou num onde manifestamente impossível de ser verdade. Curioso é verificar que pessoas pretensamente cultas também embarcam nessas cantilenas e ainda para mais em geografias difíceis de sustentar tais relatos como na Serra de Sintra! Por outro lado, a alusão a seres e habitantes das cavernas, desde duendes a mouras encantadas, para não falar de estranhos bestiários, como aquele que é apresentado no Mundus Subterraneus de Athanasius Kircher, são ainda hoje vulgares. Mais curioso ainda é constatar que muitos desses narradores, também ao estilo kircheneano, nunca entraram numa gruta ou, pelo menos, nas espeluncas que descrevem e pretensamente dizem conhecer. Estes tratam-se, sem dúvida, de fenómenos bastante interessantes que importa abordar com alguma profundidade e, portanto, voltaremos a esta fenomenologia um dia destes...

A atracção...

Não sei se deveria ter denominado este post "A atracção pelo mundo subterrâneo", "A vandalização do mundo subterrâneo" ou o "Invento mais ou menos subterrâneo"! Isto sobre o facto de ter deparado com a vedação de uma das Grutas de Leceia digamos... inutilizada. Não é que me espante com tais eventos tendo em conta que já me deparei com muitas situações tão ou mais grotescas ou "surrealistas": Gruta da Senhora, Gruta de Ibne Ammar, Solestreiras, Gruta do Fumo, Gruta de Salemas, Gruta de Salir do Porto, etc..
Atracção porque, à semelhança de outros casos congéneres dispersos pela geografia nacional e ao longo do tempo, o "pessoal" não resiste aos encantos ou mistérios de um buraco e ainda para mais cuja entrada esteja barrada por portão, gradeamento ou outra solução semelhante: é o fruto proibido! Vandalização porque é o que acontece a muitas das cavernas de fácil acesso e que começa, desde logo, pela destruição total ou parcial da solução adoptada para tentar impedir a entrada. Invento porque se trata frequentemente da invenção adoptada para, em nome de um intento bem-intencionado mas desde logo votado ao fracasso, adulterar a paisagem... A questão que se coloca, nesses casos, será: quanto tempo é que vai durar? A solução adoptada - seja um portão, um gradeamento, uma rede ou similares - entenda-se.
Para não se ficar a pensar que sou um mal-intecionado, concedo a hipótese dos senhores que fecharam a dita gruta terem agora adoptado esta solução pouco usual, de se "livrarem" de parte da rede, por terem perdido as chaves dos cadeados ou estes já não abrirem por estarem demasiadamente ferrugentos :) Afinal o trabalhinho está feito com tal primor - não se limitaram a abrir um buraco e entortar a rede de forma grosseira, e nem sequer deixaram os restos no terreno - que será de pensar que foi feito por gente conscienciosa. Antes isso... De resto, nas outras grutas aí existentes as vedações de rede vão-se mantendo! Mas justiça seja feita, em algumas delas também não constituem qualquer óbice à entrada nas mesmas ;-)