16/03/2010

Quem a viu?

Quem a viu e quem a vê? Referimo-nos à Franga dos Ovos d’Ouro, isto porque já foi publicada a tão aguardada portaria que veio em substituição da abortada Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro. Quase diríamos que a galinha se transformou rapidamente em franga para, finalmente, se transmutar numa espécie de pomba da paz.

A Portaria nº 1397/2009, de 4 de Dezembro, determinou “a suspensão da produção de efeitos da Portaria nº 1245/2009”, que definia as taxas devidas pelos actos e serviços prestados pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), pelo prazo de três meses. Não havia dúvida alguma: a “coisa” era (gritantemente) muito má…

E como o prometido é devido, aí está a Portaria nº 138-A/2010, de 4 de Março, para repor, ou pelo menos tentar repor, a normalidade dos factos! Apesar desta última já ter alguns dias, não nos apressámos a divulgá-la pela simples razão de que não constitui nenhuma surpresa. Bem pelo contrário, trata-se daquilo que tínhamos previsto em estilo “grande ângulo”: tornou-se o articulado algo mais objectivo, diminuíram-se os valores das taxas e isentaram-se das mesmas determinadas disposições e entidades. Sensato, não? Surpresa será a nova portaria que se prepara para cobrar pela frequentação das áreas classificadas, mas essa será uma estória para novas calendas. Mas nem essa será verdadeiramente surpresa pois tratar-se-á mais do mesmo... Qual será, dessa feita, o animal escolhido para pôr ovos?

Da Portaria nº 138-A/2010, de 4 de Março, salientamos, mais uma vez, o reconhecimento das “dúvidas e os equívocos suscitados quanto à sujeição de determinadas actividades ao pagamento de taxas pelos actos e serviços prestados pelo” ICNB, motivos que levaram à suspensão da polémica Portaria nº 1245/2009, de 13 de Outubro. Salientamos também a “exclusão do âmbito da presente portaria das taxas devidas pelo acesso e visita às áreas integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas, cuja cobrança visa contribuir para o financiamento da conservação da natureza e da biodiversidade e para regular o impacte d presença humana em áreas particularmente sensíveis” (assunto a definir em portaria autónoma). É esperar para ver!

É igualmente importante salientar que ficam isentas do pagamento de taxa, entre outros, “os pedidos de autorização para a realização de actividades de lazer e educação ambiental apresentados por estabelecimentos de ensino e por pessoas colectivas de utilidade pública reconhecidas nos termos do Decreto-Lei nº 460/77, de 7 de Novembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 391/2007, de 13 de Dezembro”. Fica igualmente bem claro que ficam isentos “os pedidos de autorização para a realização de trabalhos de investigação científica e de monitorização com interesse para a conservação da natureza e da biodiversidade”. Por fim, as empresas de animação turística e os operadores marítimo-turísticos que tenham pago a correspondente taxa de registo prevista no artigo 16º do Decreto-Lei nº 108/2009, de 15 de Maio, também estão isentas.

Bom, e quais são afinal as circunstâncias abrangidas pela presente portaria? São os actos e serviços constantes na tabela anexa à dita. Declarações, pareceres, informações ou autorizações referentes ao uso, ocupação ou transformação do solo no âmbito agrícola, florestal ou silvopastoril; bem como pedidos referentes a edificações para residência própria e permanente ou outras edificações, abertura de novas vias de comunicação e alargamento das existentes, ou outros empreendimentos… Realização de actos de registo e/ou emissão de documentos; certidões, fotocópias certificadas e certidões de documentos; fornecimento de dados georreferenciados e cartografia; fornecimento de dados estatísticos; e, por fim, prestações de outros serviços não previstos. Pelo exposto acima ficará claro que actividades de ar livre efectuadas por indivíduos ou grupos de amigos não serão sujeitas a quaisquer tipos de taxações com base na presente portaria. Resta saber o que nos irá trazer a portaria autónoma na qual se irão definir as taxas devidas pelo acesso e visita às áreas integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas, e cuja cobrança visará contribuir para o financiamento da conservação da natureza e da biodiversidade e para regular o impacte da presença humana em áreas particularmente sensíveis. Não constitui também surpresa para nós esta questão do financiamento, afinal era o objectivo da franga. Ou não era?

15/03/2010

O Luciano das Ratas

O Museu da Cidade de Lisboa tem patente uma exposição sobre "vivências, histórias e costumes protagonizadas por figuras míticas, anónimas ou pouco conhecidas". Uma vintena de curiosas personagens de entre as quais destacamos Luciano das Ratas, não pelos motivos que mentes mais perversas possam à primeira vista pensar mas por se tratar de um espeólogo de grande gabarito. Sim "espeólogo", vulgo "explorador de subterrâneos".
Luciano recolheu "objectos valiosos" e matou ratazanas nos esgotos da Baixa lisboeta, onde entrava durante a maré baixa, durante mais de duas décadas. Este explorador, hoje um ilustre desconhecido, foi na sua época digno de diversas notícias de jornal devido à sua insólita e subterrânea actividade.
O texto de apoio à exposição revela algo mais sobre esse "apanhador de ratas": "Personagem conhecida por entrar nos canos de esgoto da capital, com o intuito de “recolher alguns objectos preciosos” que ali iam parar (graças à distracção dos moradores das casas mais próximas), e por matar as ratazanas das canalizações. Em 1879 Luciano das Ratas é já mencionado pela imprensa, destacando-se aí a sua estranha actividade. Em 1899 e em 1900 surgem novas referências, o que permite aferir que esta actividade foi por ele mantida ao longo de 20 anos. Por volta de 1903, segundo referências da época, foi proibido de continuar a entrar nos esgotos da cidade. Directamente relacionado com as questões do abastecimento de água, o saneamento foi, até à década de 70 do séc. XIX, um verdadeiro problema público. Não existiam então serviços de salubridade organizados de forma a colmatar a falta de limpeza das ruas e era manifestamente insuficiente a rede de esgotos existente. Em toda a cidade, com excepção da zona da “Baixa”, área que contava já com um sistema de saneamento, com o caneiro implantado durante a Reconstrução Pombalina, os despejos eram feitos directamente para a rua, através do conhecido aviso “Água vai!”."
Na exposição em causa poderá consultar diversos artigos de jornal acerca do Luciano das Ratas e ver um interessante gasómetro utilizado pelos serviços municipais de Lisboa; para além de diversa e interessante informação, pinturas e outros objectos referentes às outras destacadas figuras. A exposição "Lisboa tem histórias" pode ser vista no Museu da Cidade até ao dia 31 de Março de terça a domingo, das 10 às 13 e das 14 às 18 horas, e a entrada é gratuita. Para mais informações consulte o Museu da Cidade através do e-mail museudacidade@cm-lisboa.pt
ou do telefone 217 513 200.

08/02/2010

Sint(r)a, o deserto?!

(Foto: Enric Vives-Rubio)

Este é um blogue sobre o mundo subterrâneo, vocacionado sobretudo para abordar assuntos sobre grutas, carsos e... mas não podemos ficar indiferentes ao que temos vindo a assistir, nos últimos tempos, na Serra de Sintra. Custa ficar indiferente perante tamanha destruição e, nesse contexto, é necessário dar um "grito de alerta", nem que seja num simples e modesto "blogue subterrâneo". E mesmo que tal, por absurdo que possa parecer, para nada sirva neste mundo de indiferença e (quase) vale tudo, é importante não ficar indiferente, impassível, calado perante tamanha enormidade.

O cataclismo que destruiu grande parte do coberto vegetal da Serra de Sintra deve estar certamente relacionado com a tempestade que revirou roulottes na Zona Oeste e arrasou estufas, entre outros inúmeros danos a pessoas e bens. Só pode ser isso... ou não pode?
Tendo em conta que se trata de um Parque Natural, onde pretensamente se pugna pela conservação da natureza e da biodiversidade, só uma calamidade poderá justificar este enorme desastre que vem pôr em causa um património único. Mas o que mais importa salientar, neste momento, são os animais que habitam nessa serra, as plantas que a povoavam e o incremento da erosão que agora se verifica! Enfim, insistimos, mais uma vez, um verdadeiro e enorme desastre!!!
Onde existia uma densa floresta, com árvores centenárias, existe agora um choque... Sim, um "choque emocional" para quem palmilha essa serra pé-ante-pé e vive cada recanto dessa mística Montanha da Lua há longos anos. Voltamos a insistir, um verdadeiro choque!!!

Bien, mas é curioso que subsistam inúmeros eucaliptos e uns quantos pinheiros! Incrível, uma tempestade selectiva?! E as árvores caídas pelo pretenso temporal apresentam o tronco cortado pela base!! Estranho, não é? E ainda ontem (domingo!) se ouviam serras mecânicas a "azucrinar" as pessoas e, mais importante, a fauna que vivencia ou sobrevive, respectivamente, esses ou nesses antigos e bucólicos lugares, outrora encantados!!!

Pois é, parece incrível mas é verdade! A verdadeira razão de tamanha destruição é tudo menos natural! É, pasme-se, obra humana!!! E, por muitas justificações que se dêem, razões que se avancem ou explicações por mais intrincadas ou doutas que se apontem, nada disso irá repor aquilo que foi destruído. Uma verdadeira barbaridade, para não falar na ganância economicista associada à venda da madeira... Palavras para quê?

Neste País em que se tem vindo a questionar a liberdade de expressão gostaríamos de evidenciar que esta tamanha forma de expressão merece também, da nossa parte, uma simples, mas sincera e sentida, forma de expressar a nossa opinião.
E, já agora, o argumento da necessidade de proceder a tamanha barbaridade como prevenção de fogos florestais lembra-nos o argumentário de um famoso "cowboy amaricano" que, ao que parece, defendeu que sem árvores não ocorreriam incêndios florestais. Eureka :) Claro como a água, não é? No limite, no deserto não haverá fogos, nem árvores, nem animais, nem...


P.S.: Para mais informações, consulte, por exemplo, a secção Ecosfera do site do jornal Público.

04/02/2010

Eurobats 4

A Publication Series Nº 4 da Eurobats já se encontra disponível para download: Protection of overground roosts for bats.

(Fonte: Pedro Alves)

Aniversário da Federação Argentina

A Federación Argentina de Espeleologia cumpre 10 anos de existência e para comemorar esse importante marco vai lançar mais um número do Anuário Spelaion.
O blogue português Spelaion deseja os mais sinceros parabéns e que contém muitos e profícuos anos em prol da espeleologia. Tudo de bom...
(Fonte: Carlos Benedetto/Eco-Subterraneo)

02/02/2010

O Invento!

Já faltará pouco para sabermos "novas" da recauchutada Portaria sobre a Galinha dos Ovos d'Ouro (ups!, a Franga queria eu dizer), mas desta feita o que aqui apresentamos é uma espécie de sucedâneo: o Invento!

27/01/2010

Síndroma do Nariz Branco (III)

O Síndroma do Nariz Branco, que já terá matado mais de um milhão de morcegos nos Estados Unidos (ver www.caves.org/WNS/), foi detectado na Europa, mais precisamente na Dordonha (Aquitânia, França). A ocorrência está apontada num artigo da autoria de Sébastien Puechmaille et al., do University College Dublin (Irlanda): White-Nose Syndrome Fungus (Geomyces destructans) in Bat, France.


(Fonte: Sérgio Medeiros; Foto: Nancy Heaslip)

26/01/2010

O Diablo que nos carregue :)

O Diablo é um aparelho da Edelweiss pensado para fazer segurança e descer em rapel e, segundo a ficha técnica do fabricante, foi concebido “só para escalada e alpinismo” (fig. 1). No entanto, a sua utilização na prática de canyoning revela-se bastante interessante pela sua polivalência, aliada à eficácia e simplicidade de uso.

O Diablo (Edelweiss) reúne algumas das particularidades de um Oito (CMI, Stubai, Simond, Faders, Petzl, Black Diamond, etc.), nomeadamente as boas prestações nas descidas em rapel, e de uma placa tipo Sticht (DMM, Cassin, Camp, Clog, HB, etc.) ou upgrades da mesma como a Magic (New Alp) ou a Gi-Gi (Kong), no que concerne às boas prestações a fazer segurança. Mas vai mais além ao permitir efectuar segurança estática ao corpo, como num Logic (Cassin), ou permitir efectuar uma série de posições de travagem suplementares e muito práticas, como num Pirana (Petzl) ou num Nove. Esta última vantagem, face ao Oito, torna o Diablo particularmente indicado para a execução de manobras/técnicas ligeiras, na descida em rapel com corda simples e, por maioria de razões, com corda fina (8 a 9 mm).
Tal como acontece com o Nove e o Pirana, com o Diablo não existe o perigo de ficar bloqueado num rapel, como pode acontecer com o Oito, devido à formação de nó de cotovia (alondra).

O Diablo começa por ser um aparelho excelente para fazer segurança, em simples ou em duplo. A possibilidade de fazer uma segurança de qualidade em canyoning, adaptada às circunstâncias, é uma mais valia para aproximações a cabeceiras de rapel, montagem de corrimões ou em escapatórias que exijam escalada, entre outras manobras.
O fabricante indica duas posições para fazer segurança: uma tipo “oito rápido” (sistema rápido Bachli) (fig. 2) e outra como placa auto-bloqueante (fig. 3). A primeira forma de utilização é indicada para fazer segurança ao corpo a um primeiro ou a um segundo de cordada (com a corda redireccionada a uma reunião). A segunda utilização, montada directamente numa reunião, é indicada para fazer segurança a um ou dois segundos de cordada. Ambas as formas de fazer segurança, por serem estáticas, são indicadas para “vias” equipadas com ancoragens à prova de bomba (pernos, buchas químicas ou similares). Mas, face a seguros amovíveis (pitões, entaladores ou friends), o Diablo também pode efectuar segurança dinâmica ao ser utilizado como uma placa tipo Sticht (fig. 4).

Fig. 2: “Diablo rápido” (sistema rápido Bachli)

Fig. 3: Diablo a funcionar como placa auto-bloqueante.

Fig. 4: Diablo a funcionar como placa Sticht.

No rapel, para além da posição (1) tipo “rápido com roçamento no topo” (fig. 5) preconizada pelo fabricante, é fácil inferir a possibilidade de aumentar o atrito efectuando (2) um rápido com roçamento no topo e mosquetão de reenvio (fig. 6), (3) um vertaco (fig. 7), (4) um “vertaco com duplo roçamento no topo” (fig. 8) ou (5) um vertaco com duplo roçamento no topo e mosquetão de reenvio (fig. 9). Ao todo cinco posições com base no “oito rápido”, o que facilita a manobra de retiar a corda do aparelho, sem o perder, no final de uma cascata. A mudança de posições é extremamente fácil, mesmo sob carga, sendo possível, segundo as necessidades, aumentar ou diminuir o atrito da corda com o aparelho.

Fig. 5: Diablo tipo “rápido com roçamento no topo”.

Fig. 6: Diablo em rápido com roçamento no topo e mosquetão de reenvio.

Fig. 7: Diablo em Vertaco.

Fig. 8: Diablo em “vertaco com duplo roçamento no topo”.

Fig. 9: Diablo em vertaco com duplo roçamento no topo e mosquetão de reenvio.

A possibilidade de executar uma chave de bloqueio (fig. 10) tipo mula é extremamente fácil em todas as cinco posições de rapel.

Fig. 10: Diablo em rápido com roçamento no topo e chave de bloqueio tipo mula.

A passagem da posição “rápido com roçamento no topo” a “rápido” pode originar posição de paragem (fig. 11), se se baixar a mão que controla a velocidade do rapel, com consequente situação de bloqueio num rapel suspenso!

Fig. 11: Diablo em posição de paragem.

O aparelho também pode ser utilizado em posição “rápido” num rapel em auto-molinete (fig. 12), por exemplo para montar um corrimão ou um corrimão rapelável.

Fig. 12: A corda é ligada ao arnês através de nó de nove e o Diablo é colocado no outro extremo da corda em posição rápido/paragem num rapel em auto-molinete.

No rapel em duplo, as cordas podem passar no aparelho separadas (fig. 13), sem se cruzarem, e saírem, uma para a direita e outra para a esquerda, cada uma para o seu respectivo saco de corda (kitbull), facilitando a instalação das cordas e a recuperação das mesmas no final da manobra.

Fig. 13: Diablo em rapel em duplo com cordas separadas.

O Diablo pode ainda ser utilizado, com claras vantagens, em inversões e subida por corda fixa. A posição de “rápido com roçamento no topo”, utilizada para descer em rapel, pode passar rápida e facilmente para a posição de “Diablo rápido” e posição de paragem. A alternância destas duas últimas posições, em conjugação com um nó valdostano (e pedal) ou outro nó auto-bloqueante, permite a subida por corda fixa. A subida por corda também pode ser efectuada com o Diablo a funcionar como placa autobloqueante, mais valdostano (e pedal) ou outro nó auto-bloqueante.
A descida em rapel com o Diablo ligado directamente ao arnês, através de mosquetão, e auto-segurança situada acima do aparelho permite, depois de colocar um pedal ligado ao nó autobloqueante, inverter o sentido de progressão a qualquer momento. Nas experiências que efectuámos, o método revelou-se bastante eficaz em “cordas grossas” (> 10 mm) com os nós valdostano e prusik assimétrico, efectuados com a Vulcano (Beal), e para cordas finas (8 a 9 mm) com os nós Machard bidireccional e Prusik, feitos com anéis de cordeleta de poliamida de 6 mm ou kevlar 5 mm. Ambos os nós funcionam quer em corda simples quer em dupla, no entanto o “Diablo rápido” só funciona bem com corda simples. Em corda dupla é melhor utilizar o Diablo como uma placa auto-bloqueante.

O Diablo revela-se igualmente muito interessante no que concerne à instalação da corda de rapel. Pode ser utilizado na montagem de cabeceira desembraiável (débrayable) (fig. 14), com Diablo embutido (en butée), em simples ou em duplo com controlo de cada corda independente mesmo sob carga. A chave de bloqueio tipo mula é fácil de fazer (fig. 15). E também pode ser usado na montagem de cabeceira regulável (technique réglable) (fig. 16), em simples ou em duplo (com controlo de cada corda independente).

Fig. 14: Diablo usado na montagem de cabeceira regulável (technique réglable).


Fig. 15: Chave de bloqueio de sistema desembraiável.

Fig. 16: Diablo usado na montagem de cabeceira regulável (technique réglable).

Por estas e por outras (técnicas, entenda-se!), é que vou passar a levar sempre um Diablo para os canyons. Claro, acompanhado por um Oito ou, melhor, um Oito Duplo :)

Neste post apenas destaco algumas possibilidades de utilização do Diablo na prática de canyoning, sem pretender ser exaustivo (nem este seria o suporte adequado para tal) no que concerne às especificidades e cambiantes inerentes a cada uma das técnicas. Por outro lado, é óbvio que as potencialidades deste aparelho não se esgotam, de todo, nas técnicas sumariamente apresentadas.

As manobras apresentadas acima foram devidamente experimentadas no terreno, mas não será demais assinalar que o uso deste aparelho, no que concerne às novas técnicas descritas, ainda se encontra em fase de testes. É fundamental que quem as pretenda aplicar possua conhecimentos e treino específicos na prática de canyoning. Como adverte o fabricante: “Este produto só deve ser utilizado por pessoas competentes. O incumprimento destas normas aumenta o risco de ferimentos ou morte.” O autor não se responsabiliza por eventual incidente ou acidente que possa advir da aplicação das técnicas descritas.

De resto, “o Diablo que vos carregue” tal como tão bem me tem carregado a mim. Experimentem. Se não gostarem ponham de lado! Se gostarem usufruam e descubram novas aplicações para este multifacetado aparelho.

11/01/2010

Maravilhas naturais

A Gruta do Frade e a Serra do Risco (!) foram os "monumentos" naturais escolhidos para representar o concelho de Sesimbra na eleição das Sete Maravilhas Naturais de Portugal. Os dois locais fazem parte de um leque de cerca de 800 escolhas, das quais 77 especialistas, representantes de várias áreas científicas, irão eleger as 77 maravilhas naturais pré-finalistas. Posteriormente, um painel de 21 jurados anunciará as 21 maravilhas finalistas, de onde sairão os sete monumentos seleccionados. Os vencedores nacionais serão conhecidos a 7 de Setembro de 2010, para serem depois integrados numa nova votação, desta feita a nível mundial.

31/12/2009

BOM ANO

[Foto: Rui Nelson (Clube Naval do Seixal)]

A "gerência" (:)) deseja um excelente Ano Novo e as maiores felicidades a todos aqueles que têm acompanhado o Spelaion.

Como é costume dizer-se: Ano Novo, Vida Nova. E, nesse pressuposto, vamos ter certamente novidades (das antigas!) neste blogue sobre o mundo subterrâneo :)

Tudo de bom!


Quem diria?!

"O Parque Eólico de S. Bento, que previa a instalação de 42 aerogeradores nos concelhos de Alcobaça, Porto de Mós e Santarém, foi chumbado pelo Ministério do Ambiente, que considera que o projecto “não é compatível com os objectivos de conservação da natureza” da zona, inserida no Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros (PNSAC). Cai assim por terra um investimento na ordem dos 100 milhões de euros, que o consórcio Ventivest pretendia fazer naquela área protegida.
A Declaração de Impacto Ambiental, assinada pela ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, aponta como principais impactos negativos do projecto a “destruição e perturbação” de habitats prioritários, “com especial destaque para a afectação de três algares ocupados por gralhas-de-bico-vermelho”, uma espécie considerada em perigo, e de áreas de nidificação de aves de rapina e de “grande actividade de morcegos”.
A destruição de estruturas cársicas, os impactos directos e indirectos em vários elementos patrimoniais como o Arco da Memória (monumento em vias de classificação), os aumentos dos níveis sonoros, com o “incumprimento do critério de incomodidade”, e os impactos visuais dos 42 aerogeradores na paisagem são outros dos motivos que levaram o Ministério do Ambiente a indeferir o projecto. A tutela alega ainda que a instalação do parque eólico afectaria várias espécies de plantas raras e árvores protegidas legalmente, como sobreiros e azinheiras.
Por tudo isso, o ministério entende que a construção do parque eólico “acarreta impactos negativos muito significativos sobre o território, sobre a sua integridade ecológica e patrimonial não desprezíveis nem minimizáveis”. Esse é também o entendimento das associações ambientalistas Oikos, Liga para a Protecção da Natureza e GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, que, durante o período de discussão pública, entregaram um parecer conjunto opondo-se ao projecto, por considerarem que ele põe “em risco muitos dos valores para cuja protecção foram criados o PNSAC e a Rede Natura 2000”.
António Sá da Costa, administrador da Ventinvest Eólica, diz que a empresa “foi desagradavelmente surpreendida pelo ´chumbo´ do Parque eólico de S. Bento” e que “está ainda a analisar as consequências desta situação”.

Reacções
A não aprovação do parque é uma medida de bom senso, porque iria incidir numa área sensível do parque natural, com espécies protegidas e ameaçadas. Não somos [Quercus] contra os parques eólicos, mas estes não podem ser feitos em qualquer local, escolhendo as áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental. Os promotores têm de procurar alternativas.
Domingos Patacho, presidente da Direcção do Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus

Já pedi uma reunião com a senhora ministra do Ambiente para lhe manifestar a minha preocupação. Não concordo com a decisão nem aceito que me digam que aquela é uma zona de protecção da natureza, porque já foi toda remexida por causa das pedreiras. Por isso mesmo, será, dentro do PNSAC, a zona onde um parque eólico produz menos impactos.
João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós
"

Tivemos conhecimento desta notícia, publicada no Jornal de Leiria, através do Sérgio Medeiros (GPS) e ficámos verdadeiramente surpresos, face à plantação a eito de "ventoinhas" a que nos vinham habituando... Quem diria?! É de veras surpreendente, tendo em conta que esteve (está) em jogo muito dinheirinho. E quando de dinheirinho se trata há quem seja capaz de vender a própria mãe! É chocante mas a caricatura não andará muito longe da realidade.
Já não é a primeira vez que a nova Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, nos surpeende pela positiva. Parabéns pela sua coragem...
E já agora, a culpa do projecto não ter sido aprovado não é certamente das gralhas e dos morcegos: "coitados" limitam-se a sobreviver... Agora já se percebe o porquê de tanta preocupação face a essas espécies imaturas, mas será conveniente arranjar outro "bode expiatório":)

[Fonte: Maria Anabela Silva (http://www.jornaldeleiria.pt/portal/index.php?id=4106)]

16/12/2009

E viva a liberdade!...

Um grupo de escuteiros foi notificado a pagar 200 euros por ter pedido autorização ao Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) para efectuar “uma actividade, que incluía visitas a aldeias e caminhadas na serra”. A notícia foi hoje publicada no Diário de Notícias e espelha bem o estado a que se chegou no tocante à prática de actividades de ar livre em Portugal.
O pagamento de taxas para visitar áreas protegidas tem suscitado acesa discussão em todo o país. Apesar da Portaria 1245/2009, que obriga ao pagamento das taxas só ter estado em vigor entre 13 de Outubro e 5 de Dezembro, são muitos os protestos. Desde o início de Dezembro que a portaria está suspensa mas, os pedidos efectuados nos dois meses de vigência, continuam a implicar custos. O caso dos escuteiros de Braga está entre esses pedidos.
Pelo andar da carruagem daqui a uns anos temos todos liberdade para fazer actividades… nos centros comerciais!!! O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) será, nesse pressuposto, um excelente exemplo, tendo em conta que já possui duas infra-estruturas do género no ponto mais alto do País. Ainda bem que podemos contar com uma elevada coerência no tocante à conservação da natureza. Desta forma temos o futuro garantido, resta saber é em que moldes.