23/04/2009

Ler e/ou oferecer um livro


Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. A iniciativa foi instituída, em 1996, pela UNESCO. A ideia de celebrar o Dia Mundial do Livro, surgiu na Catalunha, associada ao dia de S. Jorge (23 de Abril). Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros ofereciam às suas damas uma rosa vermelha (de São Jorge) e recebiam em troca um livro. Para além disso, é prestada homenagem a grandes escritores da literatura mundial que nasceram ou morreram nesta data: Shakespeare e Cervantes (falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril), Inca Garcilaso de la Veja ou Vladimir Nabokov. A celebração procura também encorajar as pessoas, especialmente os mais jovens, “a descobrir o prazer da leitura e a respeitar a obra insubstituível daqueles que contribuíram para o progresso social e cultural da Humanidade” (UNESCO).
O livro é comemorado um pouco por todo mundo e Portugal não constitui excepção, sendo muitas as instituições que assinalam este dia, através da realização de feiras do livro, exposições, espectáculos, palestras, declamações ou outras iniciativas. Por exemplo, o movimento de bookcrossing de Portugal vai distribuir gratuitamente livros de autores nacionais em locais públicos, tais como bancos de jardim e paragens de autocarros. No entanto, todas as iniciativas que hoje se realizam não serão demais tendo em conta a realidade nacional. Os portugueses são os europeus que menos lêem. No ano passado 43% dos portugueses não leram um único livro! E, em números redondos, só cerca de um em cada cinco portugueses é que estão agora a ler um livro!! Esta é a pura e dura realidade cultural deste país onde ainda pululam ideias (mal)feitas sobre os livros e a leitura. Ao género de “um doutor é um burro carregado de livros” ou boçalidades do género! Não será, pois, de espantar os preconceitos que ainda abundam em certas cabecinhas pátrias sobre livros e intelectuais, em que se confunde leitura com bibliofagia!!! Não passam de gritantes manifestos de ignorância (ou mais esconsas motivações) em que certos coca-bichinhos tentam demarcar-se, pelos vistos, de supostos bichos (geralmente ratos) de biblioteca. Mas, corações ao alto! No meio destas pretensas confusões há que destacar e saudar este dia dedicado aos livros e à leitura. Ainda para mais quando o panorama internacional no que concerne a livros sobre espeleologia não será o mais auspicioso (e a nível nacional se poderá considerar praticamente inexistente)…
Partilhar livros e flores, nesta primavera, é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, de saber e paixão, é manter viva a chama que nos alenta o coração e nos aquece a alma, é dar continuidade à demanda de emoções que o livro transmite e o Homem sente.
Esta data é simbólica, sem dúvida, pois os livros, tal como as emoções, devem fazer parte da vida de qualquer humano todos os dias, em qualquer momento. As palavras, as páginas, os livros, são termos secos mas contêm em si, cada um, mensagens e sentimentos tão fortes e vivos como a mais pura das crianças.
Hoje é um excelente dia para ler um livro. Ou, melhor, ler e oferecer um livro. Ou, melhor ainda, ler um livro e oferecer um livro e uma rosa... Que tal?

22/04/2009

Viva a Terra


Simplesmente eco-lógico

Hoje comemora-se o Dia da Terra e, por isso, desenvolvem-se inúmeras iniciativas para celebrar esta data. As edições especiais ou suplementos nos media são regra, tais como as inevitáveis palavras ou conceitos-chave: efeito estufa, alterações climáticas, subida do nível médio das águas do mar, energias alternativas, sustentabilidade, pegada ecológica, reciclar, reutilizar, reduzir, etc.. O jornal Público editou um “Suplemento Dia da Terra”, o jornal Metro apresentou uma “edição verde”, inteiramente dedicada a questões ambientais e (pasme-se) em papel verde, onde lançou o projecto Go Green, etc., etc., etc..
Para comemorar este 22 de Abril, o National Geographic Channel apresenta uma maratona de 24 horas de programas sobre o planeta Terra e formas alternativas de promover a sua conservação. No site do National Geographic Channel tem-se acesso ao microsite Dia da Terra 2009, com conteúdos sobre ambiente e vídeos com testemunhos de cidadãos portugueses relatando pequenos gestos que põem em prática por uma cultura ambiental responsável. O Nat Geo Music organiza um concerto a partir da Piazza Del Popolo, em Roma (Itália), com atracções musicais entre as quais se destaca Ben Harper. Enfim, não faltam iniciativas...
Afinal parece que ainda podemos ter alguma esperança face à cegueira ou ao autismo perante a destruição dos recursos naturais. A sensibilização ambiental é crescente e, sobretudo, apesar de muitas vezes as eco-campanhas não passarem disso mesmo (a venda de produtos com base no rótulo “verde”) e as propostas de preservação/conservação da natureza não passarem de tiros ao lado ou mesmo tiros no pé, por vezes constata-se a ocorrência de disparos mais certeiros! Regressar aos estilos de vida dos anos 70, segundo um estudo publicado no International Journal of Epidemiology, para reduzir o consumo, o número de obesos e, inclusive, as emissões de dióxido de carbono?! E se regressássemos a tempos ainda mais recuados? Começamos a “colocar o dedo na ferida”? A necessidade de mudar hábitos de vida para soluções sustentáveis, duráveis, “ecológicas”? Pois, dito assim, nem parece difícil. No entanto, isso implica mudanças reais, concretas, diremos mesmo radicais.
(…) Tempos de crise como os que hoje atravessamos devem-nos levar a repensar muitos do hábitos fáceis que adquirimos. Não basta, por exemplo, trocar as lâmpadas normais por lâmpadas de baixo consumo: é necessário fazer como os nossos avós, que apagavam a luz quando saíam da sala. Não chega escolher um frigorífico mais eficaz ou uma televisão mais económica, é necessário aprender a utilizá-los de forma racional. E não se pode continuar a escolher um automóvel sem olhar para os níveis de emissão de CO2.
Tudo isto e muito mais tem de ser feito porque nem que colocássemos torres eólicas em todas as cristas das nossas serras e forrássemos o Alentejo de painéis solares produziríamos a energia suficiente para as nossas necessidades. As renováveis são boas, mas não resolvem todos os problemas se mantivermos os nossos actuais hábitos de consumo. É bom não ter ilusões.
” [José Manuel Fernandes ● Editorial in jornal Público (Ano XX, nº 6959, 22/Abr. 09)]
Não temos alternativa, temos de ser simplesmente eco-lógicos sempre, porque todos os dias são Dia da Terra. E este Planeta Azul, Terra Mãe ou Gaia, como se lhe queira chamar, é o nosso lar...
Mas hoje o que não falta são as iniciativas, até a Google adornou-se para a ocasião. Aproveite e faça uma busca acerca deste dia e do estado do ambiente planetário.

Salvar a Terra

(…) Oscar Wilde, com o seu humor único, dizia que não valia a pena fazermos nada pelas gerações vindouras, porque, afinal, elas também não fizeram nada por nós. Mas este discurso cínico tem graça, sobretudo quando nos impede de vivermos apenas para os nossos filhos, o certo é que os efeitos dos crimes que cometemos contra a Terra vão cobrar a factura muito mais cedo do que prevíamos. A OMS alerta, por exemplo, para os riscos para a saúde, nomeadamente de mais malária, cólera, asmas, fome e guerra. E menos saúde mental. Ou seja, mesmo por razões egoístas, convém-nos salvar o planeta. (…)

[Isabel Stilwell ● Editorial do jornal Destak (Ano 8, nº 1131, 22/Abr. 09)]

Aprender a respirar

“He drew me up from the desolate pit, out of the miry bog,
And set my feet upon the rock.”
Psalm 40


Não, por muito que possa parecer, não estamos numa de divulgar pessoal com o nome “Cave” (Gruta), apesar deste se tratar de um blogue sobre espeleologia! Ontem foi um Nick, desta feita trata-se de um Andy (também chamado “Cave”) mas o que o traz à colação é, na verdade, a sua obra Learning to breathe: From the depths of the pit to the roof of the world - an extraordinary odyssey.
Aprender a respirar” não só mas também porque hoje se comemora o dia da Terra e esta obra desenvolve-se das escuras profundezas do universo mineiro de Yorkshire aos brilhantes ambientes das mais altas montanhas do planeta. Andy Cave pertence a uma família de várias gerações de mineiros e, tal como os seus parentes, abandonou a escola para trabalhar numa mina. Essa dura e marcante experiência subterrânea fez com que conhecesse intimamente esse mundo de poeira e escuridão. “It is a world full of superstition and ghost stories; a hidden landscape with its own peculiar unchanging lexicon; a world where black humour combats adversity; a world of tall tales.” Depois deu-se a metamorfose que o levaria às mais altas altitudes, a continuidade nos estudos que o conduziria a um doutoramente, a paixão e a desilusão…
This passion of mine had started long ago when, as an inquisitive child, I scrambled up the local pit muckstack. Later, as a teenage coal miner disillusioned with the world of dirt and darkness, I had fallen in love with real mountain climbing. That night, approaching the tent on the knife-edge ridge of a Himalayan peak, little did I know that this love affair was about to end. The following four days would be the most harrowing of my life.
Aprender a respirar: Das profundezas do poço ao tecto do mundo - Uma extraordinária odisseia” abarca ambientes marcadamente distintos e, contudo, com inegáveis similitudes. Mas esta é sobretudo uma história humana, uma viagem interior, uma biografia de Andy Cave, na primeira pessoa.

21/04/2009

Resgates e Habilidades (II)

Por vezes será recomendável adoptar novas posturas, diferentes pontos de vista. Não ficar refém de ideias e preceitos repetitivos, preconcebidos… Por isso hoje apresentamos algo completamente diferente ou, pelo menos, inesperado num blogue sobre espeleo. É certo que o Nick se chama “Cave” (Gruta) mas isso trata-se apenas de uma coincidência. Hoje queremos mesmo é dar(-vos) música…
Leis de Murphy e outros considerandos à parte, não será sensato ignorar os perigos (sejam objectivos ou subjectivos) inerentes à prática de actividades de ar livre, entre as quais se inclui a espeleologia. E se a melhor forma de encarar os incidentes e os acidentes será baseada na prevenção, também é certo que a aposta no adequado resgate/salvamento é fundamental. E isto porque: os acidentes irão acontecer (accidents will happen)…

20/04/2009

Resgates e Habilidades

A propósito de incidentes e acidentes e respectivos resgates e/ou salvamentos, sejam num contexto de montanhismo ou de espeleologia, será de reiterar a questão das habilitações ou habilidades - como se queira - das equipas envolvidas. Há que dominar as técnicas de resgate/salvamento e pertencer a uma equipa com protocolos de actuação bem "oleados". Tudo o resto não passará de "boas" ou delirantes intenções. No entanto, nem sempre isso bastará...

Granada Subterrânea


Amanhã, dia 21 de Abril, realiza-se a apresentação do 4º livro da série Granada Subterrânea, sob o título “Exploraciones bajo el desierto de piedra”, que aborda as cavidades naturais dos municípios granadinos de Alhama de Granada e Arenas del Rey (Andaluzia).

[Fonte: EC/DC]

17/04/2009

Túneis

A foto do dia do jornal Global de hoje (Ano 2, nº 373, 17/Abr. 09) não sendo sobre espeleologia trata de subterrâneos... Neste caso, artificiais. Aqui fica a digitalização da imagem e o texto que a acompanha.

Foto do dia

PALESTINA Um palestiniano desce para um túnel que, partindo da Faixa de Gaza, o levará até ao Egipto. Estes túneis na fronteira - que nem Israel nem o Egipto conseguem eliminar - são usados para contrabandear alimentos, medicamentos, combustíveis… mas também armas e munições.


Palestina © Ali Ali – EPA/LUSA

16/04/2009

Iniciação à espeleologia

A Escola Portuguesa de Espeleologia, o Departamento de Ensino da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE), vai realizar, de 6 a 24 de Maio, um Curso de Iniciação à Espeleologia. O curso tem como “objectivo dar aos participantes a capacidade de visitar uma gruta de dificuldade média, quando enquadrados por chefes de equipa habilitados, e descobrir globalmente os diferentes aspectos culturais, científicos e ambientais relacionados com as grutas e regiões calcárias”.
Para mais informações consulte o site da SPE.

Jornalistas

Bien, mais uma definição-zinha da Uncyclopedia. Desta feita, trata-se de saber o que é um "jornalista"...

"A journalist is a professional truth-teller, most often employed by the government of the country that she lives in. Journalists provide very important, useful, and timely information to keep the public safe. For example, viewers and readers can rest assured that they'll always be up-to-date on the sexual partners of Angelina Jolie, Brad Pitt, and Lindsay Lohan. Some have argued that this only really matters to the future sexual partners of Angelina, Brad, and Lyndsey (e.g. - not you). Unfortunately for these critics, they don't work for a major advertising agency.
By the way, there might be a killer at your window, and he may be about to rape your children. We'll tell you how you can protect them tonight at 10.
"

Blogosfera e Imprensa

[José Pacheco Pereira ● “A lagartixa e o jacaré” in revista Sábado, nº 259, 16 a 22 de Abril de 2009, p. 11]

“(…)
Ter “boa blogosfera” é hoje o mesmo que ter “boa imprensa”

Hoje o jornalismo dos principais órgãos de comunicação não tem independência face à blogosfera dos jornalistas. Participam nela, fazem parte dela, tribalizam-se nela. Transportam para a blogosfera o mundo das “bocas” de redacção. Depois regressam à redacção com as mesmas “bocas” centuplicadas por um exercício de massagem colectiva do ego via posts, comentários e mensagens no Twitter. No pack journalism dos dias de hoje, o rebanho forma-se nos blogues. Criam-se laços que envolvem um número muito escasso de pessoas, 100 no máximo dos máximos, que passam o dia numa logomaquia opinativa feita de amores e ódios e depois transportam para o que escrevem o mesmo caldo de cultura claustrofóbico que é hoje a blogosfera portuguesa, salvo raras excepções. Por isso, hoje, ter “boa imprensa” significa ter “boa blogosfera”, e o mundo do debate público empobrece-se cada vez mais.
(…)”