16/04/2009

Jornalistas

Bien, mais uma definição-zinha da Uncyclopedia. Desta feita, trata-se de saber o que é um "jornalista"...

"A journalist is a professional truth-teller, most often employed by the government of the country that she lives in. Journalists provide very important, useful, and timely information to keep the public safe. For example, viewers and readers can rest assured that they'll always be up-to-date on the sexual partners of Angelina Jolie, Brad Pitt, and Lindsay Lohan. Some have argued that this only really matters to the future sexual partners of Angelina, Brad, and Lyndsey (e.g. - not you). Unfortunately for these critics, they don't work for a major advertising agency.
By the way, there might be a killer at your window, and he may be about to rape your children. We'll tell you how you can protect them tonight at 10.
"

Blogosfera e Imprensa

[José Pacheco Pereira ● “A lagartixa e o jacaré” in revista Sábado, nº 259, 16 a 22 de Abril de 2009, p. 11]

“(…)
Ter “boa blogosfera” é hoje o mesmo que ter “boa imprensa”

Hoje o jornalismo dos principais órgãos de comunicação não tem independência face à blogosfera dos jornalistas. Participam nela, fazem parte dela, tribalizam-se nela. Transportam para a blogosfera o mundo das “bocas” de redacção. Depois regressam à redacção com as mesmas “bocas” centuplicadas por um exercício de massagem colectiva do ego via posts, comentários e mensagens no Twitter. No pack journalism dos dias de hoje, o rebanho forma-se nos blogues. Criam-se laços que envolvem um número muito escasso de pessoas, 100 no máximo dos máximos, que passam o dia numa logomaquia opinativa feita de amores e ódios e depois transportam para o que escrevem o mesmo caldo de cultura claustrofóbico que é hoje a blogosfera portuguesa, salvo raras excepções. Por isso, hoje, ter “boa imprensa” significa ter “boa blogosfera”, e o mundo do debate público empobrece-se cada vez mais.
(…)”

Campamento Galego


15/04/2009

Geólogos

Um amigo enviou-me um e-mail com uma ligação à Uncyclopedia acerca da definição de geólogo... Não resisto a publicar a "coisa" :)

"Geologists are 'scientists' with an unnatural obsession with geology (rocks and alcohol). Often too intelligent to do monotonous sciences like biology, chemistry, or physics, geologists devote their time to mud-worrying, volcano poking, fault finding, bouldering, dust-collecting, and high-risk colouring. One of the main difficulties in communicating with geologists is their belief that a million years is a short amount of time and their heads are harder than rocks. Consequently, such abstract concepts as "Tuesday Morning" and Lunchtime are completely beyond their comprehension. (This difficulty generates problems particularly when dealing with the girlfriend/boyfriend/spouse and attempting to explain why you were "gone for so long" or why something is taking "so long to occur.")"

DVD sobre Cabo Espichel

O Centro de Estudos e Actividades Especiais da Liga para a Protecção da Natureza (CEAE-LPN) acaba de lançar um DVD que resume um ano de explorações: Cabo Espichel - Retrospectiva de Exploração. O DVD pode ser descarregado a partir do site do CEAE-LPN.
Para mais informações consulte o site do CEAE-LPN ou o blogue Fabuloso Mundo Subterrâneo.

No Umbigo do Mundo

A Expedição Rapa Nui 2009 foi um êxito. A equipa explorou mais de seis quilómetros de galerias (no 11º maior sistema lávico do mundo).


Campamento Andaluz


13/04/2009

Sem palavras

Como se costuma dizer que “uma imagem vale mais do que mil palavras” escusamo-nos de proferir uma que seja. Com ou sem palavras, o significado das coisas não se esgota nessa forma de comunicação. Outras há tão ou mais eficazes... Se nos lembrarmos dos mediáticos cartoons de Maomé facilmente constatamos o poder da ausência de palavras! Essa ausência (qual sedução) permite o preenchimento desse suposto vazio por tudo aquilo que as nossas mentes tenham capacidade de discorrer...

Acidentes vão longos

Esta notícia que saiu hoje no jornal Global, e foi publicada no Diário de Notícias, transmite-nos a crescente preocupação face ao aumento do número de resgates que se tem verificado na Serra de Santa Justa (Valongo). De resto, não se compreende muito bem se se pretende um regresso a um pretenso passado pintado a cores edílicas ou se se deseja partir para a solução, corriqueira nos dias de hoje, de proibir e “resolver o mal pela raiz”. Às tantas seria recomendável colocar sinalética de alerta e, eventualmente, avançar com algumas obras de protecção. De resto, a situação até poderá ser encarada com algum positivismo: ao ritmo a que os bombeiros estão a intervir pode ser que ganhem rodagem e passem a constituir equipas de resgate de qualidade: rapidas, eficazes e seguras.
Serra de Santa Justa (Valongo) © Luis Costa Carvalho (in jornal Global)

"Aumentam os acidentes na serra de Valongo

[jornal Global, Ano 2, nº 369, 13/Abr. 09]

Fojos das antigas minas com 50 a 70 metros de profundidade constituem autênticos perigos.

São 80 hectares de serra, o principal pulmão verde da Área Metropolitana do Porto, e que todos os fins-de-semana recebe em média cerca de 200 pessoas que ali praticam desportos radicais ou fazem piqueniques. O problema é que na Serra de Valongo existem autênticas ratoeiras, fojos a céu aberto, pertencentes às antigas minas romanas de extracção de ouro, cobertos pela vegetação e com uma profundidade de 50 a 70 metros. Nos últimos meses os bombeiros tiveram um aumento de 70 por cento de solicitações, devido às pessoas que ali caem e sofrem fracturas múltiplas.
Durante décadas a Serra de Santa Justa, em Valongo, era procurada por quem a conhecia bem, nomeadamente pelos moradores das redondezas. Os acidentes nas galerias eram raros mas a verdade é que, desde que o parque municipal foi criado, fazendo ligação directa com a serra, o cenário inverteu-se. Os frequentadores do parque ao entrar na serra não têm qualquer sinalética de alerta para os perigos e os acidentes acontecem. “Há cerca de uma semana duas crianças que jogavam à bola no parque entraram na zona da vegetação e perderam-se. Quando recebemos o alerta dos pais a nossa preocupação foi a de procurar junto às aberturas dos fojos das minas mas, até para nós, esse é um trabalho difícil devido ao facto da serra não estar cartografada”, afirmou ao DN Gilberto Gonçalves, comandante-adjunto dos Bombeiros de Valongo. Felizmente os dois irmãos, de seis e nove anos, foram encontrados e livres de perigo.
“Temos retirado pessoas do fundo dos poços, muitas são encontradas imobilizadas com fracturas múltiplas sofridas devido à queda. Outras não sofrem danos mas depois percorrem as galerias subterrâneas e desaparecem”, acrecenta o bombeiro. Uma operação de resgate pode demorar cinco a seis horas. Desportos radicais, espeleologia, parapente e local para merendas são os argumentos que levam a que actualmente a serra tenha uma procura fora do normal. Enquanto há dez anos os bombeiros eram chamados à serra em emergência uma vez por ano, agora são duas a três vezes por mês."

Mais do mesmo?

"Património está esquecido

[Ana Afonso Nunes ● jornal Público, Ano XX, nº 6949, 12/Abr. 09, p. 18]

A Gruta do Zambujal, em Sesimbra, classificada como Monumento Natural há 30 anos devido ao seu património único a nível nacional, encontra-se em estado de degradação após algumas derrocadas no seu interior que levaram à perda de formações muito importantes e que eram essenciais e únicas a nível nacional, denuncia Francisco Rasteiro, presidente do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA).
O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), a quem compete a responsabilidade pela gestão da gruta, desvaloriza a situação, considerando que “esta queixa não faz sentido”.
A história desta gruta remonta ao período Jurássico Médio, mas foi descoberta apenas em 1978 durante trabalhos de uma exploração de inertes situada no local pertencente ao Parque Natural da Arrábida. Nessa altura, já tinha sido alvo de trabalhos de extracção de pedra.
Classificada no ano seguinte, nunca teve um regulamento, obrigatório a todo o património classificado. Francisco Rasteiro recorda que entre 1994 e 1997 terão ocorrido várias derrocadas no local: “Na segunda visita que fiz a esta gruta existiam máquinas da pedreira a trabalhar numa parede, situação que na altura foi alvo de uma queixa ao Fórum Ambiente.”
Em 1998 terão sido tentadas negociações com o ICNB que “não deram em nada”, acrescenta Francisco Rasteiro, para quem “a autarquia e o ICNB terão tido medo de expropriar os terrenos” que actualmente se encontram fechados ao público.
Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra, esclarece que “houve actos de vandalização na gruta quando foi descoberta”, mas que actualmente “a gruta está bem conservada”. E partilha a opinião do NECA, segundo a qual há potencial interesse turístico por explorar: “Havia um acordo para a exploração turística do local através de uma empresa com a participação da autarquia.” Porém, o projecto acabou por ser abandonado posteriormente, quando o Plano de Ordenamento da Arrábida não o permitiu.
O ICNB afirma que “devido às derrocadas que já existiram fez vedações para proteger os valores naturais da gruta”, encerramento que, para o espeleólogo “não está adequado para a protecção do microclima existente no interior da gruta, pois há luz, o que origina fungos”. O autarca sesimbrense tem outro relato ainda sobre os factos, afirmando que “há dez, 12 anos o então presidente da câmara mandou colocar pedras grandes para bloquear a entrada da gruta e preservá-la”.
O Instituto de Conservação da Natureza afirma que “as derrocadas se deram apenas no exterior, não tendo existido perturbação no interior”, acrescentando que “a entrada na gruta só é autorizada neste momento para fins de monitorização”, nomeadamente da comunidade de morcegos situada no interior.”


*****

Gruta do Zambujal (Arrábida) © Francisco Rasteiro (1995)

A Gruta do Zambujal, depois de um período de anonimato (quase diria, de estranho silêncio e esquecimento!), voltou à ribalta por motivos recorrentes. Mais uma vez as derrocadas, o encerramento em vigor, as vontades de parar com a exploração de pedra e passar a usos turísticos! Derrocadas internas não se verificaram, apenas se registaram derrocadas externas, motivo pelo qual foi encerrada a gruta! Primeiro era preciso encerrar a cavidade sob pena de a delapidação da mesma continuar de forma irremediável, depois tornou-se fundamental abrir a gruta ao turismo para garantir a sua preservação! E agora?… Agora, realmente de novo, regista-se a posição frontal do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade face às críticas: estas não têm sentido.
Para quem não tenha reparado, o jornal e/ou a revista Forum Ambiente não se tratavam de uma espécie de “provedor do património subterrâneo” que se pronunciava face a eventuais queixas apresentadas. Foram simplesmente órgãos informativos que veicularam conteúdos noticiosos considerados relevantes e foi nesse contexto que divulgaram, mais de uma vez, a situação caricata da Gruta do Zambujal. Aliás, graças a essas peças jornalísticas (e outras publicadas noutros órgãos noticiosos) é hoje possível “montar” (ou “desmontar”, como queiram) a evolução de acontecimentos em torno da Gruta do Zambujal. Será também muito interessante fazer uma leitura das entrelinhas ou das gritantes lacunas face ao discurso veiculado nas diversas ocasiões… Se é certo que para um bom entendedor meia palavra basta, também não será despropositado focarmo-nos precisamente nos significados encerrados na ausência das ditas (palavras, entenda-se). Tão ou mais importante quanto aquelas que foram expressas, os seus significados ou os contextos inerentes às mesmas. Enfim, exercícios que se recomendam àqueles que verdadeiramente se preocupam com a conservação/preservação do património espeleológico para além de inconfessos interesses individuais ou de grupos de pressão.
Não deixa igualmente de ser interessante o argumento da(s) derrocada(s) que, afinal de contas, se revela um pau de dois (ou mais) bicos, consoante o uso que se queira fazer desse(s) pretenso(s) acontecimento(s). Aliás, tal “argumentação” não é nova nem, muito menos, surpreendente. Já tínhamos assistido a algo parecido no tocante à Caverna do Poço dos Mouros, sita na Rocha da Pena (Algarve). Depois de ter sido divulgada a situação de eminente derrocada da referida caverna esta notícia propagou-se e ganhou direitos de “verdade” insofismável à medida que era, pura e simplesmente, repetida! A "coisa" até deu direito a cartaz de alerta e essa verdade lapalissada (que rima com palhaçada) ainda hoje é repetida por espeleólogos e/ou cientístas da nossa praça... Diz-se que uma mentira de tantas vezes ser repetida se torna numa verdade, não é? Moral da história: passadas quase duas décadas ainda se aguarda a derrocada da cavidade!?... Também se diz que pior que uma mentira será uma meia verdade... E, nesse pressuposto, é certinho que algum dia a cavidade irá ruir, não é? Pois bem, fiquemos por aqui; porque, mais uma vez, para bom entendedor…
Por último, gostaria apenas de chamar a atenção para o jornalismo que se pratica e, claro, desafiar os leitores a fazerem uma leitura critica da peça noticiosa em questão. E, já agora, se estiverem para ai virados, releiam o que foi publicado na Forum Ambiente sobre a Gruta do Zambujal e façam os respectivos juízos de valor (a maior parte das peças já se encontram publicadas no Spelaion). E, claro, façam também uso e "abuso" da dita leitura critica. Já existe suficiente matéria publicada para se poderem retirar algumas conclusões. Antes isso!!!
Caverna do Poço dos Mouros (Algarve) © João Varela (2004)

09/04/2009

Tempos de mu-danças (IV)


Apesar de muitos preverem que a "coisa" está a meter água, no que toca à evolução o caminho está em aberto... Portanto: ainda há esperança, não é? Boa Páscoa!

Tempos de mu-danças (III)

Evolução e/ou involução? Os cenários, como não poderia deixar de ser, são diversos...