05/03/2009

Descent 205/206


O penúltimo número da revista Descent (205), de Dezembro de 2008/Janeiro de 2009, já está à disposição dos interessados. Entre os diversos conteúdos que se encontram nesta edição destacamos o artigo “Proving Martel’s Postulate”. Este artigo aborda a procura de ligação entre a Bagshawe Cavern e a sua ressurgência que demorou muitos anos mas, por fim, foi atingida através de espeleo-mergulho. Não nos esqueçamos de que este ano se comemora o 150º aniversário de Édouard-Alfred Martel.

P.S. (6/03/2009): Por lapso referimos que a edição 205 da Descent seria o último número da revista (Fevereiro/Março de 2009). Na realidade, a última edição refere-se ao número 206. Pelo facto, as nossas desculpas. Por vezes, plagiar ideias pode servir para alguma coisa... Também pelo facto, o nosso obrigado :)

Euryale 2


O número 2 da revista Euryale, de Dezembro de 2008, encontra-se à venda deste o início do presente ano. Esta revista, editada pela Sociedad de Ciencias Espeleológicas Alfonso Antxia, pode ser visualizada em formato PDF.

04/03/2009

Simples(mente) VIVER

Sim, eu sei que directamente este vídeo sobre Nick Vujicic nada tem a ver com o fio de ariane deste blogue: as grutas. Mas, depois de publicar a sequência de postsViver numa caverna” não resisti em colocar esta “mensagem” no Spelaion
Quer se viva numa gruta ou noutro sítio qualquer, a questão primordial centra-se em como vivemos: na dignidade humana e, sobretudo, na grande força que se encerra/esconde em cada um de nós... Sim, no fundo de nós, no nosso interior, nas nossas profundezas, existe algo mais do que a simples superficialidade, a banalidade, a derrota ou os ancestrais medos que se substanciam em tribalismos decadentes ou na mediocridade comezinha do dia-a-dia… Mas palavras para quê?
Are You Going To Finish Strong?

Viver numa caverna (V)

Gruta da Quinta da Moura (Oeiras) antes de ter sido destruído o que ainda restava do muro de pedra da entrada. [© Pedro Cuiça (1998)]

Não há dúvida de que a vida nos cega para muitas coisas!... Um excelente exemplo disso é, indubitavelmente, o fenómeno de viver em grutas. De tão subterrâneo que é passa ao lado da maior parte da população que se vê diariamente confrontada com o mesmo, sem o ver!!! Sobre o assunto não posso deixar de referir aquilo que foi escrito no blogue As Minhas Pequenas Coisas. Também é interessante ler os comentários a esse post.

"Homens das Grutas
Acabei de ver no telejornal da SIC uma reportagem com o nome "Homens das Grutas". Como sempre acontece, fiquei chocada com a miséria em que algumas pessoas vivem.
Pelo que diz na reportagem, existem pelo menos 1200 sem-abrigos só na cidade de Lisboa. 1200 pessoas que vivem nas ruas, faça chuva ou faça sol. Pessoas que comem os restos que encontram no lixo, que vestem roupa em péssimas condições, que dormem no chão dia após dia.
Não consigo imaginar o desespero destes homens e mulheres. Deve ser frustrante viver na mais absoluta miséria e sentir que ninguém lhes deita a mão.
Que tragédia lhes terá acontecido para acabarem assim, sem família, sem amigos, sem trabalho, sem nada?
Mário e João são os nomes dos homens que ousaram dar a cara para mostrar este flagelo às portas de Lisboa. Rostos cansados, frustrados, sem esperança. O primeiro não tem família, mas assegura ter amigos que tentam ajudá-lo. Mas o segundo caso chocou-me mais: tem família.
João disse à jornalista que tem família, tem filhos e estes sabem onde ele vive. Mas mesmo assim, em três anos, nunca o visitaram. Deve ser preciso um coração de pedra para saber que o nosso pai, filho, irmão, primo, tio, vive numa gruta, rodeado de ratos e de cobras, e não fazer nada para o ajudar.
Mário não vai ao médico, mesmo quando fica doente. Procura medicamentos no lixo das outras pessoas, e é com eles que combate as doenças. Enfim. Já João tem para almoçar somente um pão. Sem mais nada, só um pão.
Quando a jornalista lhe pergunta quando dinheiro tem consigo, João é rápido a contá-lo. 31 cêntimos. Somente 31 cêntimos. "Eu não roubo nada a ninguém", garante.
Não entendo como é que se consegue ficar indiferente a situações destas. É preciso ser muito desumano para não ajudar o próximo."


Viver numa caverna (IV)

Gruta habitada de forma intermitente situada no concelho de Lisboa. [© Pedro Cuiça (2009)]

O Diário de Notícias de 17 de Janeiro de 2009 deu a conhecer o caso de um homem que habita numa gruta, como se tal fosse único! Segundo essa fonte: “Manuel Maria Dias, 80 anos, é talvez o último dos homens primitivos a viver em Portugal. Tem milhares de euros a receber da reforma mas habita uma caverna escavada entre duas pedras em Seixo da Beira, concelho de Oliveira do Hospital.” Acontece que se tal comportamento será de estranhar, tendo em conta que nos encontramos no século XXI, ou seja mais de 30 mil anos depois dos famosos trogloditas do Paleolítico (vulgo “homens das cavernas”), fazer de uma gruta habitação não é caso único no nosso país. De facto, conhecemos vários exemplos, espante-se, na Área Metropolitana de Lisboa… Sim, em plena capital e seus arredores. E se a tão falada (e cada vez mais sentida) crise se acentuar talvez se assista a um recrudescimento do fenómeno. Falamos de recrudescimento porque há algumas décadas atrás centenas de pessoas habitaram em grutas na região de Lisboa…
Mas regressemos à notícia em causa. Segundo o autor, Amadeu Araújo: “Não há luz, nem água canalizada. A higiene, da casa e a pessoal, é feita ao lado dos cobertores estendidos no chão enlameado. A barba e as unhas demonstram o isolamento a que se votou. Ao lado das penedias em que habita, está o início de um barracão que a junta de freguesia iniciou. De nada valeu. Manuel Maria Dias é um homem livre. Nem a reforma quer. "Tem algum jeito nunca ter dado nada ao Estado e agora querem dar-me a mim?", pergunta-se.” O octogenário mora num terreno que o pai comprou “antes de ir para o Brasil”. A casa, como chama ao seu abrigo desde há cerca de cinco anos, são duas pedras cobertas com plástico e pinheiros. “Lá dentro uma protuberância das rochas guarda a água que serve para cozinhar e limpar. Ao lado está a cama e ao fundo, numa reentrância dos penedos fica a dispensa.
As compras “são feitas uma vez por mês”, quando vai à feira e os seus dias são passados na lavoura... “Semeio centeio e faço pão.” A carne que come só é comprada “de vez em quando”. E o frio? - pergunta o jornalista. “Agacho-me aqui e faço uma fogueira.” A fogueira encontra-se no mesmo buraco onde dorme e é alimentada com lenha que vai queimando à medida das necessidades. Apesar de tudo, é aqui que Manuel é feliz, ao ponto de rejeitar mudar de vida. “Sou feliz aqui. É a vida de um pobre homem só. Triste mas uma vida.

Gruta habitada de forma permanente situada no concelho de Oeiras. [© Pedro Cuiça (2009)]

Viver numa caverna (III)

Uma notícia publicada no jornal Hoje on line (edição 861, de 8 de Fevereiro de 2009), da autoria de Marjorie Avelar, revela que um homem vive, há 12 anos, numa gruta situada no Morro do Mendanha (Brasil). A equipa de reportagem que esteve no local referiu que o cenário era assustador: “latas de todo tipo e marcas espalhadas pelo chão, urso de brinquedo em cima de um pedaço de pau, restos de peças de carros como se servissem de decoração para a “casa” e centenas de pedras empilhadas serviam para uma espécie de pequena caverna”.
Edson Guimarães, de 62 anos, contou os motivos que o levaram a viver no local desde 1997: “Sou aposentado do antigo DNER, hoje Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), desde os 38 anos”. A opção de viver numa gruta surgiu de repente, sem qualquer planeamento prévio. Na época em que era vigilante nocturno do DNER, no Rio de Janeiro (depois em Brasília e em outros lugares), a vida não lhe correu de feição, tendo enfrentado diversos problemas que culminaram na sua reforma compulsiva.
O homem fez aquilo que, em seu entendimento, era a melhor opção: aliar a sua falta de paciência para conviver com outras pessoas, com a falta de dinheiro e o amor pela natureza. O dono das terras apareceu apenas uma vez, em 1997, quando soube que um “invasor” tinha vindo habitar na gruta. Dirigiu-se ao local com três seguranças mas ficou tudo por ai, quando o proprietário viu que Edson era pacato e que gostava de livros... Nunca mais voltou.
Ao lado da despensa, situada na gruta, existe um fogão improvisado com pedras, onde Edson faz uma fogueira para cozinhar. “Tudo que é meu tenho de mocozar, porque já fui vítima de furto várias vezes. O povo sabe que tenho algumas coisinhas e vem aqui para me roubar”, reclamou. “Também escondo o álcool que uso para fazer comida, porque alguns amigos vêm aqui com a desculpa de me ver, mas querem bebê-lo com água e açúcar”, relatou o aposentado.
Dentro da sua habitação rupestre, além da Bíblia, Edson possui mais de 60 livros. Os preferidos são aqueles que contam histórias policiais. No entanto, o autor que mais gosta é Willian Shakespeare. Um velho rádio a pilhas é o máximo de tecnologia que tem dentro de casa, i.e. da sua gruta.

Viver numa caverna (II)

A RTP noticiou, no dia 24 de Janeiro de 2009, que um pescador vive numa gruta, há 20 anos, na ilha do Príncipe (São Tomé e Príncipe). Firmino Tavares, de 57 anos, disse à RTP que se sente bem isolado, a viver na gruta, mas que sonha com uma casa de verdade.


Viver numa caverna (I)

Maria Mota da Silva vive há dois anos numa gruta situada na margem do rio São Francisco, perto da cidade de Delmiro Gouveia (Brasil). Esta mulher de 59 anos, também conhecida como “Maria dos Pastéis”, trocou o conforto de sua casa para viver com o marido, Manoel Gomes, de 28 anos.
A Maria dos Pastéis possui três barcos para efectuar o transporte das mercadorias necessárias à subsistência do casal e para vender aos turistas. “Faço isso uma vez por semana. Dia 7 de janeiro [de 2009] completamos dois anos de vida aqui. A vantagem é que não tem confusão e nem barulho. Só mesmo o som das águas.” - declarou à Globo.
O casal optou por morar na gruta por ser um local onde podiam usufruir da natureza, tranquilo e próximo do local de trabalho. “Aqui é muito saudável, mas eu não nado porque tenho medo dessa água. É bom viver aqui porque não tenho stress e ainda consigo trabalhar.
É de barco também que ela e o marido saem para trabalhar quando há passeios turísticos pelos canyons da Usina Hidrolétrica de Xingó. “A gente pega as nossas coisas assim que o primeiro barco com turistas passa por aqui”, disse Maria dos Pastéis. O trajeto de barco, sem motor, é de aproximadamente 400 metros. A gruta onde vive o casal fica no caminho das embarcações que levam os turistas para um mergulho nas águas do Rio São Francisco. O destino dos passeios turísticos é o atracadouro no meio de um dos canyons da região.

03/03/2009

Desígnio inteligente!

Cientistas e teólogos reúnem-se nos próximos dias no Vaticano para discutir a teoria do “desígnio inteligente”, que pretende encontrar sinais de Deus na evolução das espécies, como forma de assinalar o bicentenário de Charles Darwin.
O colóquio, que decorre até sábado na Universidade Pontifícia Gregoriana, destina-se a proporcionar uma “abordagem critica” à herança do autor da “Origem das Espécies”, livro fundador da teoria da evolução de que se comemora também este ano o 150º aniversário da publicação.
Sobre o encontro, intitulado “Evolução biológica: factos e teorias”, o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, arcebispo Gianfranco Ravasi, considerou “cada vez mais importante e exigência de um diálogo entre a ciência e a fé, porque nenhuma das duas pode esgotar a complexidade do mistério do homem.
O prelado absteve-se no entanto de comentar a teoria do “desígnio inteligente”, em voga em certos meios cristãos, sobretudo nos Estados Unidos, por não rejeitar - ao contrário do criacionismo - as descobertas científicas sobre a evolução natural.

[Fonte: Global - Ano 2, nº 341, 3 de Março de 2009]

02/03/2009

Mais uma derrocada no Zambujal?!

O Diário de Notícias de hoje apresenta um artigo, da autoria de Roberto Dores, sob o titulo “Derrocada Ameaça Gruta do Zambujal”. Trata-se, mais uma vez, de um alerta por parte do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) acerca da destruição da Gruta do Zambujal. O assunto já não é novo (bem pelo contrário), a novidade refere-se a uma pretensa “derrocada com a construção de uma estrada na zona”. Sobre o assunto, a destruição do Zambujal, já tivemos oportunidade de escrever diversas peças jornalísticas sendo, deste modo, interessante seguir a evolução dos acontecimentos. Só para dar alguns exemplos (outros se encontram no Spelaion): Encerramento do Zambujal I, II, III e IV ou Zambujal: Tudo na mesma ou Zambujal I (da autoria do meu querido amigo António Martins).
A notícia de hoje foi veiculada por Francisco Rasteiro, presidente do NECA, que ao ter visitado a gruta recentemente deparou com um cenário “desolador”. Segundo descreve Roberto Dores, do DN, esse espeleólogo sesimbrense deparou com “formações únicas completamente destruídas, como consequência das obras de construção dos acessos a uma torre de controlo do tráfego marítimo na Serra dos Pinheirinhos”.
Houve a necessidade de retirar rocha num processo que durou seis meses. Nós denunciámos o risco que isso representava para a gruta, até porque se avançou para os trabalhos sem um estudo de impacte ambiental que permitisse apurar os danos que as obras iriam causar. A derrocada que se registou não nos surpreendeu totalmente", lamentou o presidente do NECA ao DN.
A notícia em causa prossegue com alguns considerandos acerca do aproveitamento turístico da gruta (questão também recorrente), no entanto resta saber se tal será sensato ou até possível... É que tantos anos de destruições, mais ou menos paulatinas, desfiguraram aquela que já foi considerada a "pérola da espeleologia a sul do Tejo" de forma irreversível. A Gruta do Zambujal não é hoje mais do que uma caricatura daquilo que já foi!


[Fotografias: Gruta do Zambujal (Arrábida) © Francisco Rasteiro]

30º Congresso Brasileiro de Espeleologia

O professor Ronaldo Lucrécio Sarmento enviou-nos um e-mail de divulgação do 30º Congresso Brasileiro de Espeleologia. O evento é organizado pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) e irá decorrer, de 6 a 15 de Julho, na cidade de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Um dos “eixos temáticos do evento” centra-se no Decreto 6.640-2008 sobre a protecção de grutas e abrigos e, dessa forma, também sobre o futuro da própria espeleologia brasileira. Além deste assunto central vão também estar sobre a mesa outras temáticas de igual relevância e interesse, nomeadamente diversas actividades de campo.
Para mais informações sobre o 30º Congresso Brasileiro de Espelelogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Espeleologia ou contacte directamente o Presidente da Comissão Organizadora do evento, prof. Ronaldo Sarmento, através dos seguintes e-mails: ronacapcaverna@gmail.com, ronacapcaverna@hotmail.com e ronaldo_sarmento@yahoo.com.br.

Descoberta de cavernas

Colômbia
Complexo subterrâneo


© Javier Casella/AFP
O exército colombiano divulgou, no passado sábado (dia 28 de Fevereiro), a descoberta de um complexo de cavernas naturais na selva da região meridional do país (estado de Meta). O complexo subterrâneo descoberto merece especial relevância pois era usado pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como importante centro de comando. A missão do exército consistia na busca do esconderijo utilizado por um alto comandante das FARC, mas em vez disso acabou por encontrar cavernas (11) com capacidade para abrigar até meio milhar de guerrilheiros em caso de ataques aéreos.
Segundo as informações veiculadas, as cavernas, até há pouco secretas, interligam-se entre si formando uma complexa rede subterrânea. Esta rede servia de depósito de equipamento, fábrica de armamento, “hospital” e refúgio. O exército descobriu milhares de quilos de explosivos fabricados in situ, nomeadamente minas terrestres e morteiros. Segundo o Ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, o exército também encontrou instalações médicas: “Em algumas cavernas, encontramos hospitais completos. Isso prova que os feridos, inclusive os líderes do bloco oriental das FARC, podem ter se recuperado lá de seus ferimentos, e ter sido enviados de volta para o combate”. Os hospitais subterrâneos encontrados na Colômbia lembram os usados pelos combatentes comunistas durante a Guerra do Vietname. As instalações incluem uma sala de cirurgia improvisada e equipamento para executar uma operação odontológica. Os soldados também encontraram instrumentos médicos usados em cirurgias de aborto nas guerrilheiras das FARC.