26/02/2009
A Evolução de Darwin II
Monsanto Subterrâneo
A iniciativa designada “Na Mira da Mina” numa primeira fase circunscreve-se à Mina de Água Teresa Saldanha e Sousa mas posteriormente estender-se-á a outras minas de água. As visitas iniciam-se no Espaço Monsanto (Centro de Interpretação), são enquadradas por Rui Marques (técnico da DESA) e os participantes são equipados devidamente, com capacete, galochas e iluminação.
Neste momento, a actividade “Na Mira da Mina” centra-se na descoberta da Mina de Água Teresa Saldanha e Sousa, situada no Espaço Biodiversidade do Parque Florestal de Monsanto. Após um primeiro momento de acolhimento e enquadramento, por parte de Rui Marques, os participantes exploram um percurso subterrâneo onde são abordadas várias temáticas, focando em particular a problemática da água e da geologia na Serra de Monsanto e sua envolvente, nomeadamente no que concerne à abertura de diversas minas de água. Actualmente conhecem-se 28 minas de água em Monsanto, das quais cinco são passíveis de serem visitadas.
Esta actividade constitui uma oportunidade única de conhecer outra faceta da Serra de Monsanto (o seu lado subterrâneo), devidamente enquadrado. Esta trata-se de uma iniciativa tão inusual e diferente quanto interessante e cativante. Vá e veja…
A realização das actividades está dependente das condições meteorológicas. Para mais informações ou marcação de visitas, contacte a DESA através do telefone 218 170 200 ou do e-mail desa@cm-lisboa.pt.
Mina de Água Teresa Saldanha e Sousa © Pedro Cuiça (2009)
[fotografia topo: Rui Marques/Mina de Água Teresa Saldanha e Sousa © Pedro Cuiça (2009)]
13/02/2009
Parabéns Martel
E visto que estamos em “maré” de comemorações, não devemos esquecer que no presente ano também se comemora o nascimento daquele que é considerado o pai da espeleologia: Édouard-Alfred Martel. De facto, este grande pioneiro da exploração e estudo das cavernas nasceu em Pontoise (França) no dia 1 de Julho de 1859, há 150 anos. Martel visitou milhares de grutas no seu país e muitas outras no estrangeiro, incluindo Portugal. Donc, félicitations Monsieur Martel...
A Evolução de Darwin
A exposição A Evolução de Darwin encontra-se aberta ao público, na Fundação Calouste Gulbenkian, desde ontem (dia 12 de Fevereiro) até dia 24 de Maio de 2009. O evento integra-se nas comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação de A Origem das Espécies.A Evolução de Darwin trata-se de uma exposição sobre a história das concepções acerca da evolução das espécies desde o século XVIII até aos nossos dias. “A partir de uma recriação da viagem do Beagle, percebemos como Charles Darwin chegou à teoria da Evolução por Selecção Natural e convenceu o mundo de que todas as espécies evoluíram a partir de um ancestral comum.”
Esta é sem dúvida uma das melhores exposições a nível mundial sobre Darwin e a evolução; uma iniciativa a não perder. Para mais informações, consulte a Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian (aberta de terça a domingo das 10.00 às 18.00), o site da exposição ou utilize o telefone 217 823 523.

Genoma dos neandertais

Svante Pääbo, director do departamento de Antropologia Genética do Instituto Max Planck, anunciou oficialmente, ontem (dia 12 de Fevereiro), no congresso da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Chicago (USA), que a sua equipa conseguiu fazer aquilo que andava há anos a tentar: ler o genoma dos neandertais, “esses homens das cavernas que viveram na Europa e partes da Ásia ao mesmo tempo que os primeiros Homo sapiens sapiens (os nossos avós) – e que se extinguiram, ninguém sabe porquê, há 30 mil anos”.Os antropólogos e geneticistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, e da firma 454 Life Sciences Corp., uma filial do grupo suíço Roche especialista nas técnicas de sequenciação genética, sedeado nos Estados Unidos, sequenciaram mais de três mil milhões de pares base de ADN extraídos de ossos sub-fósseis de três neandertais, provenientes da Gruta de Vindija (Croácia). Para o conseguir, desenvolveram métodos específicos e utilizaram novas técnicas elaboradas especialmente para este projecto de modo a ter a certeza de que estavam realmente a sequenciar o genoma dos neandertais – e não o dos microorganismos que tenham colonizado os ossos, nem o dos próprios técnicos que fizeram a sequenciação. Os humanos actuais e os neandertais partilham entre 99.5 e 99.9 por cento do ADN.
O primeiro “esboço” do genoma dos neandertais ontem apresentado corresponde a cerca de 60 por cento da totalidade do património genético dos neandertais. O trabalho não acabou, mas já revelou novidades. Uma delas, anunciada por Pääbo à BBC News, é que, segundo os resultados preliminares, “não há razão para não terem falado como nós”. Os neandertais tinham a mesma variante que nós de um gene chamado FOXP2, que está associado à linguagem e à fala – ao passo que, por exemplo, os chimpanzés não partilham essa variante do gene. Mas a questão principal que se coloca é a de saber se os neandertais se terão ou não cruzado com os Homo sapiens sapiens.
A sequenciação deste genoma fóssil deverá ajudar a identificar as alterações genéticas que permitiram que os humanos saíssem de África, há 100 mil anos, e se espalhassem pelo mundo. Mas há um enigma que Pääbo não acredita que vá ser resolvido pelos genes: o da extinção dos neandertais. “Não me parece que tenha sido devido ao seu genoma,” disse. “Teve claramente a ver com o ambiente ou com os humanos modernos.”
Crânio de Homo neanderthalensis descoberto, em 1908, na gruta de la Chapelle-aux-Saints (França).12/02/2009
XX Jornadas SEDECK

As XX Jornadas Científicas da SEDECK - Sociedad Española de Espeleologia y Ciências del Karst realizam-se, de 3 a 5 de Abril, em Lekunberri (Navarra).Programa em castelhano e em basco
"Viernes 3 de Abril / Apirilak 3 Ostirala
20:00h. Recepción en el Hotel Ayestarán (Lekunberri) / Harrera Ayestaran Hotelean
Sábado 4 de Abril / Apirilak 4 Larunbata
9:00h. Entrega de documentación / Dokumentazio banaketa.
9:15h. Bienvenida y presentación de las Jornadas / Ongi etorria eta Jardunaldien aurkezpena. Ana Isabel Ortega (Presidenta de la SEDECK / SEDECKeko Lehendakaria)
Eneko Agirre (Gerente Cuevas de Astitz S.L. / Astitzko Kobak S.M.-ko Gerentea)
9:30h. El contexto geológico de la cueva de Mendukilo: la Sierra de Aralar / Mendukiloko kobaren testuinguru geologikoa: Aralarko Mendizerra. Mª Isabel Millán (Dpto. de Estratigrafía y Paleontología, Facultad de Ciencia y Tecnología UPV / EHUko Zientzia eta Tecnología Fakultateko, Estratigrafia eta Paleontologia Departamentua)
10:10h. Exploraciones Subterráneas en el Aralar Navarro / Lur azpiko esplorazioak Nafarroa aldeko Aralarren. Grupo Espeleológico Satorrak / Satorrak Espeleologi Taldea
10:50h. Quirópteros de la Sierra de Aralar / Aralar Mendizerrako kiropteroak. Juan Tomas Alcalde (Biólogo especialista en quirópteros / kiropteroetan espezializaturiko Biologoa) 11:30h. Pausa-Café / Geldialdia – kafea
12:00h. El yacimiento de oso de las cavernas (Ursus spelaeus Ros.-Hein.) de la cueva de Amutxate (Aralar-Navarra) / Amutxate leizeko kobazuloetako hartzen (Ursus spelaeus Ros.-Hein.) aztarnategia (Aralar-Nafarroa). Trinidad de Torres, José Eugenio Ortiz (Dpto. de Ingeniería Geológica. E.T.S.I. Minas. Universidad Politécnica de Madrid / Madrideko Unibertsitate Politeknikoko Ingenieritza Geologikoko Departamentua).
12:40h. Tres años de estudios microclimáticos en la Cueva de Mendukilo – Navarra / Hiru urtetako ikerketa mikroklimatikoak Mendukiloko leizean – Nafarroa. Vladimir Otero Collazo, Jabier Les Ortiz de Pinedo, Rakel Malanda Ruiz (Sociedad de Ciencias Espeleológicas Alfonso Antxía / Alfonso Antxia Zientzia Espeleologikoen Elkartea)
13:20h. Hidroquímica y Microbiología en la Cueva de Mendukilo / Mendukiloko leizearen Hidrokimika eta Mikrobiologia. Nagore Irazábal (Sociedad de Ciencias Espeleológicas Alfonso Antxía / Alfonso Antxia Zientzia Espeleologikoen Elkartea)
14:00h Pausa - Comida / Geldialdia - Bazkaria
16:00h Visita guiada a la Cueva de Mendukilo / Mendukiloko leizera bisita gidatua 18:00h Cueva de Mendukilo: de establo de montaña a cueva turística, laboratorio subterráneo y aula de educación ambiental. Eneko Agirre (Biólogo y Gerente Cuevas de Astitz S.L. / Astitzko Kobak S.M.-ko Gerentea eta Biologoa)
18:40h Debate – Mesa redonda / Mahai ingurua – Eztabaida.
20:30h Cena en la sidrería Martintxonea / Afaria Martintxonea Sagardotegian.
Domingo 5 de Abril / Apirilak 5 Igandea
10:00h Excursión al nacedero de Aitzarrateta y la sima de Lezegalde (actividad espeleológica)/ Aitzarratetako iturburura irteera, Lezegaldeko leize edo osina ikuskatuz (jarduera espeleologikoa)."
Para mais informações, consulte o site da SEDECK.
Bicentenário de Darwin

Depois de uma infância durante a qual terá preferido a “vida campestre” e coleccionar "bichos" em vez da escola (consta que terá sido um aluno medíocre!), Darwin entrou para o curso de Medicina, em 1825, mas saiu pouco depois desgostoso com as autópsias e as cirurgias. Após essa primeira experiência académica foi estudar teologia para Cambridge e foi aí que conheceu John Henslow, que acabaria por ser decisivo na sua carreira de naturalista.
Quando embarcou, em 1831, no navio HMS Beagle, para uma viagem científica à volta do mundo Charles Darwin não imaginava que isso iria mudar radicalmente o curso da sua vida e, muito menos, intuir a revolução que daí resultaria no domínio das Ciências da Terra e da Vida. A sua influência, como não poderia deixar de ser, também atingiu a espeleologia...


No dia em que se comemora o bicentenário do nascimento de Charles Darwin vão ser lançados vários livros e organizados diversos eventos sobre esse naturalista inglês. O Pavilhão do Conhecimento, na Expo (Lisboa), assinala a data, hoje às 10.30 a.m., colocando em prática a receita do bolo preferido de Darwin. A receita, da autoria da sua mulher, Emma Darwin, foi optimizada para que o bolo pudesse ser levado para o campo sem se desfazer.
Quem tem Medo de Charles Darwin? É o tema da primeira sessão do 4º Ciclo de Conversas na Aldeia Global que começa hoje, às 21.30, na Biblioteca Municipal de Oeiras. A Fundação Calouste Gulbenkian associa-se às homenagens com a exposição A Evolução de Darwin, inaugurada também no dia hoje. Henriqueta, a Tartaruga de Darwin é o livro de José Jorge Letria, lançado hoje, que dá a conhecer às crianças a vida do autor de A Origem das Espécies, pela voz de uma tartaruga centenária das Ilhas Galápagos. As iniciativas ocorrem um pouco por todo o país...
Material individual
Quando é organizada uma saída de campo confrontamo-nos recorrentemente com a frase “os participantes deverão possuir material individual” ou algo de semelhante! No entanto, não é raro surgirem praticantes com material diferente daquele que é aconselhado/tipificado ou, então, é o recomendado mas empregue de forma menos correcta… Acerca deste tema será interessante consultar o artigo de Sergio García-Dils de la Vega, Director da Escola Espanhola de Espeleologia e membro da Cavex Team, sobre “Equipo personal de progresión vertical del espeleólogo”, publicado na revista Subterrânea nº 29, onde se analisa a problemática do material individual e se faz referência a erros frequentes.[Fonte: blog do EC/DC; fotografia: Sergio García-Dils de la Vega © Pedro Cuiça (Cantábria, 2007)]
Arrábida
Dar novos mundos ao mundo
Cordilheira da Arrábida © Pedro Cuiça (1996)
A espeleologia, ciência-desporto que estuda as cavernas, encerra uma componente rara nos dias de hoje: a descoberta. Com efeito, ainda é possível ter a imensa alegria de descobrir novas cavidades, salas de grande beleza ou galerias inexploradas. O Carso da Arrábida não é excepção e o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) assim o tem demonstrado. A descoberta de grutas na Cadeia da Arrábida tem sido frequente. Salientam-se, entre outras, a Garganta do Cabo, Gande Falha, Lapa das Conchas, Lapa das Areias, Lapa Verde, Gruta do Vale da Figueira Brava, Algar da Cobra e Lapa do Mosquito. Aliás, a geomorfologia cársica, o predomínio da drenagem subterrânea e a rica toponímia da região (Calhau da Cova, Cova da Mijona, Cova da Raposa, Praia da Cova, etc.) sugerem a existência de inúmeras formas endocársicas. As grutas são cavidades naturais de dimensões e morfologia variáveis que se formam geralmente por acção das águas de escorrência, em diversas rochas. Desde túneis de lava às grutas de gelo, até às cavernas em rochas graníticas, gessíferas ou areníticas, existe uma ampla variedade de tipos de cavidades. No entanto, as rochas carbonatadas (calcários, dolomias, etc.) são, por excelência, o meio onde as cavernas expressam o seumaior desenvolvimento, complexidade e abundância. As características físico-químicas das rochas condicionam os processos erosivos (alteração e transporte) responsáveis pela génese da grande maioria das grutas. A solubilidade do carbonato de cálcio - sob a forma de bicarbonato de cálcio - em presença de águas com dióxido de carbono e/ou ácidos (normalmente orgânicos) em solução é uma propriedade das rochas carbonatadas que explica o relevo peculiar associado a essas litologias: a geomorfologia cársica. Aqui reside a diferença fundamental entre um calcário relativamente puro (rico em carbonato de cálcio) e um granito ou mesmo um arenito de cimento carbonatado. Em condições favoráveis, a arenização de rochas graníticas, por alteração dos feldspatos (minerais constituintes dessas rochas), poderá originar depressões pseudocársicas (“dolinas” e “uvalas”) e formas lapiáres menores (caneluras, escudelas de dissolução, etc.). No entanto, as rochas cuja meteorização (ou alteração) produz um resíduo sólido considerável apresentam as fracturas colmatadas com tendência para a impermeabilização do terreno e consequente domínio da escorrência superficial.
Pelo contrário, nas rochas carbonatadas, em que os resíduos de descalcificação representam uma pequena quantidade do volume total de rocha dissolvida, ocorre um alargamento das fracturas (diáclases, falhas e/ou juntas de estratificação) com consequente aumento da permeabilidade e drenagem subterrânea (ou criptorreica). Constatamos, pois, que a litologia desempenha um papel primordial quando se procede à prospecção de uma determinada região. Na Cadeia da Arrábida, os calcários cristalinos do Lusitaniano e/ou as dolomias cristalinas com intercalações de calcário do Bajociano serão as litologias onde, potencialmente, poderão surgir um maior número de cavidades ou as de maior desenvolvimento. Será igualmente de destacar que à morfologia cársica sobrepõe-se a morfologia costeira, responsável pela formação de diversas furnas: Lapa do Bugio, Lapa do Piolho ou da Furada, Lapa do Fumo, etc.. As arribas sobranceiras ao litoral, franjadas de baías fechadas por alterosos promontórios, constituem locais preferenciais para a descoberta de cavernas. A prospecção e descoberta de cavidades são fundamentais para a inventariação do património espeleológico de uma região. Património que urge conhecer para preservar. O Museu Nacional de História Natural (MNHN) tem vindo a conceber e propor um grande projecto à escala nacional de musealização in situ de ocorrências passíveis de serem consideradas monumentos naturais ao abrigo da legislação em vigor (Dec.-Lei nº 19/23, de 23 de Janeiro). As grutas, testemunhos do percurso histórico do nosso planeta, constituem, sem dúvida, geomonumentos que deverão ser preservados. Mas, para a sua efectiva protecção, antes de mais, será necessário saber quantas são, onde se situam e quais as suas características. Sem esse trabalho apenas se poderão efectuar intervenções pontuais, como será o infeliz exemplo da Gruta do Zambujal. Dar novos mundos ao mundo será, pois, uma tarefa de grande importância. Para que não se repitam os erros do passado!
Pedro Cuiça
in Maravilhas Subterrâneas da Costa Azul
(Núcleo de Espeleologia da Costa Azul, 1998, pp. 18-19)
11/02/2009
Um urso especial
Trinidad de Torre, que actualmente é uma das maiores sumidades sobre fauna pré-histórica europeia, quando ainda era um jovem estudante interessado por espeleologia e paleontologia, encontrou, em 1971, um enorme crânio de urso das cavernas (Ursus spelaeus). “Fue una bestia de pelo pardo, afilados colmillos, fino olfato,oído duro y patas zambas sobre las que levantaba sus 600 kilos hasta alcanzar los tres metros de altura, que se echó a morir de puro viejo hace 150 000 años en una caverna cerca de lo que hoy es Patones, al noroeste de Madrid.” [Cueva del Reguerillo de Patones]Ontem Trinidad de Torre ofertou esse crânio de Ursus spelaeus ao Museo Arqueológico Regional (MAR) da Comunidade de Madrid, sito em Alcalá de Henares. Trata-se mais precisamente do maior exemplar encontrado na Península Ibérica e pertencente à colónia mais meridional de que se tem conhecimento na Europa. A partir de agora será uma das “estrelas” da sala do museu dedicada aos animais que conviveram com o Homem durante a pré-história.
Cueva del Viento
Tenerife (Canárias) © Pedro Cuiça (2005)O complexo subterrâneo da Cueva del Viento-Sobrado formou-se a partir de escoadas de lava extruídas pelo vulcão Pico Viejo e constitui, pela sua extensão, complexidade e fauna cavernícola, uma cavidade ímpar. O acesso ao complexo esteve condicionado durante vários anos mas a sua abertura ao público verificou-se em 2008. A cavidade apesar de amplamente conhecida, nomeadamente através de abundante sinalética de trânsito automóvel e não só, não podia ser visitada porque se encontrava encerrada ao público...
A abertura deveu-se ao esforço conjunto do “consejero” do Organismo Autónomo de Museus y Centros del Cabildo, Francisco Garcia Talavera, e do “concejal” de Medio Ambiente y Patrimonio Histórico Artístico del Consistorio icodense, Agustín Díaz”. Após efectuados os trabalhos com vista à abertura ao público, nomeadamente no que concerne à limpeza da cavidade, o projecto foi implementado com sucesso.
O Ayuntamiento de Icod de los Vinos informou, no dia 22 de Janeiro deste ano, que a Cueva de los Vientos foi visitada por 2359 pessoas durante 2008, enquanto 3136 se limitaram a passar pelo centro de visitantes, situado em Los Piquetes. Portanto, a cavidade e o centro de visitantes acolheram quase 5500 pessoas durante os primeiros seis meses de funcionamento. Nos meses de Junho, Julho e Agosto, período em que a entrada na gruta foi gratuita, registaram-se 1143 visitantes, enquanto que nos meses de Setembro a Dezembro se computaram 1216 visitas. Ou seja, uma média de 337 visitas por mês… Os turistas provenientes da península, os alemães e os ingleses foram aqueles que mais visitaram a cavidade. Mas os residentes também estiveram representados em grande número. O elevado interesse que a cavidade despertou levou as administrações insulares e locais a ampliar o número de grupos que visitam a cavidade, passando de duas a três visitas diárias, num máximo de 15 pessoas por grupo. Segundo a Ideco, a empresa pública do Cabildo de Tenerife que gere este recurso natural em conjunto com o Ayuntamiento de Icod de los Vinos, a iniciativa em curso é “bastante positiva, já que se conseguiu ter um elevado número de visitas por mês, convertendo assim a Cueva del Viento num importante atractivo turístico da cidade e da ilha”. A prova provada de que "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", bastando para isso que haja vontade política ou falta dela!
Actualmente fazem-se três visitas guiadas, às 10, às 12 e às 14 horas. É fundamental efectuar a marcação previamente através do telefone 922 815 339 ou e-mail info@cuevadelviento.
Para mais informações consulte o site oficial da Cueva del Viento: http://www.cuevadelviento.net/.

Icod de los Vinos (Canárias) © Pedro Cuiça (2005)
Icod de los Vinos (Canárias) © Pedro Cuiça (2005)
Tenerife (Canárias) © Pedro Cuiça (2005)Gruta do Frade
Grutas no “segredo dos deuses”
[FORA DE PORTAS ● jornal Forum Ambiente nº 250, 28 de Setembro de 1999]
Gruta do Frade (Arrábida) © Francisco Rasteiro (2000)A cordilheira da Arrábida encerra grutas de espectacular beleza e raridade. Um mundo que o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul se tem encarregado de dar a conhecer. A última descoberta deixou atónitos esses descobridores da escuridão.
A espeleologia, ciência-desporto que estuda e explora as cavernas, possui uma componente rara nos dias de hoje: a descoberta. Com efeito, ainda é possível ter a imensa alegria de descobrir novas cavidade, salas de grande beleza ou galerias inexploradas. No final do milénio, quando o Homem já explorou os pólos, as profundezas oceânicas e o espaço extraterrestre, o mundo subterrâneo continua a proporcionar surpresas aos descobridores do reino das trevas. O Carso da Arrábida não foge à regra e o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) assim o tem demonstrado, com a descoberta de novas grutas.
Geralmente são cavidades de pequenas dimensões e pouco concrecionadas, mas a última descoberta dos espeleólogos sesimbrenses foi verdadeiramente excepcional. Se a Gruta do Zambujal era a pérola da espeleologia, a sul do Tejo, a cavidade agora descoberta é um autêntico tesouro.
Dar novos mundos ao mundo
A exploração da gruta data de há três anos atrás, mas o NECA já conhecia a sua existência devido a prospecções efectuadas de barco ao longo da costa. A entrada da cavidade situa-se perto do nível médio das águas do mar e, já na altura da primeira exploração, suscitou a surpresa dos espeleonautas.
Uma corrente de ar, detectada numa diminuta passagem, despertou a curiosidade dos espeleólogos que resolveram levar para a frente a desobstrução. A necessidade de usar martelo pneumático, a instalação de cabos-de-aço, com roldanas para o transporte de material e o difícil acesso à cavidade fizeram com que os trabalhos fossem sendo adiados.
A desobstrução realizada no dia 21 de Junho último iria revelar um conjunto de salas e galerias drapejadas de concreções de pureza e beleza inauditas. Um complexo subterrâneo intacto, porque encerrado até hoje ao Homem, e que os espeleólogos já exploraram numa extensão que o torna no Maio existente a sul do Tejo. A maior cavidade e certamente a mais bela.
Segundo Francisco Rasteiro, o desenvolvimento total até agora explorado ronda os dois quilómetros de extensão, por entre complexa rede de galerias e cerca de duas dezenas de salas (algumas com lagos de água salgada e sifões).
A descoberta manteve-se secreta devido à imprescindível necessidade de preservar o achado de eventuais destruições como aconteceu na Gruta do Zambujal. Secretismo que ainda se mantém: por motivos conservacionistas optamos por não divulgar o nome e a localização do novo tesouro da Arrábida.
As grutas, testemunhos do percurso histórico do nosso planeta, constituem geomonumentos que deverão ser preservados. Mas, para a sua efectiva protecção, antes de mais, será necessário saber quantas são, onde se situam e quais as suas características. Dar novos mundos ao mundo será pois uma tarefa de grande importância. Para que se conserve o património geológico e se preservem os testemunhos da história do planeta azul.
