
in O Fenómeno Religioso e a Simbólica (1924)
Um blogue sobre espeleosofia ● A blog about speleosophy

Costa Vicentina © João Mariano
Costa Vicentina © João Mariano
Costa Vicentina © João Mariano
LUGARES pouco comuns - Uncommon places (2000)
Photographs by: João Mariano
Texts: João Mariano (Uncommon places) e Pedro Cuiça (Costa Vicentina – Land, sea and immensity)
Costa Vicentina © João Mariano
Costa Vicentina © João Mariano
Onde a terra acaba…
Na zona norte da Costa Vicentina afloram velhas rochas que os geólogos atribuem à Era Paleozóica (544 a 245 milhões de anos atrás), sobretudo xistos argilosos e grauvaques (como nas praias de Odeceixe ou do Castelejo), mas também calcários, quartzitos e outras litologias. Os fósseis dos seres que viviam nesses estranhos e longínquos mundos do Paleozóico surgem com alguma frequência. Testemunhos petrificados de habitats, esquecidos pela passagem de tempos incomensuráveis, em que pululavam espécies hoje extintas.
Resultado de prolongadas e gigantescas tensões, as rochas apresentam-se geralmente muito dobradas, fracturadas e metamorfizadas (como entre a Baia dos Tiros e Odeceixe). São dobras frequentemente caprichosas cujos topos foram cortados pela intensa erosão que actuou durante o Pérmico (290 a 245 milhões de anos atrás). Os terrenos paleozóicos, tal como os mesozóicos que afloram a sul, são atravessados por numerosos filões de rochas ígneas (visíveis nos xistos e nos grauvaques encaixantes da praia do Murração, assim como noutros locais). Filões, por vezes, relacionados com a instalação do maciço subvulcânico de Monchique. As rochas da Era Mesozóica (com 245 a 65 milhões de anos) assentam sobre as paleozóicas em evidente discordância angular (como na praia do Telheiro ou na Ponta Ruiva). Os “grés de Silves” são as litologias mais antigas do Mesozóico. Essas rochas, do Período Triásico (com 245 a 208 milhões de anos), sedimentaram-se em ambientes diversos. Mudam-se os tempos, formam-se novas rochas, extinguem-se espécies, surgem novos seres… Afloram arenitos continentais (evidenciando condições de deposição sob clima semi-árido), evaporitos e outras rochas de ambientes de transição (lagunares ou estuarinos), calcários de ambientes francamente marinhos ou até basaltos a atestar a ocorrência de vulcanismo. Na área da Carrapateira encontram-se tufos e aglomerados vulcânicos provavelmente relacionados com a abertura do oceano Atlântico.
Durante os períodos Jurássico (208 a 145 milhões de anos atrás) e Cretácico (145 a 65 milhões de anos), bem como no início da Época Miocénica (há cerca de 24 milhões de anos), a sedimentação decorreu em ambientes aquáticos (de plataforma litoral e/ou de transição). Depositaram-se rochas calcárias e dolomíticas, por vezes com forte influência terrígena. A partir do Pliocénico (há 5.3 a 1.8 milhões de anos) o mar retirou-se do actual território algarvio.
Durante o Würm (há 10 a 80 mil anos) o mar estaria uma centena de metros abaixo do nível actual e, nas anteriores glaciações, a descida terá sido ainda mais significativa. Esses períodos frios estão associados ao aumento volumétrico dos glaciares polares e à descida do nível médio das águas oceânicas. Nos quentes períodos interglaciários as águas subiram devido ao degelo, voltando a inundar o continente, tal como se verifica desde o final da glaciação würmiana até à actualidade. A variação do nível médio das águas do mar gerou diversas praias levantadas ou terraços marinhos (como na área da Carrapateira ou do cabo de S. Vicente ). A plataforma de abrasão, que se estende ao longo do litoral numa faixa de cinco a vinte quilómetros de largura (apenas interrompida pela dissecação dos principais cursos de água), foi gerada desse modo.
A plataforma apresenta-se muitas vezes nua, mas nem sempre. Está geralmente coberta por uma delgada película de depósitos sedimentares (como na Carrapateira ou em Vila do Bispo): areias, pequenos seixos muito bem rolados ou cascalheiras. Sedimentos que surgem sob a forma de dunas consolidadas (como entre Dornas e Pedra do Cavaleiro) ou de areias de praias levantadas (como na superfície de abrasão do Cabo de S. Vicente).
Costa Vicentina © João Mariano
Costa Vicentina © João Mariano*****
LUGARES pouco comuns - Uncommon places (2000)
Fotografia: João Mariano
Textos: João Mariano (Lugares pouco comuns) e Pedro Cuiça (Costa Vicentina - Terra, mar e imensidão)
A presença de caçadores e de veículos todo-o-terreno no topo da Rocha da Pena (Algarve) vem, mais uma vez, questionar a conservação desse Sítio Classificado. A Forum Ambiente esteve na Rocha da Pena, no fim-de-semana de 9-10 de Dezembro, onde constatou a presença de caçadores e de veículos motorizados no topo dessa elevação. O acesso usado foi a estrada que sobe da Peninha ao topo da “Rocha”.
Os disparos começaram, nas redondezas, mal o dia nasceu e prosseguiram, numa intensa cadência, até já bem avançada a manhã. E qual não foi o espanto ou o susto daqueles que escolheram o Sítio Classificado da Rocha da Pena para irem passear quando o “contacto com a natureza” foi bruscamente interrompido por fortes disparos de caçadeira!
Os alcantilados rochosos representam para muitas espécies de aves a tranquilidade e a segurança de que necessitam para construírem o ninho, chocarem os ovos e criarem os filhotes. A Rocha da Pena não é excepção e a perturbação das populações de rapinas que aí nidificam tem sido considerada, nomeadamente o eventual impacte da prática da escalada.
Um rochedo excepcional
As serranias, lapiás, arribas costeiras, ravinas e outros locais de difícil acesso eram tradicionalmente pouco frequentados pelo Homem. No entanto, o grande incremento das actividades de ar livre, que se verificou nos últimos anos, começa a reflectir-se na qualidade desses locais de grande beleza paisagística e riqueza natural. A conservação da natureza possibilitada pela inacessibilidade do terreno já não se mantém, devido ao grande incremento das actividades “fora de portas”, nomeadamente pela construção de (novas) vias de comunicação que facilitam o acesso. A Rocha da Pena não esteve alheia a este desenvolvimento e é raro o fim-de-semana em que não é visitada por diverso grupos de praticantes de actividades de ar livre ou simples amantes dos passeios na natureza.
A Rocha da Pena apresenta, pelas suas características ímpares, um vasto potencial para a prática de várias actividades de ar livre. Se algumas dessas actividades não serão compatíveis com a preservação do meio ambiente (por exemplo, desportos motorizados ou caça), outras poderão ser praticadas de forma integrada, valorizando as próprias potencialidades do local (pedestrianismo ou escalada). No entanto, as diversas actividades de ar livre terão de passar por uma ponderação, na perspectiva do que se entende por desenvolvimento sustentado, para que o diálogo entre os diversos intervenientes contribua para uma gestão coerente e equilibrada do património natural.

[parte da Carta Militar na escala 1/25 000, folha nº 588 - Salir (Loulé)]
O Grupo Protecção Sicó (GPS) vai levar a efeito o 5º Curso de Iniciação à espeleologia, nível II segundo o modelo de formação da Federação Portuguesa de Espeleologia (FPE). A acção de formação, que decorrerá de 21 de Fevereiro a 5 de Abril, tem a duração de 10 dias (5 fins-de-semana). Para mais informações, contacte o GPS através do e-mail gps.sico@gmail.com.
Um dos trabalhos efectuados pelo Grupo de Estudos Técnicos da Escola Francesa de Espeleologia (École Française de Spéléologie - EFS) centrou-se na análise da força de choque sofrida por um espeleólogo consoante o tipo de longe e nós utilizados, para distintos factores de queda.
“Caves occupy incongruous positions in both our culture and our science. The oldest records of modern human culture are the vivid cave paintings from southern France and northern Spain, which are in some cases more than 30,000 years old (Chauvet, et al. 1996). Yet, to call someone a “caveman” is to declare them primitive and ignorant. Caves, being cryptic and mysterious, occupied important roles in many cultures. For example, Greece, a country with abundant karst, had the oracle at Delphi and Hades the god of death working from caves. People are both drawn to and mortified by caves. Written records of cave exploration exist from as early as 852 BC (Shaw, 1992). In the decade of the 1920’s, which was rich in news events, the second biggest story (as measured by column inches of newsprint) was the entrapment of Floyd Collins in Sand Cave, Kentucky, USA. This was surpassed only by Lindbergh’s flight across the Atlantic (Murray and Brucker, 1979).”
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior vai lançar um programa de estímulo ao desenvolvimento da história da ciência em Portugal. Programa que terá uma componente específica dedicada aos últimos 100 anos, motivada pela aproximação do Centenário da República. Esta "iniciativa estratégica" terá o seu arranque público em Julho, durante o Encontro Nacional de História da Ciência em Portugal, segundo refere um documento de trabalho do referido Ministério divulgado no fim-de-semana passado.
[Fonte: Agência Lusa; Fotos: © CEEAA (anos 70, séc. XX)]
O Núcleo de Amigos das Lapas, Grutas e Algares (NALGA) acaba de publicar, no seu blogue, os resultados dos trabalhos que realizou no Algar dos Alecrineiros (-81 m). Esta cavidade situa-se no Planalto de Santo António, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), a norte do algar mais profundo conhecido em Portugal, um algar homónimo também designado por “Algar dos Alecrineiros Sul” (-220 m), para o distinguir daquele que foi alvo do estudo agora divulgado pelo NALGA. O estudo em causa trata-se da actualização, de trabalho já anteriormente apresentado ao público, de acordo com os dados recolhidos nas ultimas explorações
Na sequência da notícia publicada no Spelaion, a 20 de Janeiro, sobre as XX Jornadas SEDECK, e tal como “prometido”, avançamos com novos dados. O programa do evento já se encontra disponível no site da SEDECK e a inscrição nas jornadas já pode ser efectuada.
P.S.: Recebi este artigo, da autoria do investigador Luís Fernandes, que foi publicado no jornal Público (in Opinião, de 27/01/2009), através de e-mail enviado por um amigo, também ele investigador. O primeiro é investigador na área das ciências sociais e humanas, o segundo na área das ciências da Terra e da vida. Não resisti a colocar no Spelaion alguns trechos do artigo em causa. Numa sociedade dita “do conhecimento” antes de mais estará subjacente o acto de conhecer… Ou não será assim? :)
O Spelaion