04/02/2009

Iniciação à espeleologia

O Grupo Protecção Sicó (GPS) vai levar a efeito o 5º Curso de Iniciação à espeleologia, nível II segundo o modelo de formação da Federação Portuguesa de Espeleologia (FPE). A acção de formação, que decorrerá de 21 de Fevereiro a 5 de Abril, tem a duração de 10 dias (5 fins-de-semana). Para mais informações, contacte o GPS através do e-mail gps.sico@gmail.com.

[Fonte: GPS]

Não há longe, nem distância

Um dos trabalhos efectuados pelo Grupo de Estudos Técnicos da Escola Francesa de Espeleologia (École Française de Spéléologie - EFS) centrou-se na análise da força de choque sofrida por um espeleólogo consoante o tipo de longe e nós utilizados, para distintos factores de queda.
Ainda que esse estudo já tenha sido efectuado há algum tempo, será conveniente divulgá-lo, que mais não seja por se constatar que ainda existem bastantes espeleólogos que desconhecem o mesmo ou, então, simplesmente o ignoram.
Como diz o presidente do EC/DC, Nino Santos del Riego, no blogue dessa associação: “Curioso, hace un montón de años tiré mis cabos de anclaje en 8mm. con cuerda dinámica, y con el tiempo, hemos vuelto a los orígenes.” Pois é, nem mais. Parece que agora é a vez das Spelegyca e sucedâneos!
Os interessados poderão consultar o estudo original no site da EFS ou um resumo do mesmo realizado pelo Espeleosocorro Cántabro (ESOCAN).

[Fonte: EC/DC]

Caveman, oh!, oh!, oh! (III)

Caves occupy incongruous positions in both our culture and our science. The oldest records of modern human culture are the vivid cave paintings from southern France and northern Spain, which are in some cases more than 30,000 years old (Chauvet, et al. 1996). Yet, to call someone a “caveman” is to declare them primitive and ignorant. Caves, being cryptic and mysterious, occupied important roles in many cultures. For example, Greece, a country with abundant karst, had the oracle at Delphi and Hades the god of death working from caves. People are both drawn to and mortified by caves. Written records of cave exploration exist from as early as 852 BC (Shaw, 1992). In the decade of the 1920’s, which was rich in news events, the second biggest story (as measured by column inches of newsprint) was the entrapment of Floyd Collins in Sand Cave, Kentucky, USA. This was surpassed only by Lindbergh’s flight across the Atlantic (Murray and Brucker, 1979).

Ira D. Sasowsky and John Mylroi
in Studies of Cave Sediments - Physical and Chemical Records of Paleoclimate (2007)

03/02/2009

História da Espeleologia

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior vai lançar um programa de estímulo ao desenvolvimento da história da ciência em Portugal. Programa que terá uma componente específica dedicada aos últimos 100 anos, motivada pela aproximação do Centenário da República. Esta "iniciativa estratégica" terá o seu arranque público em Julho, durante o Encontro Nacional de História da Ciência em Portugal, segundo refere um documento de trabalho do referido Ministério divulgado no fim-de-semana passado.
O programa, dirigido aos investigadores, às instituições académicas e científicas, e à sociedade em geral, tem também por objectivo a valorização do património cultural e científico do país. Em causa, segundo o Ministério de Mariano Gago, estará a preservação, classificação e estudo de acervos documentais e arquivos de ciência, a formação avançada de novos investigadores, o reforço e articulação em redes de grupos e instituições científicas e o desenvolvimento de programas de investigação.
"A História da Ciência é uma componente fundamental do próprio desenvolvimento da ciência" - lê-se no documento referido acima. "O nível científico já alcançado em Portugal exige, para se ampliar e consolidar, um conhecimento sistemático do nosso próprio desenvolvimento científico e tecnológico, e das suas condições históricas."
O programa específico para aprofundar o conhecimento e a divulgação da história da ciência e do desenvolvimento científico nos últimos cem anos, chamado "100 anos de República, 100 anos de Ciência", será realizado em articulação com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
Esta será uma excelente oportunidade para surgir um trabalho acerca da história da espeleologia em Portugal. Se é certo que já foram elaborados pequenos historiais acerca da prática dessa actividade no país, nomeadamente no tocante aos trabalhos publicados no domínio da arqueologia ou da bio-espeleologia, falta manifestamente um trabalho de fundo que reúna os conhecimentos dispersos acerca da espeleologia portuguesa.
Nesse âmbito, aproveitamos para divulgar um pequeno mas muito interessante historial da espeleologia, que se encontra na net, da autoria de Falcão Machado: Prolegómenos da Espeleologia Portuguesa (Comunicação para o I Encontro de Espeleologia da Península de Setúbal, de 10 a 13 de Junho de 1976).

[Fonte: Agência Lusa; Fotos: © CEEAA (anos 70, séc. XX)]

02/02/2009

Algar dos Alecrineiros

O Núcleo de Amigos das Lapas, Grutas e Algares (NALGA) acaba de publicar, no seu blogue, os resultados dos trabalhos que realizou no Algar dos Alecrineiros (-81 m). Esta cavidade situa-se no Planalto de Santo António, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), a norte do algar mais profundo conhecido em Portugal, um algar homónimo também designado por “Algar dos Alecrineiros Sul” (-220 m), para o distinguir daquele que foi alvo do estudo agora divulgado pelo NALGA. O estudo em causa trata-se da actualização, de trabalho já anteriormente apresentado ao público, de acordo com os dados recolhidos nas ultimas explorações
O conjunto de resultados agora apresentados consiste num pequeno resumo dos trabalhos efectuados nos últimos meses: topografia da cavidade, coordenada por Pedro Robalo, e um paper, da autoria de Paulo Rodrigues, sobre a espeleogénese da gruta.


[Foto: Algar dos Alecrineiros © NALGA (2008); parte da Carta Militar na escala 1/25 000, folha nº 318 - Mira de Aire (Porto de Mós), com a localização do Algar dos Alecrineiros e Algar dos Alecrineiros Sul (cortesia de Pedro Robalo)]

XX Jornadas SEDECK (II)

Na sequência da notícia publicada no Spelaion, a 20 de Janeiro, sobre as XX Jornadas SEDECK, e tal como “prometido”, avançamos com novos dados. O programa do evento já se encontra disponível no site da SEDECK e a inscrição nas jornadas já pode ser efectuada.
A inscrição pode ser efectivada através da Internet, até 25 de Março, sendo necessário fazer prova do pagamento da mesma. O valor da inscrição inclui as actas das jornadas e o jantar de encerramento. Para os sócios da SEDECK a inscrição é gratuíta.
Os interessados também poderão efectuar a marcação do hotel Ayestarán, onde se processará o alojamento e a alimentação dos participantes, através dos dados disponibilizados no site da SEDECK.
Lembramos que o evento em causa realiza-se, de 3 a 5 de Abril, em Lekumberri (na Sierra de Aralar, Espanha).

30/01/2009

Críticos e Simplórios

O American Way of Science

É comum ver hoje designadas as nossas sociedades como “sociedades do conhecimento”. A produção e a difusão de saber científico são aspectos-chave do funcionamento deste tipo de sociedades, o que confere às suas comunidades científicas um papel estratégico. É por isso que, com regularidade, os governos reafirmam ritualmente o seu investimento na sociedade do conhecimento em geral (…). Ora, a Fundação para a Ciência e Tecnologia tornou públicas, no final do ano passado, as classificações dos centros de investigação que financia.
(…)
As investigações norte-americana e inglesa têm vindo a adquirir progressiva influência no sistema científico internacional, convertendo-se numa verdadeira dominação. (…) No caso vertente, elas ditam aquilo que deve ser investigado, o formato em que devem decorrer os certames de especialistas, em que órgãos da comunicação da ciência devem ser publicados os resultados e em que língua os investigadores devem expressar-se (…)
Para os avaliadores da FCT, não conta publicar um artigo numa revista brasileira ou espanhola? E polaca ou grega? Os polacos ou os gregos não conseguem fazer uma revista científica que valha pontos? Quando fazemos investigação solicitada e financiada por instituições portuguesas, devemos escrever os relatórios em inglês? E, se a problemática for pouco interessante para os norte-americanos, por razões da nossa especificidade sociocultural, não podendo publicá-las nesses países, esta investigação não vale pontos? Publicá-la aqui não serve para nada? Então a produção de saber não deve ser utilizada pela comunidade a que diz respeito? Não visa agir na nossa realidade próxima? E, se publicar aqui não vale nada, como pode algum dia chegar-se a ter uma boa revista científica? (…)
Que fazemos do pensamento crítico, que devíamos ter tão treinado?
Como somos tão complexos e críticos para umas coisas e tão simplórios e amorfos para outras? (…)



P.S.: Recebi este artigo, da autoria do investigador Luís Fernandes, que foi publicado no jornal Público (in Opinião, de 27/01/2009), através de e-mail enviado por um amigo, também ele investigador. O primeiro é investigador na área das ciências sociais e humanas, o segundo na área das ciências da Terra e da vida. Não resisti a colocar no Spelaion alguns trechos do artigo em causa. Numa sociedade dita “do conhecimento” antes de mais estará subjacente o acto de conhecer… Ou não será assim? :)

Diletâncias diurnas!


Quiro-pro-tec-ção

Conservação da Natureza
A noite dos morcegos

[FORA DE PORTAS ● jornal Forum Ambiente nº 303, 3 de Outubro de 2000]

As populações de morcegos diminuíram nas últimas décadas e algumas espécies enfrentam a ameaça de extinção. A “Noite Europeia dos Morcegos” decorreu no castelo de S. Jorge, com o objectivo de promover a conservação desses mamíferos voadores.

© DR

A “Noite Europeia dos Morcegos” decorreu, nos dias 22 e 23 de Setembro, no Castelo de S. Jorge, em Lisboa. A iniciativa, que visou a sensibilização dos cidadãos para a situação critica em que se encontram várias espécies de morcegos, foi organizada pelo Instituto de Conservação da Natureza e pela Associação dos Tempos Livres de Lisboa. O evento contou com a participação da Associação de Espeleólogos de Sintra, do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul e do Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens.
A ameaça de extinção de algumas espécies de morcegos levou à criação do “Acordo sobre a Conservação dos Morcegos da Europa”. Acordo que Portugal aprovou e passou a aplicar através do Decreto-Lei nº 31/95, de 18 de Agosto. A “Noite Europeia dos Morcegos” resultou desse acordo e já se realiza desde 1997 em diversos países. Os países da Europa Central e de Leste foram os primeiros a aderir, mas o alargamento aos restantes países do acordo verificou-se no ano passado. Portugal não participou nessa iniciativa mas, este ano, foram organizados dois eventos distintos: em Viana do Castelo (5 de Junho) e em Lisboa (22 e 23 de Setembro).

Morcegos no castelo
A “Noite Europeia dos Morcegos”, no Castelo de S. Jorge, foi animada por diversas iniciativas com vista à conservação dos quirópteros (os morcegos). O dia de sexta-feira foi dedicado fundamentalmente às turmas do ensino pré-primário, do 1º ciclo e ATL. As actividades de sábado foram dirigidas essencialmente às crianças, mas a participação esteve aberta a todos os visitantes. Estes puderam participar num pedipaper, assistir à passagem de diapositivos sobre morcegos, ver uma exposição de trabalhos preparados por alunos ou conhecer o atelier “Grutas dos Morcegos” (com a exploração de duas grutas artificiais). Foi possível ainda participar numa sessão de detecção de morcegos, utilizando conversores de ultra-sons.
Nas últimas décadas tem-se assistido, especialmente na Europa, a um declínio das populações de algumas das espécies de morcegos, especialmente na Europa. Das 24 espécies de morcegos presentes em Portugal continental, nove estão em perigo de extinção.


© Pedro Cuiça

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Perturbação dos morcegos
A situação de ameaça de extinção em que se encontram diversas espécies de morcegos europeias torna imperativa a defesa das suas colónias. A perturbação antrópica das colónias de morcegos cavernícolas é apontada como sendo um dos factores mais importantes de declínio.
O desaparecimento de uma colónia provoca consequências difíceis de avaliar nos ecossistemas da região e das próprias grutas, onde se poderá verificar o colapso da comunidade de invertebrados cavernícolas. O guano que se acumula no interior das cavernas é o suporte de uma fauna particular.
A fim de proteger as populações de morcegos, será necessário regulamentar o acesso de pessoas às grutas onde se localizam as mais importantes colónias. A conservação das populações de quirópteros terá de passar pela consciencialização e sensibilização das pessoas para a importância da conservação desses peculiares animais. Não visitar ou explorar grutas-abrigo de morcegos na época de hibernação (Novembro a Março) ou de criação (Março a Maio) será um bom começo.

29/01/2009

Propriedades de Titan

O fabricante de cordas espanhol Korda’s colocou um pequeno filme no You Tube sobre o sistema Titan. Este é muito mais do que um simples acabamento, trata-se de um novo sistema de fabrico devidamente testado e patenteado. Até agora as cordas utilizadas em espeleologia, canyoning, montanhismo ou escalada eram constituídas por camisa e alma, daí serem designadas internacionalmente por “kernmantle” (de kern: alma e mantle: camisa).
O sistema Titan incorpora uma terceira estrutura constituída por uma série de fios paralelos ao eixo da corda e no interior da estrutura da camisa. Estrutura responsável pelo maior desempenho dessas cordas face às tradicionais...

Escola de Altamira


Os documentos da vida pré-histórica, dia a dia acumulados pela investigação dos arqueólogos, vagamente anunciam o que de maior podia surgir na história do espírito, os apogeus da alma, a ascese do homem para o absoluto, para a unidade, para a eterna perfeição. Esses documentos não diziam tudo: a eloquência da escola de Altamira, dos magos pintores que ornamentam “a Capela Sistina da arte quaternária”, a lógica monumental dos arquitectos dos dólmenes e dos cromeleques, dos menires não dizia tudo da energética que animava os nossos longínquos antepassados. Era preciso recolher fórmulas vivas, bem existentes que ajudassem a abrir e a ler melhor as páginas de duplo sentido, os hieroglíficos dizeres dos pintores e canteiros que desapareceram com o seu segredo, o seu possível e rudimentaríssimo esoterismo, mágico e religioso.

AArão de Lacerda
in O Fenómeno Religioso e a Simbólica (1924)
Guimarães Editores (1998)

IV EuroSpeleo Forum


O quarto EuroSpeleo Forum, Icnussa 2009, vai decorrer, de 24 de Abril a 3 de Maio, em Urzulei (Sardenha - Itália); uma iniciativa no âmbito da Federação Europeia de Espeleologia (European Speleological Federation – ESF).