19/01/2009

Em memória

Américo Gonçalves Condinho, sócio-fundador da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE), faleceu aos 93 anos de idade. Condinho distinguiu-se pelo impulso dado na construção de equipamento de espeleologia, nomeadamente escadas de cabo de aço e guinchos de subida.
O funeral decorreu, no dia 4 de Janeiro, no crematório do cemitério do Alto de S. João (Lisboa).

[Fonte: SPE]

Esoterismo arqueológico!?

A obra do escritor João Aguiar é por demais conhecida e não é nossa intenção abordar a mesma mas apenas destacar o livro Lapedo - Uma Criança no Vale - Um dos mais importantes achados arqueológicos dos últimos 100 anos (Edições Asa, 2006). Tal deve-se à importância e interesse dessa obra no que respeita à compreensão dos nossos ancestrais, nomeadamente no que concerne às interrelações entre o Homo sapiens sapiens e o Homo sapiens neanderthalensis. Com a vantagem de reunir o conhecimento até aí veiculado sobre a “criança do Lapedo” e, claro, de forma rigorosa e simultaneamente cativante. Mas quem melhor do que o autor para apresentar a obra em causa?
No final de 1998, foi descoberto no vale do Lapedo, a poucos quilómetros de Leiria, o esqueleto de uma criança que viveu há 25 mil anos. As características muito particulares desse esqueleto criaram um “facto arqueológico” que teve repercussões em todo o mundo, apaixonou os media e deu origem a uma vivíssima polémica.
Este é o tema de
Lapedo - Uma Criança no Vale.
Não se trata de um romance, nem de um livro de contos: não é, de todo, uma obra de ficção. Alguma vez eu haveria de tentar sair (momentaneamente, claro) da ficção para explorar outros caminhos de escrita…
Mas também é verdade que este assunto é tão interessante, tão apaixonante quanto um bom romance deve ser. E, factor adicional de sedução (para mim) trata-se de transmitir algo que, até agora, se tem mantido, em grande parte, no domínio restrito, quase “esotérico”, da Arqueologia.
É certo que o caso da “criança do Lapedo”, quando veio a lume, teve uma larga cobertura mediática. Porém, a informação foi veiculada, necessariamente, de modo parcelar e com pouca profundidade. Além disso, uma vez passada a “onda”, saiu da ribalta e voltou, portanto, a confinar-se ao espaço académico.
Este foi um segundo motivo que me levou a escrever: quis reavivar a memória do que sucedeu, além de fornecer esse material pela primeira vez àqueles que dele ainda não tomaram conhecimento; e quis fazê-lo tentando cobrir todos os factos relevantes e chamar a atenção para as possíveis implicações de ordem científica - mas também, digamos, psicológica e cultural. O relato dos factos é complementado - mas nunca misturado - com alguma especulação. O que me pareceu natural: para mim, pelo menos, seria impossível, tendo nas mãos estes dados, limitar-me a uma seca descrição sem pensar sobre eles.

Uma obra a não perder...

Deixem-nos trabalhar!

Espeleologia
Novo atentado em Sesimbra

[FORA DE PORTAS ● jornal Forum Ambiente nº 225, 6 de Abril de 1999]

O Algar dos Oliveira, descoberto no ano passado, foi misteriosamente entulhado após os trabalhos de desobstrução, motivo para mais um alerta do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul. O património espeleológico continua a ser destruído no concelho de Sesimbra.


Algar dos Oliveira © DR

O Algar dos Oliveira foi descoberto pelo Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA), no dia 9 de Novembro de 1998, numa pedreira abandonada na área do Zambujal (concelho de Sesimbra). Tendo a actividade extractiva cessado nos anos 30, a antiga pedreira é hoje usada como vasadouro de lixo e entulho (motos, pilhas, plásticos, roupa, rádios, pneus, etc.). Nessa área encontraram-se três ou quatro algares obstruídos, tendo o NECA apostado na desobstrução do Algar da Oliveira.
Poucos meses depois da descoberta desse algar, uma equipa do NECA iniciou os trabalhos de desobstrução, tendo sido abordada prontamente pelos proprietários do terreno. Estes mostraram-se relutantes face aos trabalhos em curso, mas depois dos devidos esclarecimentos não se opuseram a que os espeleólogos efectuassem a desobstrução da cavidade. Segundo o NECA, “ao fim de um resumido esclarecimento acerca das nossas reais intenções e da importância da descoberta de uma nova gruta para o concelho e até para o país, autorizaram-nos a continuar os trabalhos, tendo-nos apenas advertido para que protegesse-mos as crianças de possíveis acidentes selando a entrada da gruta de modo a respeitar essas importantíssimas normas de segurança”.
Depois de 14 dias de trabalho de desobstrução, a uma média de 80 baldes por dia de “lama, blocos e lixo”, as equipas do NECA atingiram “10 metros de profundidade”, sendo “fortíssimas as probabilidades de encontrar seguimento para o sistema cársico”. O NECA cumpriu “escrupulosamente com o prometido”, tendo o cuidado de tapar a entrada da cavidade após cada jornada de trabalho. No entanto, depois da intensa actividade desenvolvida e dos resultados promissores, os espeleólogos do NECA constataram o entulhamento da cavidade. A acção, tão brusca quanto inexplicável, despertou a indignação daqueles que depositaram tantas esperanças no novo algar, que poderia dar acesso à rede subterrânea. Não se conhecem os autores de tal acção ou as motivações que a desencadearam, mas os resultados estão à vista, ou melhor, os resultados não estão à vista porque foram entulhados. A Câmara Municipal de Sesimbra está ao corrente da situação e o NECA aguarda, agora, os resultados do processo em curso. “Só nos resta esperar que se faça justiça e que as consequências de actos deste tipo, sejam sentidas pelos infractores”, salientam os espeleólogos do NECA.

Grutas ao abandono
A espeleologia encerra uma componente rara nos dias de hoje: a descoberta. Com efeito, ainda é possível ter a imensa alegria de descobrir novas cavidades, salas de grande beleza ou galerias inexploradas. O Carso da Arrábida não é excepção e o NECA assim o tem demonstrado. O Algar dos Oliveira constitui mais um exemplo das frequentes descobertas de grutas na Cadeia da Arrábida. A prospecção e descoberta de cavidades são fundamentais para a inventariação do património espeleológico de uma determinada área. Património que urge conhecer para preservar. As grutas, testemunhos do percurso histórico do planeta, constituem, sem dúvida, geomonumentos que devem ser preservados. Mas, para a sua efectiva protecção, antes de mais, será necessário saber quantas são, onde se situam e quais as suas características. Sem esse trabalho apenas se poderão efectuar intervenções pontuais, como será o infeliz exemplo da Gruta do Zambujal. Dar novos mundos ao mundo será, pois, uma tarefa de grande importância, para que não se repitam os erros do passado. É caso para os espeleólogos do NECA dizerem: “Deixem-nos trabalhar!”.

Algar dos Oliveira © DR

*****


Zambujal
Tudo na mesma


A Gruta do Zambujal foi descoberta em 1978 e, passado pouco tempo, tornou-se a primeira cavidade portuguesa a beneficiar do estatuto de Sítio Classificado de Interesse Espeleológico (segundo o Decreto-Lei nº 140/79, de 21 de Maio). Depois foi lentamente votada ao esquecimento!
A gruta esteve mais ou menos ao abandono, à mercê de incursos antrópicas que se traduziram na destruição e pilhagem de concreções. A actividade extractiva, a menos de 500 metros de distância da cavidade (o que contraria o disposto no Decreto-Lei nº 89/90, de 16de Março) foi igualmente questionada. Para alguns, a destruição que se verificou no interior da cavidade resultou fundamentalmente de vandalismo. Para outros, a extracção de pedra foi a causadora dos impactes verificados (ver jornal Forum Ambiente nº 134, de 20 de Junho de 1997). A frente de desmonte junto da Gruta do Zambujal foi abandonada, apesar da actividade extractiva continuar na área leste da Serra dos Pinheirinhos e Ribeira do Cavalo. O problema das visitas, que continuam a processar-se impunemente, ainda subsiste.
O ano de 1998 encerrou-se, mas a Gruta do Zambujal continuou aberta. As previsões apontaram posteriormente, para um “fecho provisório” em Fevereiro do corrente ano (ver jornal Forum Ambiente nº 214, de 15 de Janeiro de 1999). O mês de Abril aproxima-se e a gruta permanece “aberta ao público”. O regulamento do Sitio Classificado da Gruta do Zambujal tinha seis meses para entrar em vigor, mas também aguarda melhores dias.

16/01/2009

Ne-ander (e) tal

Eles andam aí?!


Logo que a revista National Geographic Portugal, de Novembro de 2008, chegou às bancas pensei escrever uma pequena nota no Spelaion sobre dois artigos de grande interesse:
1) “A Chave na Gruta dos Ossos”, sobre a escavação de uma jazida arqueológica na Roménia por uma equipa liderada pelo arqueólogo e espeleólogo português João Zilhão;
2) e “Os Últimos Neandertais”, a peça que foi capa desse número (92) da National Geographic.
A publicação da tal nota não se verificou, por manifesta falta de tempo, mas, como diz o povo, antes tarde do que nunca…
O primeiro artigo a que fazemos referência não mereceria grande destaque não fosse o facto de os restos osteológicos em causa apresentarem traços morfológicos correspondentes simultaneamente ao homem moderno (Homo sapiens sapiens) e aos neandertais (Homo sapiens neanderthalensis). Essa descoberta, na sequência do denominado “menino do Lapedo”, um esqueleto de uma criança com cerca de 30 mil anos, veio ao encontro daquilo que os investigadores João Zilhão e Erik Trinkaus sugeriram então: o esqueleto da criança do Lapedo provaria a miscigenação entre os neandertais, que subsistiram na Península Ibérica até há cerca de 35 a 37 mil anos, e os homens modernos
O capítulo seguinte desta história seria escrito na Roménia, numa região onde o Danúbio corre encaixado num profundo canyon. Um grupo romeno de espeleologia descobriu, naquela que seria baptizada “Gruta dos Ossos”, uma jazida com restos ósseos, entre os quais uma mandíbula humana com cerca de 40 mil anos. Os difíceis trabalhos arqueológicos que se seguiram, conduzidos por Zilhão e Trinkaus, levaram à conclusão de que os humanos aí descobertos possuíam uma herança genética não africana, atribuível a um legado de intercâmbio biológico com os neandertais.
Os Últimos Neandertais” aborda, entre outras, a descoberta e o estudo de uma grande jazida de neandertais na gruta de El Sidrón (Espanha), de que resultou a reconstituição de uma mulher Neandertal baseada em anatomia fóssil e DNA antigo. “Numa caverna francesa, junto a Arcy-sur-Cure, foi descoberto um osso de Neandertal numa camada de sedimentos que também continha objectos ornamentais como dentes de animal furados e anéis de marfim, um indício de arte decorativa. Mais recentemente, os cientistas Francesco d’Errico e Marie Soressi analisaram centenas de blocos de dióxido de manganésio oriundos de Pech de l’Azé, outra caverna francesa onde viveram Neandertais, e sugeriram que o material era um pigmento negro utilizado para decorar o corpo.” As surpresas não ficam por aqui… O ideal será ler ambos os artigos na integra. Por último, também recomendamos a leitura do artigo “O ser humano parou de evoluir?”, sobre o trabalho desenvolvido pelo cientista Steve Jones do University College de Londres (Courrier Internacional nº 155, de Janeiro de 2009, pg. 67).

15/01/2009

Tocas (d)a raposa



“- Olhe lá, comadre, não é intrujice?
- Intrujice! Ora essa, como podia isso ser…”
Aquilino Ribeiro, O romance da Raposa


Raposas! Mas porque é que se abordou esse tema? Não é este um blogue sobre espeleologia? Sim, é certo. Mas, que mais não fosse, falámos sobre a raposinha falecida no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros porque tudo (ou quase tudo) se interrelaciona e, não nos esqueçamos, que essa espécie apresenta, com frequência, comportamentos trogloxenos, não é?
Quanto à “brincadeira” da Zorra Berradeira deveu-se ao facto de no mês passado ter tido oportunidade de apreciar, mais uma vez, o quadro de Carlos Porfírio sobre a dita e ter lido um livro altamente cativante sobre esse “mamífero”, grutas e muito mais: Lisboa Triunfante, da autoria de David Soares (Edições Saída de Emergência, 2008).
O livro em questão começa, na actualidade, em torno de uma pretensa fotografia de Aquilino Ribeiro…“Uma raposa que corria em duas patas.
Em duas patas!
Parecia uma raposa verdadeira. Era uma mistura de raposa com caricatura de raposa. Como os desenhos que ilustram as histórias para crianças. Tinha um sorriso rasgado e a língua dependurada.
Parecia um boneco. Parecia um fantoche.
A raposa que corria em duas patas parecia verdadeira.
Quase se podia ver o movimento dela na fotografia. Quase?

Segue-se um curto mas impressionante episódio passado há 90 milhões de anos, para prosseguir a história no ano 21983 a.C., na região da actual Grande Lisboa, mais precisamente em Monsanto (Monte Santo) e Rio Seco. A chefe de uma tribo pré-histórica “trazia muitos anéis para disfarçar as articulações deformadas pela artrite e um dos colares apresentava um zoomorfo parecido com uma raposa. Usava com vaidade uma peruca feita com a juba de um leão das grutas por cima da cabeça rapada; o ocre com que pintava o rosto e os braços parecia carvão sob a Lua.” Cinco anos mais tarde (21978 a.C.) dá-se uma tragédia que potencia mudanças e descobertas…“Saíram e dirigiram-se a outra caverna.
Tens muitos sítios, disse o rapaz.
Há muitos caminhos debaixo da terra, respondeu o velho, mais que tu possas pensar.

A obra é profícua em saltos temporais e espaciais…No ano de 1255 revela-se nova referência sobre grutas. “Se queres mesmo ir ter com o Homem Verde tens de sair da cidade e ir para Norte, mas não há nenhuma estrada que te leve ao sítio certo. Passas pelo Mosteiro de São Vicente de Fora e viras um pouco para poente assim que deixares o mosteiro para trás. Continuas a andar e verás uma grande penha. Contorna o sopé da montanha e encontrarás a entrada de uma gruta.
E o mesmo se passa no ano de 1903. “Os bairros de Campo de Ourique e de Alcântara, e também a Junqueira e a Ajuda, começaram a ser examinados pelas equipas de pesquisa da Associação de Arqueólogos Portugueses fundada por Joaquim Possidónio da Silva e do Museu Nacional de Arqueologia do etnólogo José Leite de Vasconcelos. Toda a Rua Maria Pia, mais o Sertão, assim como a área do Rio Seco, possuíam furnas, cavernas e grutas pré-históricas inexploradas. Uma sepultura de Neandertal acabada de ser descoberta na Tapada da Ajuda, a juntar-se a outra, mais moderna, encontrada no mesmo local há vinte e quatro anos: os vestígios de pólenes, pigmentos e bric-à-brac de osso e pedra sugeriam que os ritos fúnebres eram elaborados e que aqueles antepassados já tinham religião. Aquilino lera-o no Diário de Notícias e ficara muito intrigado.
Salientamos igualmente uma interessante referência no ano de 1905: “As jovens procuravam as moiras nas copas das árvores e nas lapas para que elas as tornassem mais belas - Moira ou Mater Deas: espécie de Parca pagã que nada tinha a ver com as “mulheres dos mouros”. Às vezes, saia de dentro das próprias árvores e dos penedos: como a moira transvertida na Nossa Senhora da Lapa, enfiteuta do Santuário rochoso que ficava atrás do colégio jesuíta para onde Aquilino Ribeiro fora estudar aos dez anos de idade.
Por fim, destacamos no ano de 1742 as seguintes linhas sobre o que dizia a Beata de Óbidos: “Vossa Majestade… continuou Leal ‘…ela diz ver uma ilha… subterrânea!...’
D. João V inclinou-se para a frente e arregalou os olhos. Um burburinho andou à solta pela sala.
‘Uma ilha subterrânea? Onde?’
‘Aparentemente, debaixo de Lisboa. Vossa Majestade, ela…’ Calou-se e baixou a cabeça.”
E mais: “Quem passasse pelo Caracol da Penha de madrugada poderia pasmar-se com a passagem de um cortejo prodigioso; excepto os guinchos das rodas das carretas carregadas de vitualhas, armas e um barco desmontado com uma vela enrolada, o campo encontrava-se em silêncio. O grupo de catorze indivíduos avançou para fora do caminho e pisou a erva molhada pela humidade da noite; um pingo cor-de-rosa foi ejaculado pelo horizonte e vento espalhou-o, diluindo a tonalidade escura do céu.
(…) Contornaram com lentidão o sopé da montanha retirando os pedregulhos maiores do caminho para avançar com as carretas e encontraram a entrada da gruta. O franciscano olhou em volta e não viu vestígios de ocupação, nem cinzas ou pegadas: o local estava abandonado há muitos anos. Inclinou-se para espreitar e cheirou a humidade do interior da terra - musgo e poeira.
Uma espécie de brisa que cheirava a maresia vinha lá de dentro.
Seria a imaginação dele?
Sentiu a pele arrepiar-se
(…) ‘Os mouros moraram aqui’, disse. ‘Quando o exército de Afonso I conquistou Lisboa fugiram para Oriente. Este local foi o último refúgio deles.’ Apontou para a gruta e disse: ‘Esta é Covadonga! Símbolo da vitória cristã sobre o infiel: da Luz sobre a Treva - mas cuidado! Olhem uns pelos outros! Sabe-se lá se não chegámos, invés disso, à entrada do Inferno.’

Portanto, já se perceberá o porquê de termos falado de uma raposa num blogue de espeleologia, não é? Mas fico por aqui…. Não podendo deixar de recomendar vivamente a leitura de Lisboa Triunfante. Depois de ter lido A Conspiração dos Antepassados e Lisboa Triunfante só me resta aguardar com bastante expectativa a próxima obra de David Soares.
A propósito já me esquecia de dizer que, em Lisboa Triunfante, para além do "mamífero" referido, também surge de forma persistente um "réptil"…

12/01/2009

A Zorra "berrou"?

Planalto de Santo António (PNSAC) © Pedro Cuiça (Dez. 2008)

Não, não será certamente a Zorra Berradeira pois parece tratar-se de uma simples raposa (Vulpes vulpes). Mas que “berrou”, “berrou”, não há dúvida… Resta saber: porquê? Será que teve a infelicidade de se deparar com uma alma (de)penada? Não creio...
A lenda da Zorra Berradeira é tão antiga quanto esquecida pelo sedimentar das recordações dos velhos tempos passados. Esta lenda foi bastante veiculada no Algarve, com destaque para a região de Silves, nomeadamente por Francisco Xavier d’Athaíde Oliveira.
A Zorra Berradeira era conhecida pelos ruídos monstruosos que produzia em certa noites. Com o aspecto de cabra, produzia silvos de fúria que anunciavam desgraça iminente! Ninguém os queria ouvir. Contavam-se histórias de pessoas que os tinham escutado e, pouco depois, terão sido vítimas de terríveis desastres, sobretudo mortes de entes queridos.
As lendas associadas a essa "raposa" de tendências algo ruidosas não se cingem contudo ao Algarve, também são conhecidas noutras zonas do País e no estrangeiro. Por exemplo, no Brasil esse “mito” é conhecido, mas também bastante olvidado, nos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Também chamado de "Berrador", "Barrulheiro" ou "Bicho Barulhento", a Zorra Berradeira é um ser sem descrição física, que assusta os sertões, através da emissão de altos berros, "compassados, intermitentes e horríveis". A "raposa" atravessa os campos, correndo, todas as sextas-feiras, depois da meia-noite. É uma alma penada… Diz a lenda que a terra não a aceita e só o fará quando ela cumprir sua sina. Na Argentina a bicha chama-se “Kaparilo”…
Essa figura inumana, que povoa o imaginário popular algarvio (e não só), sob a forma de lendas e superstições, pode ser visualizada numa pintura de Carlos Porfírio, da colecção «Lendas do Algarve», que se encontra no Museu de Arqueologia de Faro.

07/01/2009

É o que se arranja…

Planalto de Santo António (PNSAC) © Pedro Cuiça (Dez. 2008)

Não é certamente a melhor forma de começarmos este Novo Ano (tal como não foi a de encerrar o Ano Velho), mas é o que se arranja! Eu sei que não apresentámos o tradicional Pai Natal (disfarçado de espeleólogo ou vice-versa) e as conversas costumeiras da época mas, se tudo correr à semelhança do ano passado, teremos oportunidade de divulgar o “Papai Noel” nas alturas mais desusadas para o fazer. Precisamente quando a maior parte das pessoas estiver esquecida desse senhor de barbas brancas e fatiota "vermelhoca" ao estilo "Cola-Coca"… E, sobretudo, do simbolismo e significado do Natal. Não menos importante, não é?
Para não nos esquecermos do consumismo, que atinge o seu pico mais altaneiro precisamente nesta época que acabámos de vivenciar, aqui fica mais um tesourinho deprimente neste nosso tão saudoso Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). Palavras para quê?

P.S.: Já agora, BOM ANO NOVO para todos os que acompanham o Spelaion; que seja um ano de amplos horizontes...
Planalto de Santo António (PNSAC) © Pedro Cuiça (Dez. 2008)

11/12/2008

Água e Vinho subterrâneos

Uma equipa de espeleólogos húngaros descobriu, no passado mês de Novembro, um grande lago de águas termais na cavidade Molnár János, em Budapeste (Hungria). Essa cavidade, conhecida desde 1970, forma parte de uma vasta rede subterrânea de origem hidrotermal responsável pelos famosos banhos termais da cidade de Budapeste.
O presidente da câmara do Distrito 2 de Budapeste, Zsol Láng, onde se situa a Molnár János (em Buda), diz que irá fazer tudo o que esteja ao seu alcance para que a UNESCO declare esta cavidade como património mundial. O lago, considerado um dos maiores hidrotermais de que se tem conhecimento, com 86 metros de comprimento, 26 metros de largura e 8 metros de profundidade mínima, apresenta uma temperatura de 27º C.

[Fonte: Espeleobloc]








Post Scriptum: Na nossa última estadia em Budapeste não tivemos oportunidade de conhecer as águas termais mas, em contrapartida, vimos o Pai Natal na Szemlo-hegy e descobrimos não águas termais, nem água mineral, mas vinho no Budavári Labirintus! Nem mais… :)

Szemlo-hegy (Budapeste) © Pedro Cuiça (2006)

Budavári Labirintus (Budapeste) © Pedro Cuiça (2006)

Isso é tudo especulação

Gruta do Zambujal
Derrocada de Sítio Classificado

[FORA DE PORTAS ● jornal Forum Ambiente nº 186, 19 de Junho de 1998]

O fecho da Gruta do Zambujal estava marcado para Junho. Infelizmente, a derrocada de parte do nível inferior da cavidade constituiu a novidade do mês. A conservação desse Sítio Classificado revela-se, cada vez mais, uma impossibilidade e os espeleólogos temem o pior: a derrocada de toda a gruta.

Gruta do Zambujal © Francisco Rasteiro (1998)

Não é todos os dias que se faz futurologia. Na verdade, a previsão do futuro da Gruta do Zambujal não suscitava grandes dúvidas. Era tudo uma questão de tempo. Passa-se a explicar. O jornal Forum Ambiente alertou, na edição de 5 de Junho, para o abandono e destruição da Gruta do Zambujal. No dia seguinte (sábado, 6 de Junho), o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) constatou que parte do nível inferior da cavidade tinha sofrido uma derrocada recente.
O alerta não se fez esperar, a derrocada na Gruta do Zambujal saltou para as páginas dos jornais. A pérola da espeleologia portuguesa voltou a ser notícia e, mais uma vez, por motivos relacionados com a sua destruição. Destruição que, ao longo de duas décadas, transformou essa “jóia”, de forma inexorável, num “buraco” em perigo de ruir na sua totalidade. É que as rochas nas quais a gruta se encontra estão intensamente fracturadas, demonstrando de modo cada vez mais evidente a instabilidade da mesma.
Os vereadores da Câmara Municipal de Sesimbra reuniram-se de urgência, no dia 9 de Junho (terça-feira), para avaliarem o sucedido na Gruta do Zambujal, tendo posto ao corrente da situação o primeiro-ministro, António Guterres, e a ministra do Ambiente, Elisa Ferreira. Os responsáveis do Parque Natural da Arrábida (PNA) estiveram incontactáveis até ao fecho da edição e a pedreira de José Galo limitou-se a dizer: “Isso é tudo especulação”.
Em visita à gruta, no dia 10 de Junho, a Forum Ambiente presenciou a área afectada pela derrocada e, em conversa com a população confirmou que “os rebentamentos são quase todos os dias”. A Guarda Nacional Republicana, de Sesimbra, referiu que não foi participada qualquer ocorrência de explosão fora do comum. No entanto, o “povo” já está habituado aos “abalos de terra” e, por medo ou indiferença, já não se dá ao trabalho de reclamar.

Vergonhosa indiferença, manifesta incompetência
A Gruta do Zambujal já não é a maravilhosa cavidade de há 20 anos atrás. Com grande parte das concreções destruídas, parcialmente entulhada por blocos e desmoronada, o seu valor patrimonial e científico, bem como o seu aproveitamento turístico, encontram-se seriamente comprometidos. Duas décadas após a sua classificação como área protegida de interesse espeleológico, a Gruta do Zambujal continua à mercê da burocracia e da ineficiência das entidades responsáveis, entre as quais se inclui o Instituto da Conservação da Natureza (ICN), que alega invariavelmente carência crónica de meios.
Para o NECA, “o ICN mostra-se completamente desinteressado pela conservação da Gruta do Zambujal, alegando existirem problemas de maior prioridade para serem resolvidos”. O PNA e a Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) também não têm um historial famoso, no que se refere à conservação e dinamização desse geo-recurso cultural. A CMS, ao tempo do anterior executivo, chegou mesmo a entulhar uma das entradas da cavidade com toneladas de blocos. Por incrível que pareça, não foram apuradas responsabilidades e ninguém foi punido.
A indiferença a que a gruta tem sido votada ao longo dos anos está bem patente no terreno. Resultado de diversos actos de vandalismo, bem como da incompreensível extracção de pedra, a incúria e desresponsabilização são bem evidentes. Aliás, segundo o NECA, os recentes desmoronamentos verificados na Gruta do Zambujal terão sido originados por fortes explosões provocadas pela laboração da Pedreira de José Galo. Mas será um “pleonasmo” referir a ilegalidade da laboração da pedreira a menos dos 500 metros desse Sítio Classificado, a destruição de grande parte do vale da Ribeira do Cavalo ou o desaparecimento das pegadas de dinossáurios aí existentes. “Outros valores se levantam…” e a (des)responsabilidade é de todos em geral e de ninguém em particular.
O património espeleológico é que não se compadece com a actuação de quem de direito. Tal como foi referido no jornal Forum Ambiente (nº 184, de 5 de Junho de 1998), talvez o concelho de Sesimbra perca um pólo de desenvolvimento local e o país uma das mais belas grutas conhecidas em território nacional, se é que já não perdeu.



OPINIÃO
Há que dizê-lo…
Com ou sem frontalidade


15 horas: o senhor engenheiro ainda não chegou. 15 horas e 30 minutos: espera-se o senhor engenheiro, a qualquer momento. 16 horas: o senhor engenheiro já se encontra nas instalações, mas em paradeiro desconhecido! 17 horas e 25 minutos: o senhor engenheiro está ao telefone, no entanto não poderá aguarda por ele, em linha, porque a central telefónica ficará ocupada. 17 horas e 30 minutos: o senhor engenheiro acaba de sair. Não, não é o director do Parque Natural da Arrábida (PNA). Esse encontra-se de férias. A pessoa que a Forum Ambiente tentou contactar na terça-feira (dia 9 de Junho), para prestar declarações acerca do sucedido na Gruta do Zambujal e da posição do PNA, é supostamente a que estaria a substituir o director.
O presidente do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) também se encontrava incontactável e não havia ninguém no instituto que prestasse esclarecimentos sobre a Gruta do Zambujal. Aconselharam-nos a contactar o PNA, o que já tínhamos feito talvez “umas poucas três dezenas de vezes”. Na Câmara Municipal de Sesimbra o panorama não foi mais animador. O presidente da edilidade encontrava-se de férias e os vereadores estiveram incontactáveis, pois encontravam-se reunidos devido à preocupante situação da Lagoa de Albufeira e face ao recente abatimento da Gruta do Zambujal. Nos dias 12, 15 e 16 de Junho, a Forum Ambiente voltou à carga, dando descanso aos visados nos feriados e fim-de-semana. Mas sem resultados. Até ao fecho da edição (dia 16) a situação de incomunicabilidade das pessoas e entidades referidas manteve-se.
Sem comentários…

03/12/2008

Ena pá!

Serra de Candeeiros © Pedro Cuiça (2008)
Serra de Candeeiros © Pedro Cuiça (2008)
Serra de Candeeiros © Pedro Cuiça (2008)
Serra de Candeeiros © Pedro Cuiça (2008)
Ena pá! 2008? Sim, estamos de facto no século XXI e num novo milénio... Não parece, mas assim é!!!
Como se costuma dizer: uma imagem vale mais do que mil palavras. E estas, sendo meia dúzia, falarão por si… Portanto, palavras para quê? O que é natural é bom, não é? E quando se encontra num parque natural (como o PNSAC) as expectativas ainda serão maiores! Mais natural, mais natureza, mais verde, mais ecológico, mais sustentável, mais… Blá, blá, blá...
De qualquer modo, para quem ache imprescindível uma explicaçãozinha, aqui fica... À falta de algum considerando mais profundo, só nos ocorre mesmo algo bem superficial :

“Marisco é bom,
Marisco satisfação,
Marisco é bom,
Marisco é-i…”


Serra de Candeeiros © Pedro Cuiça (2008)
Serra de Candeeiros © Pedro Cuiça (2008)

Grande pedra...

Ordenamento do Território
O reino da pedra

[FORA DE PORTAS ● jornal Forum Ambiente, nº 159, 12 de Dezembro de 1997]

Serra da Arrábida © Francisco Rasteiro (1997)

O Núcleo Cicloturista de Sesimbra organizou um debate sobre desenvolvimento sustentável no concelho. Na passada semana demos a conhecer as novidades acerca da prática de actividades de ar livre no Parque Natural da Serra da Arrábida. Mas não poderíamos deixar passar em branco as pedreiras e a Gruta do Zambujal.

No dia 29 de Novembro, o Núcleo Cicloturista de Sesimbra (NCS) organizou um debate sobre desenvolvimento sustentável no concelho. Espaço de discussão sobre preservação das riquezas naturais do concelho de Sesimbra, contou com o apoio do Instituto de Promoção Ambiental (IPAMB), Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) e Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA).
O mar constituiu o primeiro tema, onde se debateram sobretudo aspectos ligados à indústria pesqueira. Mas foi a serra, o segundo tema do debate, que levantou as mais acesas polémicas. Na semana passada abordaram-se as novidades acerca da prática de actividades de ar livre na área do Parque Natural da Arrábida (PNA). Agora vamos focar a indústria extractiva e o problema da Gruta do Zambujal. Questões, aliás, em torno das quais se centrou a maior parte do debate. Carlos Costa, da Universidade Nova de Lisboa, iniciou o segundo tema do debate afirmando que “na serra vamos ter que privilegiar a temática das pedreiras. São ou não as pedreiras que laboram no PNA essenciais para o concelho de Sesimbra, para a área metropolitana de Lisboa e para o País?” questionou esse geólogo. A clivagem situar-se-á entre aqueles que pensam que as pedreiras são essenciais e os que pensam que poderíamos prescindir delas.
A utilidade das pedreiras será inquestionável. No ano passado foram retiradas oito milhões de toneladas de pedra do PNA (fundamentalmente britas para a construção civil), o que correspondeu a dois milhões e meio de contos. A localização das ditas pedreiras é que não gera consensos. “À semelhança do que defendeu há cerca de dez anos o Grupo de Trabalho da Arrábida da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), é necessário a interdição de novas frentes de pedreiras dentro do perímetro do PNA, bem como da ampliação de outras que possam perigar áreas de especial interesse ecológico, como por exemplo a área da Serra do Risco”, salientou Carlos Costa.
Por outro lado, as pedreiras de Sesimbra encontram-se no esforço máximo de laboração e espera-se que a indústria extractiva venha a sofrer um refluxo económico no próximo ano, devido à finalização dos trabalhos da Expo 98 e da Ponte Vasco da Gama. Alguns mais fundamentalistas da área do ambiente suspirarão de alívio. No entanto, isso poderá implicar que as empresas não possuam verbas para fazer aquilo que já deveriam de ter feito há muito tempo: a recuperação paisagística. “Desiludam-se aqueles que pensam, que aceitam, teorias do género: primeiro exploramos, depois recuperamos. Isso não existe em nenhuma parte do mundo. O que se faz é um plano sequencial de exploração e de recuperação. Porque a recuperação custa qualquer coisa como 10 a 27 por cento do valor da produção. Ninguém vai aplicar esses valores na recuperação, se não estiver a colher lucros de exploração.
Mas não houve só más notícias no debate sobre desenvolvimento sustentável no concelho de Sesimbra. O plano de ordenamento das pedreiras de Sesimbra está prestes a ser aprovado. “Se esse plano for aprovado, a vantagem que tem, relativamente a não ser aprovado (depois de se realizarem as negociações parciais), é acima de tudo a de que pode ser um plano conjugado. Um plano que contempla soluções que se articulem e que permitam a garantia de que a qualidade do ambiente vai novamente pode ser colocada a níveis elevados compatíveis com o nível de protecção da área.
Para Ricardo Paiva, director do PNA, “convém não esquecer que somente três por cento da área do parque é ocupada por pedreiras, os restantes 97 por cento não têm pedreiras”. Esses 97 por cento pertencem à zona que está minimamente lesada por pressões económicas, políticas ou dos mais variados interesses. “Apesar de tudo, quem for dar uma volta na Arrábida, com os defeitos que tem - há lixos, há entulhos, há agressões ao ambiente,… e eu não os quero esconder - de qualquer forma se não houvesse parque o que é que seria actualmente esta área.
Outro dos assuntos que mereceu aturada atenção foi o da Gruta do Zambujal. Esta, após o longo interregno a que foi votada sob a alçada do ICN, passou este ano para a jurisdição do PNA. Ricardo Paiva referiu que “no plano de actividades do ano que vem inscrevi uma verba para resolver de uma vez por todas o problema da Gruta do Zambujal”. Segundo Ricardo Paiva, as reuniões - nomeadamente com a Câmara Municipal de Sesimbra, Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) e ICN (pelo passado que teve no estudo e na condução de todo o processo da Gruta do Zambujal) - irão continuar.
Mas foi estabelecido um calendário com vista ao encerramento da cavidade. Aliás, já foi efectuado um encontro com especialistas tendo em vista o encerramento da mesma. A gruta vai ser encerrada, mas o acesso aos morcegos será assegurado. Apenas a entrada do Homem será interditada por tempo indeterminado, até que esteja finalizado um estudo de aproveitamento turístico da caverna. “Mas com base em estudos científicos, para sabermos a capacidade de carga e o potencial aproveitamento ou não das grutas do Zambujal”, assegurou o director do PNA. “Neste momento estamos a avançar, penso que a bom ritmo, e quase que poderia dizer que em meados do ano que vem teremos esta questão do encerramento da gruta resolvida”, finalizou.
Por último, refira-se que está em curso a reclassificação do PNA e espera-se que o Cabo Espichel venha a fazer parte do Parque Natural. Mas a área da Gruta do Zambujal e Vale da Ribeira do Cavalo, bem como zonas sensíveis do ponto de vista da construção clandestina, estão, à partida, excluídas. O parque relega as responsabilidades para outras entidades. “Nós somos Instituto de Conservação da Natureza, não somos instituto do desordenamento territorial”. Novos rumos estão traçados, agora é esperar para ver.

P.S.: Não é um Instituto de Desordenamento do Território. E de Ordenhamento?

19/11/2008

Conferência em Coimbra

O Instituto de Estudos Geográficos da Universidade de Coimbra, no âmbito do Mestrado em Geografia Física - Ambiente e Ordenamento do Território, vai realizar no próximo dia 28 de Novembro (6º feira), na Sala Fernandes Martins do Colégio de S. Jerónimo (2º andar), pelas 17.00 horas, uma conferência subordinado ao tema “Carso e Paleocarsos em Itália meridional (Puglia) - As morfo-sequências subterrâneas enquanto arquivos de dados” a proferir pelo Doutor Vincenzo Iurilli do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Bari (Itália).

[Fonte: Sérgio Medeiros in Espeleo.pt]