Para mais informações, consulte o site http://www.resaltes.com/.
Um blogue sobre espeleosofia ● A blog about speleosophy
Gruta da Furninha (Peniche) © Pedro Cuiça (1999)A Gruta da Furninha, famosa pela fauna e pelo espólio arqueológico que encerrava, encontra-se no mais completo abandono. Essa habitação e, posteriormente, necrópole dos nossos antepassados pré-históricos é usada como “casa de banho” e vazadouro de lixo. Mas, o abandono e a incúria não são um exclusivo dessa importante gruta, pois as cavidades existentes na área não têm melhor sorte.
O património espeleológico tem sido sujeito, ao longo dos anos, a uma degradação mais ou menos contínua e irreversível. A afluência de grande número de pessoas a determinadas grutas é apontada como uma das causas, talvez a mais importante. Na Gruta da Furninha, assim como nas vizinhas, os envolvidos não são espeleólogos, são pescadores! Sim, pescadores e talvez visitantes ocasionais. Certo é que essas cavidades apresentam-se, invariavelmente, conspurcadas por dejectos de diversos tipos. Também é certo que não se encontra nenhum aviso a alertar para a importância da Gruta da Furninha e, muito menos, das suas congéneres sem fama. Mas o estado em que se encontram não tem justificação.
Um simples buraco
A Gruta da Furninha situa-se frente ao mar, numa pequena plataforma de calcários acinzentados. A sua ampla entrada dá acesso a uma sala principal, seguindo-se uma sala mais pequena e um corredor inclinado com um poço de nove metros. A gruta tratava-se, inicialmente, de uma simples fenda nos calcários. Fenda que o mar alargou, dando à sua entrada um aspecto próximo do que possui actualmente. A caverna situa-se ao nível do mar de então.
Segundo o geólogo Georges Zbyszewski, com a descida das águas do mar “a parte inferior da gruta foi escavada em forma de poço”. O depósito de calhaus encontrado no fundo desse poço, e que tem o seu equivalente nas anfractuosidades da arriba, no exterior da cavidade, corresponde a um antigo depósito de praia. Depois dessa regressão, Zbyszewski refere que “a gruta foi invadida pelas areias de dunas e frequentadas pelos homens paleolíticos, os quais deixaram sílex e quartzitos lascados, acompanhados de muitos ossos de animais”.
No século XIX, Nery Delgado encontrou, no mesmo poço, sete níveis ossíferos, contendo restos de ursos, lobos, hienas raiadas, panteras, linces, rinocerontes, cavalos, veados, aves, tartarugas e peixes. Um exame posterior mostrou que a gruta possui níveis do Paleolítico Superior, que era desconhecido em Portugal na época das escavações de Nery Delgado, o que justifica não ter sido separado do Eneolítico. Depois de escavações realizadas em outras grutas, chegou-se à conclusão que “os homens do Eneolítico enterraram os seus mortos na gruta da Furninha, abrindo fossas nos níveis do Paleolítico superior que remexeram parcialmente”.
A gruta já não serve de habitação aos vivos e de último repouso aos mortos. Actualmente, a sua utilização é bem diferente. O vasto condomínio que é a natureza continua a ser encarado e tratado da forma mais leviana. Para alguns o planeta Terra é a sua casa, para outros talvez não passe de um grandioso vazadouro público.




Salir do Porto © Pedro Cuiça (1999)
Salir do Porto © Pedro Cuiça (1999)

A propósito das motivações que conduzem alguns "cromos" a dedicarem-se à exploração do mundo subterrâneo será conveniente, face às multifacetadas abordagens e especifícidades dos mesmos, esboçar algumas aproximações ao tema na tentativa de trazer algo de luz a esse mundo caracterizado pelas trevas! Comecemos pela bizarra mas pouco surpreendente notícia, que mereceu destaque no Espeleo.pt, acerca de um espeleólogo acusado de homicídio, por tentativa de impedir o acesso a uma gruta nos Alpes austríacos. Novidades, na verdade, não são a inveja ou a "dor de cotovelo", ambas demasiado banais e vulgarizadas enquanto motivações que levam a absurdos do tipo: esta gruta é minha, é toda minha e só minha!!! Seja nas Caldas, em Valongo, em Quarteira, em Tenerife ou no Dachstein, parece que os ninjas são mais abundantes do que se possa pensar*... Invulgar mesmo é a loucura atingir proporções desmesuradas, transcendentalmente mortais!
“Vienna - A cave explorer could face charges of attempted murder after he built a potentially deadly trap to keep a rival from a cave in the Austrian Alps, police said Monday. The 68-year-old suspect placed large rocks onto a rope that would have come crashing down on anyone using it in the cave on Dachstein mountain, police said.
The trap was discovered last month by an amateur caver who attempted to abseil into the mountain two days after he was told by the suspect not to explore the cave.
The suspect was arrested last Thursday. He is also suspected of scratching cars of other cave enthusiasts.
"His pride was wounded," police investigator Harald Winkler told Deutsche Presse-Agentur dpa. "He didn't want anyone to enter his cave."” (sic.)
Numa abordagem mais filosófica e generalista, Albert Camus também aborda certas tendências dúvidosas, qualificadas de "criminais", entre aqueles que buscam as profundezas. Esse filósofo francês expressa alguma preocupação face às motivações que conduzem “o pessoal” para esses antros escuros designados frequentemente por “grutas” ou cavernas”, mas cujo arcaísmo “espeluncas” não seria despropositado, ainda para mais quando o cenário parece ajustar-se melhor a filmes de terror do que de karaté! «J’avais même voué une haine spéciale aux spéléologues qui avaient le front d’occuper la première page des journaux et dont les performances m’écoeuraient. S’efforcer de parvenir à la cote moins 800, au risque de se trouver la tête coincée dans un goulet rocheux (un siphon comme disent ces inconscients) me paraissait l’exploit de caractères pervertis et traumatisés. Il y avait du crime là-dessous…»
*Apesar de existirem ninjas de várias nacionalidades, de inúmeras localidades e de diversas classes sociais, na verdade, como O Ninja das Caldas não há mais nenhum...

FILME DE CULTO: O Ninja das Caldas é um marco do cinema nacional, trata-se do primeiro filme ninja português… “Ele só queria ser feliz… Mas não o deixaram…” Foi com base nestas duas ideias-chave ou linhas de força que o realizador Hugo Guerra desenvolveu toda a intensa e dramática tragédia que perpassa nessa ímpar obra cinematográfica.
As estrelas internacionais Octávio Lourenço, Ricardo Guerreiro, Sónia Matos e José Serpa são os protagonistas deste filme. Uma história épica de guerreiros e lendas, de romance e destino… A história de um amor perdido pela raiva e vingança: a luta de Evil Dragon e Toni Canelas pelo poder do Búzio Dourado. Com impressionantes e maravilhosas coreografias de combate, O Ninja das Caldas é uma aventura recheada de acção como nunca se viu antes. Deste filme destacam-se frases tão profundas como: “Agora vais sentir a supremacia da dor!” ou “Digam-me os vossos nomes e eu mato-vos por ordem alfabética”. Nem mais!
Os Amigos dos Açores - Associação Ecológica editaram um novo livro sobre a Gruta do Carvão. A obra, intitulada “Gruta do Carvão – Património Geológico da ilha de S. Miguel”, reúne diversa informação que se encontrava dispersa: a “história desta cavidade, a sua geodiversidade e biodiversidade, bem como aspectos relacionados sobre a sua valorização sócio-económica”. Esta publicação comporta ainda um capítulo que assinala os 20 anos de actividade espeleológica dos Amigos dos Açores.
A Federación Cántabra de Espeleología (FCE) digitalizou diversos números dos antigos Boletines Cántabros de Espeleología (do 1 ao 11, inclusive). Os boletins, agora digitalizados e disponíveis para impressão, irão sendo colocados, em formato "pdf", na rúbrica Publicaciones do site da federação cantábrica
Gruta do Zambujal © Francisco Rasteiro (1997)O lançamento do livro e a inauguração da exposição “Maravilhas Subterrâneas da Costa Azul” decorreu na passada segunda-feira (dia 17 de Agosto), pelas 21 horas, no Clube Sesimbrense (Grémio). Trata-se de uma iniciativa do Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA), com o apoio do Instituto Português da Juventude (IPJ), da Câmara Nunicipal de Sesimbra (CMS), de Carlos Sargedas (fotógrafo) e de José João Lda.. A mostra fotográfica, da autoria de Francisco Rasteiro, revela mais uma vez as riquezas escondidas no subsolo sesimbrense. A beleza de um meio que, estando oculto, é geralmente ignorado e maltratado. Desta feita, não poderá ficar alheio aos múltiplos brilhos dos cristais de calcite ou às variadíssimas nuances do mundo subterrâneo. A exposição estará patente no Clube Sesimbrense até 31 de Agosto, das 15 às 23 horas.
Imagens de luz e escuridão
Francisco Rasteiro nasceu em 1971 e iniciou-se nas artes da espeleologia em 1994, através da Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES), da qual é sócio. Foi membro do Núcleo de Espeleologia do Museu Nacional de História Natural e é sócio-fundador do NECA. Esse espeleólogo-fotógrafo frequentou o curso de fotografia a preto e branco no Arco (de 1989 a 1990), ganhou diversos prémios fotográficos e participou em diversas exposições. O concurso de fotografia “Sesimbra e o Mar”, organizado pela Câmara Municipal de Sesimbra em 1989, rendeu-lhe o primeiro, segundo e terceiro prémio para fotografia a cores. Em 1990, ficou em primeiro lugar na modalidade de fotografia a preto/branco, no concurso “A Solidão”, organizado pelo DN Jovem. Participou também na exposição colectiva realizada na galeria Arte & Mar (Sesimbra) em 1995. Organizou ainda diversas exposições singulares, destacando-se, em 1996, as exposições: “Formas cristalinas”, realizada na Rebeca-Relíquias, Bebidas e Conserva Amena Lda.; “Nas entranhas do Cabo Espichel”, apresentada no Black Coffe, e “Espeleologia”, realizada no Bar Caravela. Colaborador de diversos jornais e revistas, entre as quais a Forum Ambiente, o seu trabalho tem versado sobretudo a natureza, em geral, e o meio subterrâneo, em particular.
A luta pela preservação da Gruta do Zambujal e da serra e falésia do Risco são amplamente conhecidas. A defesa das grutas e algares da Arrábida são, de facto, o cavalo de batalha do espeleólogo Francisco Rasteiro. As diversas iniciativas de divulgação da espeleologia e da conservação do meio subterrâneo em que participou assim o testemunham.
Com a presente exposição de fotografia - “Maravilhas Subterrâneas da Costa Azul ”- Francisco Rasteiro pretende “sensibilizar o público em geral para a preservação e valorização dos ambientes cársicos, através de fotografias que ilustram alguns recantos subterrâneos, com formações litológicas de rara beleza”.
PNSAC © Tiago Petinga (1995)Os “Documentários Vivos” foram apresentados à imprensa no fim-de-semana de 16 e 17 e Janeiro, nas espectaculares paisagens cársicas do Maciço Calcário Estremenho. Olímpio Martins e Maria João Martins guiaram os participantes na iniciativa. Os programas temáticos, que pretendem conciliar o lazer e a aventura com a interpretação do meio, levaram os jornalistas a efectuar a descida integral do Algar do Pena. Para alguns, foram os primeiros passos nas técnicas de progressão usadas na espeleologia (que incluíram travessias em corrimão e rapel), bem como nos segredos do fascinante “mundo subterrâneo”.
O carso, como não podia deixar de ser, surge como principal pólo integrador dos programas em curso. Para conhecer o carso, “Documentários Vivos” revela o modelado superficial, desvenda a escorrência das águas e relembra velhas artes e tradições. As visitas ao sistema fluviocársico dos Amiais/Olhos de Água do Alviela e a troços da Rota dos Candeeiros, Rota das Escarpas e Rota do Planalto também preencheram a agenda do fim-de-semana. Dois dias em que a gastronomia regional típica das serras d’Aire e Candeeiros surgiu como mais uma das surpresas.
“Documentários Vivos” é uma iniciativa do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) e da Região de Turismo de Leiria, organizada pela Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros (ADSAC) e pelo Automóvel Clube de Portugal de Porto de Mós (ACPM).
Visitas, passeios e interpretação
Os “Documentários Vivos” são programas temáticos de interpretação do património natural do PNSAC e, por extensão, do Maciço Calcário Estremenho, a maior área de terrenos carbonatados (calcários e dolomias, entre outros) do país e aquela onde o modelado cársico se expressa na sua maior perfeição. As águas infiltram-se através de sistemas de escoamento subterrâneo e surgem em caudalosas nascentes (Alviela, Almonda, etc.), esculpindo formas típicas como canyons, dolinas, uvalas e polges, campos de lapiás ou grutas, entre outras. Não admira que os dois programas temáticos recentemente iniciados - “Viagens ao Centro da Terra” e “Quarenta e oito horas em tons de ocre, cinzento e verde” - estejam centrados em torno do carso.
O programa “Viagens ao Centro da Terra” envolve a visita a três grutas: uma situada na serra dos Candeeiros, outra junto da serra de Aire e ainda outra no planalto de Ato. António. Em cada uma das cavidades é abordada uma temática específica, havendo porém um denominador comum: o património espeleológico e os recursos hidrícos, a sua interpretação e integração no contexto regional. De início, somente uma das cavidades, o Algar do Pena (em que é realizada a descida integral), será alvo dessa abordagem, mas futuramente a educação ambiental ir-se-á estender às restantes.
O Algar do Pena situa-se no Vale do Mar, depressão aberta no centro sul do planalto de Sto. António (ver jornal Forum Ambiente nº 120, de 14 de Março de 1997). Descoberto em 1985, esse algar possui a maior sala conhecida no país (com um volume estimado de 105 mil metros cúbicos) e, alvo de uma intervenção cuidada, constitui hoje um centro de interpretação pioneiro. O Centro de Interpretação Subterrâneo do “Algar do Pena” é um projecto-piloto, integrado nas Rotas Europeias do Carso, que pretende sensibilizar a população em geral para a preservação do mundo subterrâneo dando-lhe, nas palavras de Olímpio Martins, a possibilidade de “conhecer a história do carso profundo”.
O programa “Viagens ao Centro da Terra” aborda igualmente diversos aspectos do carso superficial, sua relação com o carso profundo e o ciclo da água. As visitas estendem-se ao bordo norte do planalto de Sto. António (Rota das Escarpas) para apreciar “aspectos dos grandes acidentes tectónicos da região” e ao sistema fluviocársico dos Amiais/Olhos de Água do Alviela.
A gastronomia, um passeio de burro pelo Vale da Canada e pelo campo de lapiás do Ladoeiro, bem como a abordagem de diversos aspectos da flora da região, completam o pacote de três dias. O programa destina-se a maiores de 12 anos sem problemas de saúde, nomeadamente porque envolve manobras de corda durante a progressão subterrânea.
“Quarenta e oito horas em tons de ocre, cinzento e verde” percorre a três sub-unidades geomorfológicas em que classicamente se divide o Maciço Calcário Estremenho: o Planalto de S. Mamede/Serra de Aire, o Planalto de Sto. António e a Serra de Candeeiros. O nome resultou dos tons de ocre dados pelas argilas, do cinzento dos afloramentos carbonatados e do verde do coberto vegetal rico em espécies aromáticas. O programa dá a aconhecer alguns dos mais significativos testemunhos da história geológica da região onde o PNSAC se insere, recuando aos tempos jurássicos de há 200 milhões de anos atrás. Inclui passeios na serra dos Candeeiros (Rota dos Candeeiros) e no bordo norte do planalto de Sto. António (Rota das Escarpas), travessia da região central do planalto de Sto. António (Rota do Planalto) e visitas ao Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, sistema fluviocársico dos Amiais/nascente dos Olhos de Água do Alviela, Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta “Algar do Pena” e Marinhas de Sal de Rio Maior.
Os interessados não necessitam de possuir equipamento ou conhecimentos técnicos para participarem. O enquadramento técnico está a cargo do Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta “Algar do Pena” e do Automóvel Clube de Porto de Mós. Os programas estão pensados para grupos pequenos (de 6 a 12 pessoas), sendo a razão participantes/enquadradores de 6 para 2. O equipamento, incluindo viaturas, é disponibilizado pela organização, assim como a alimentação e o alojamento. Para participar, basta contactar a Central de Coordenação de Visitas ao PNSAC, com o mínimo de 15 dias de antecedência.
Actividades de Ar Livre & Preservação da Natureza
Os “Documentários Vivos” assumem uma postura marcadamente conservacionista, subscrevendo inteiramente as orientações do PNSAC (in Naturalmente, 1992):
● Prefira itinerários documentados;
● Respeite os usos, costumes e tradições da área que visita;
● As plantas, olhe-as e respire-as… mas não as colha;
● Os animais… nada como deixá-los em paz;
● A pedra não é apenas um corpo inerte;
● Aproveite da melhor forma a sinalização;
● Cuidado com o fogo!;
● Pratique desporto nos locais aconselhados e com as necessários precauções;
● Evite ruídos desnecessários;
● Deite o lixo nos locais apropriados;
● Acampe sim… mas nos locais indicados;
● Os campos têm dono.
O Spelaion